segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

Quando a incompetência é a regra.




Falta água. Falta luz. Falta ônibus. Falta governo. E não me venham com essa história de que estamos tendo um dos verões mais escaldantes dos últimos tempos. Muito menos que a greve dos rodoviários é um problema entre sindicato e empresários. Aqui no Rio Grande do Sul se sabe que quando chove muito tudo alaga. Quando chega o verão tem estiagem ou faz muito calor. E quando chega janeiro tem dissídio dos rodoviários. Tudo previsível, portanto. Então por que os problemas se repetem? Por que não são evitados? A resposta é múltipla. Porque falta planejamento. Porque falta gestão. Porque falta governo competente.

Se governar é eleger prioridades, como pode um sindicato se sobrepor à necessidade de uma cidade inteira? Como pode serviços concedidos, como é o caso da energia e comunicação, serem prestados de maneira ineficaz? Como pode o abastecimento de água, com predomínio estatal, deixar milhares de habitantes sem acesso ao líquido da vida? Mas não é só transporte, energia, comunicação e saneamento que estão devendo em eficiência. As áreas da saúde, da segurança e da educação também. Falta médico, remédio e leito. Falta efetivo policial e presídios. Falta escola em boas condições e professores e alunos motivados.

O que esperar então de um estado onde falta luz, água, ônibus, saúde, segurança e educação?  É um caos que sangra a esperança. E não adianta colocar a culpa na falta de recursos. É óbvio que as demandas serão sempre maiores do que os recursos. Sempre foi assim e sempre será. Daí a importância de termos gestores responsáveis e competentes. De que adianta um governo que defende o interesse das minorias e se sente desobrigado com o atendimento das necessidades da imensa maioria da população? E para complicar ainda mais a situação, de que adianta uma Justiça que não é obedecida. Vide greve dos rodoviários.

Até quando vamos tolerar tanto desmandos? Onde está o brio revolucionário dos gaúchos? Onde estão as nossas façanhas modelares? Como é possível ficar impávido diante de uma meia dúzia de marginais que incendeiam ônibus, picham prédios, trancam ruas, enfim, que fazem o que bem entenderem sem nenhuma interferência policial? Será que já não temos motivos suficientes para dar um basta a tudo isto? Estamos esperando o quê? Chega de desfaçatez e incompetência. Está mais do que na hora de pegarmos nossos destinos com as próprias mãos. Não, não estou pregando o anarquismo. Isso os atuais governantes já estão fazendo. Refiro-me ao poder de usar a mãos, no caso o dedo, para escolher melhor os nossos representantes. Votando certo.

Chega de engodo. Em época de avanço tecnológico, de aumento da expectativa de vida, de desbravamento do universo, não temos o direito de agir como idiotas. Façamos valer nossa vantagem de seres pensantes. É o mínimo que podemos fazer a nosso favor. Xô incompetência! Esse deve ser o grito das urnas.



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