Incompetência ou irracionalidade?
O título desse
artigo não deixa dúvidas sobre a causa da decisão tomada pelo presidente da
EPTC, Vanderlei Cappellari, de excluir do edital para o transporte coletivo de
Porto Alegre a exigência de que todos os ônibus teriam que ter ar-condicionado.
E a motivação para a ideia de jerico, tomada em meio ao verão mais escaldante
dos últimos setenta anos, foi a de baratear a futura tarifa em dez centavos.
Dez centavos para ter o conforto de andar, por vezes mais de uma hora, num
veículo superlotado. É ou não é digno do prêmio besta do ano?
Ora, como alguém que
deveria estimular o uso do transporte coletivo, numa cidade saturada de
automóveis, pode restringir um conforto capaz de influenciar os porto-alegrenses
a utilizá-lo? E por míseros dez centavos. E ele, com a fatiota de paladino da
mesquinhez, ainda têm a ousadia de dizer chegou à conclusão de que a comunidade
quer priorizar a tarifa mais baixa, daí a extinção do ar-condicionado. Como
assim? A população foi consultada? Não me lembro? Por isso aposto no achismo e não na convicção.
Trata-se de piorar
um serviço que já conta com 36% da frota (1,7 mil coletivos) com ar-condicionado
instalado. Ou seja, quando um desses ônibus precisar de substituição ele será
trocado por outro sem ar-condicionado. Maravilha, não? Isso é o que podemos
chamar de ideia brilhante! E o sabe-tudo da EPTC complementa: “O
ar-condicionado aumenta em 25% o gasto com óleo diesel e necessita de
manutenção permanente”. Então tá. E para ele isso só deve ocorrer no Rio Grande
do Sul. Tá certo, para ele o cidadão que anda de ônibus não quer ter conforto.
Seria bom ele
perguntar a opinião da Dilma, que não só oportuniza a compra da casa própria
como financia, a juros baixos, a compra de móveis e eletrodomésticos, dentre
eles o aparelho de ar-condicionado. Para a felicidade e satisfação da nova
classe média. Na contramão, a tese de Cappellari para o transporte coletivo deveria
gerar uma espécie de programa popular intitulado “Meu suor, Minha Vida”.
Talvez o presidente
da EPTC não tenha pensado na possibilidade de usar a eficiência e a boa gestão
para baratear as tarifas. Uma planilha de custos bem elaborada, com pitadas de
justiça social, seria bem mais cidadã do que a retirada dos aparelhos de
ar-condicionado. Mas isso seria pedir demais. Isto me leva a pensar em como serão
os vagões do futuro metrô da Capital. Não terão ar-condicionado, com toda a
certeza. Bem, mais isso é coisa prá muito depois. Ainda bem, pois assim temos a
chance de não ter mais os especialistas de Fortunati na condução da circulação viária
de Porto Alegre.

Nenhum comentário:
Postar um comentário