terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

Não subestimem a Brigada Militar.




Segurança pública é coisa séria. Lida com a vida das pessoas. Com o zelo do patrimônio de terceiros, construído com o suor do seu trabalho. Por isso essa atividade tem que contar com profissionais competentes, bem treinados e com uma conduta pessoal irretocável. É por isso que a Brigada Militar, ao longo dos seus 176 anos de existência, consolidou uma imagem positiva diante da sociedade gaúcha. Quem não se recorda dos antigos Pedro e Paulo, considerados os amigos da comunidade. As pessoas respeitavam, confiavam e admiravam o trabalho desenvolvido pelos brigadianos(as). Qual era o segredo disso tudo? Um treinamento militarizado baseado na disciplina, hierarquia e foco no interesse público. Uma fórmula de sucesso que não poderia ser contaminada, sob pena de corroer as entranhas da corporação.

Pois é isso que está acontecendo. Aliás, se repetindo. A primeira vez que houve uma tentativa de partidarizar a Brigada, introduzindo o ingrediente político como o principal elemento da atuação da instituição foi o governador Olívio Dutra. E deu no que deu. Oficiais à paisana jogando coquetéis molotov no relógio dos 500 anos do descobrimento do Brasil. Quebra da hierarquia, quando uma escrivã de polícia ligada ao MST passou a mandar mais que o secretário de segurança da época, José Paulo Bisol. E outros absurdos mais.

Uma década após a superação desse que foi considerado um momento trágico da exitosa biografia da Brigada Militar, novamente durante um governo do PT, a história se repete. Agravada. A ordem agora é não se intrometer nos protestos das ruas. “Temos que colocar a segurança física das pessoas acima da defesa do patrimônio”, determinou o governador Tarso Genro. Assim, a qualificada e bem treinada tropa de brigadianos passou a ter uma ação contemplativa e não mais preventiva ou combativa. E isso só fez aumentar a violência dos protestos e a sensação de insegurança da população. Ah, e a ousadia dos bandidos, que agora se encorajaram na execução de seus crimes, praticando assaltos a qualquer hora do dia e de forma cada vez mais agressiva, a ponto de usarem bananas de dinamite como “material de trabalho”.

O resultado dessa nova filosofia de segurança pública é a existência de uma tropa com baixa autoestima. Isso, aliado aos baixos salários da categoria e a adoção de critérios políticos para o crescimento na carreira, tem gerado um sentimento de insatisfação no mundo brigadiano. Como a disciplina ainda perdura, essa inconformidade ainda se mantém silenciosa. Mas tal qual um vulcão prestes a entrar em erupção, “a lava fermenta nas entranhas” da instituição. 

No que isso vai resultar não é difícil de prever. Na época de Olívio a corporação votou maciçamente contra o então candidato petista, Tarso Genro. A tendência é que isso se repita na eleição deste ano. O incêndio de dez viaturas ocorrido na última madrugada, dentro de um quartel da Brigada, é um forte indicativo de que a tendência tem tudo para se tornar realidade. Aliás, não foi a primeira vez que isso aconteceu no governo Tarso. No ano passado duas viaturas da BM foram incendiadas no pátio da secretaria estadual da Segurança.

Que o final dessa história seja feliz, com o bem se sobrepondo ao mal. Para a felicidade geral dos gaúchos e para o fortalecimento da briosa Brigada Militar.

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