A revolução dos caranguejos.
Na
data em que se comemora o Dia do Jornalista, convido os colegas a fazerem uma
reflexão sobre os compromissos que regem essa importante profissão. A saber: a
busca permanente da verdade e a obstinação de servir a sociedade com ética. E atuar
priorizando a verdade e valorizando a ética significa agir com coerência. Sob
pena de, se assim não proceder, perder aquelas que são a maior das suas
virtudes e o seu maior patrimônio profissional: a credibilidade e a
confiabilidade.
Faço essas referências pela constatação
de que alguns jornalistas estão utilizando seus espaços para, a meu ver,
destilar, digamos assim, sentimentos pouco jornalísticos em relação a Rede Brasil
Sul de Comunicação. E digo isso com a isenção de quem não trabalha e não tem
qualquer relação comercial com o Grupo RBS.
Tais críticos, poucos, mas contumazes, alguns
ex-funcionários da RBS, outros atuando em empresas concorrentes, e alguns na
condição de franco-atiradores, por motivos diversos, aproveitam a inclusão da
RBS no rol de suspeitos da Operação Zelites para rotulá-la como predatória aos
interesses da categoria e do Rio Grande.
Claro que não eximo a RBS das suas
responsabilidades no caso. Não tenho como fazer isso. Só sei o que sai na
mídia. Por isso não absolvo e nem a condeno previamente. Lamento inclusive,
como gaúcho e jornalista, vê-la na condição de suspeita. Quem critica mal
feitos tem que dar o exemplo. Mas a prudência recomenda que aguardemos o
desfecho do caso.
O que me causa estranheza, na verdade,
é a total falta de referência à situações passadas e presentes, envolvendo
outros grupos de comunicação. Lembro-me da época do poderio econômico e
político da Companhia Jornalística Caldas Júnior, do então todo poderoso Breno
Caldas. A situação de fogo amigo era a mesma. Monopólio, compadrio ideológico
com os governos, descaso para com os interesses dos seus funcionários, eram alguns
dos ataques realizados.
Por isso, dizer que os grandes grupos
de comunicação, sejam eles regionais ou nacionais, são suspeitos de
envolvimento não recomendável com o Poder é chover no molhado. Trata-se de uma
dependência gerada inicialmente pelo sistema de concessão imposto para o setor
de comunicações e depois pela pressão pela liberação das verbas publicitárias.
A seriedade da relação depende de todos os envolvidos. Governo e
concessionários.
Mas o que mais me aborrece mesmo nesse
fuzilamento intempestivo contra a RBS é o descaso dos críticos ferrenhos para
com o interesse dos funcionários da casa, seus colegas de profissão, que serão
os primeiros a sofrerem com os ataques a imagem da empresa. Dizer que só os
conchavos econômicos são os responsáveis pelo crescimento e pelo prestígio da
RBS junto aos gaúchos e catarinenses é subestimar a qualificação profissional
dos funcionários da empresa.
No ramo da comunicação social, empresa
com imagem enfraquecida é sinônimo de perda de leitor, ouvinte e telespectador
e, consequentemente, perda de anunciante. E tudo isso resulta em perda de
receita. E perda de receita na iniciativa privada significa redução da folha de
pagamento. Ou seja, demissões. E quem é do ramo sabe que o mercado de trabalho
para jornalistas no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina já é bem escasso.
E é isso que os críticos de plantão
contra a RBS devem considerar. Ao bater na empresa estão atingindo também os
seus funcionários. Seus companheiros de profissão. Para acabar com o máxima do “balde de caranguejos” ou da
mística do “prego que se destaca” é preciso primeiro mudar esse tipo de mentalidade. E a imprensa e os jornalistas são fundamentais para essa revolução.
Quem sabe não seja essa a pauta ideal e mais produtiva?

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