O PT finge que não
discrimina,
mas discrimina muito.
Não se combate
preconceito com mais preconceito. Todo mundo sabe. Inclusive o PT. A diferença
é que o PT faz de conta que isso não tem importância. A importância está em
criticar e tirar proveito político do preconceito dos adversários. E usam essa
incoerência com a maior desfaçatez, para não dizer cara de pau. É o que está
acontecendo com a superexposição que os petistas estão dando às declarações do
deputado Luis Carlos Heinze (PP-RS), a ponto do presidente da Comissão de
Direitos Humanos da Assembleia Legislativa, Jefferson Fernandes, marcar para o
dia 20, na Esquina Democrática, em Porto Alegre, um ato de protesto, com
direito a projeção de vídeo, em defesa dos índios, quilombolas e gays.
Mesmo que as
declarações de Heinze tenham sido discriminatórias – ele disse publicamente que
não foi essa a sua intenção – o protesto de Jefferson Fernandes é demasiado.
Não há justificativa para tanto. Isso não foi sequer pensado quando o deputado
Marco Feliciano (PSC-SP) assumiu a presidência da Comissão de Direitos Humanos
da Câmara dos Deputados. Mas é ano eleitoral e o PT, nesses casos, não tem
nenhum escrúpulo em chutar as canelas dos partidos rivais. Cada um faz política
como deseja, mas até na política é preciso ter ética e, principalmente
coerência. Sob pena de estar desprezando a memória e a capacidade intelectual do
eleitor.
Esse PT que chama
Heinze e seus companheiros de partido de algozes dos pequenos produtores é o
mesmo do governador Tarso Genro, o primeiro a subir nas colheitadeiras dos
grandes produtores rurais nas solenidades que marcam o início da colheita da
safra gaúcha de grãos. Se os pequenos produtores tem seu valor (e tem), pois
são eles que abastecem a mesa dos gaúchos com produtos orgânicos, em sua
maioria hortifrutigranjeiros, os produtores de maior porte também são
imprescindíveis, pois são eles os responsáveis pela produção dos produtos
agrícolas que mantém a economia gaúcha num patamar suportável. Enfim, ambos os
segmentos são importantes.
Mas o PT, tal qual
uma sanguessuga, nega a importância da vítima para a sua sobrevivência
política. É o mundo do faz de conta petista. Quando são os seus que estão na
mira da opinião pública, como no caso dos mensaleiros, se fazem de vítimas,
negam os fatos e até mesmo organizam vaquinhas para arrecadar dinheiro para
pagar a multa estabelecida pela justiça aos companheiros condenados e presos.
Mas me digam: isso não é uma discriminação contra os brasileiros honestos? No
caso anterior, quando defendem apenas o pequeno produtor não estão desdenhando
(palavra que ameniza o termo discriminação) os outros produtores?
Mas que justiça
petista é essa que só tem um lado? Que coerência é essa que só vale para si e
para os seus? Agora mesmo, por ocasião do anúncio da criação da CPI da CEEE,
criada pelo agravamento do fornecimento de energia elétrica no Rio Grande do
Sul, cuja motivação se deu a partir dos fatos denunciados pela Operação
Kilowatt, ocorridos durante o governo Tarso, o PT faz questão de apoiar a
iniciativa sob o argumento de que nada tem a perder. Pode ser, mas tem muito a
explicar. E como é de sua praxe, já trata de querer desviar o foco, trazendo o
debate para os governos que o antecederam. “Temos que investigar desde a época
do governo Britto”, dizem. Pois que investiguem, mas que não fujam das suas
responsabilidades.
Até quando o PT acha
que vai conseguir enganar os gaúchos e os brasileiros? Quanto tempo ainda irá demorar
para que caia a máscara do PT e seja mostrado a sua verdadeira face? Mas estas
são questões que certamente não serão mostradas no vídeo do deputado Jefferson
Fernandes.

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