terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

Greve dos rodoviários: caso de vida ou morte?


                                                                                                          Zero Hora

Um ex-amigo do Facebook, rodoviário, resolveu me perguntar o que eu tinha contra a sua categoria? Normal, quem tem interesse direto no assunto sempre enxerga o crítico como inimigo. No caso dele, o direito dos rodoviários está acima do interesse da população e dos acordos judiciais não cumpridos. Para mim não. E por isso que cobro mais responsabilidade dos rodoviários. Por um único e primordial motivo: transporte coletivo é um serviço imprescindível para a população. Por isso o direito a greve não pode sobrepor-se ao interesse coletivo. E já faz mais de uma semana que os porto-alegrenses torram nas paradas de ônibus.

Manter-se irredutível faz com que a população se volte contra os grevistas. Se os acordos não possibilitam o atendimento de todas as reivindicações, o correto é manter a negociação, via greve, mas mantendo uma frota mínima, que permita o ir e vir das pessoas. Todas as demais categorias fazem isso. Por isso é duro ver sindicalistas sorrindo ao rejeitarem, nas suas assembleias, as propostas dos empresários do setor rodoviário. Soa como um “tô nem aí” para o sofrimento da população. Sofrimento este agravado pelo intenso calor dos últimos dias.

É por isso que exclui o rodoviário do meu facebook. Não dá para usar a coerência contra a insensibilidade. Ainda mais quando o opositor é desrespeitoso e ofensivo. Ao contrário do que meu desafeto pensa, não tenho nada contra os trabalhadores do transporte coletivo da capital, mas tenho tudo a favor dos usuários do sistema.

Exemplos: Enfermeiras que não podem se deslocar até os hospitais para prestar socorro aos doentes. Cuidadoras que não conseguem chegar na residência dos velhinhos para lhe prestar assistência. E quem impede a prestação desses serviços vitais para a manutenção da vida é o que? Para mim, no mínimo, trata-se de um crime culposo. Praticado mesmo que sem intenção. E como a vida pode valer menos que um reajuste salarial? Ou será que os rodoviários estão morrendo de fome, a ponto de não aceitarem um reajuste inferior a 14%?

Pior que a insensibilidade dos grevistas é a omissão dos governantes. Esses sim são os verdadeiros patrões, pois em se tratando do transporte coletivo de passageiros o serviço é realizada na forma de concessão. Ou seja, sob permissão estatal. As empresas e seus funcionários existem para realizar o transporte da população. Descumprir essa atribuição é motivo de quebra de contrato de prestação de serviço. E não adianta dizerem que se trata de um problema antigo, que passou por outros governantes. Quem está no poder tem a responsabilidade de fazer mais e melhor. De resolver o problema. E não é isso que estamos vendo.

A sorte até agora é que os usuários são pacientes. Até quando não sei. Minha intuição é de essa tolerância está por um fio. E quando a “boiada estourar” sai da frente. Ai vai ser difícil os grevistas manterem o sorriso habitual. Aí quero ver o que a Brigada Militar irá fazer. Se vai ficar observando, como agora, ou vai sentar o cassetete no cidadão.

O certo é que o rastilho de pólvora já foi acesso. E pode estourar a qualquer momento. Infelizmente.

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