terça-feira, 10 de dezembro de 2013

Homo sapiens ou homo violentus?



Desde que o ser humano desenvolveu a sua intelectualidade uma dúvida permanece sem resposta: qual a origem do mal. Por que instintos selvagem, como a agressividade, ainda são latentes no comportamento humano? Por certo um dos fatores está no DNA humano, resultante do tempo em que agia tal qual um animal irracional. Mas, sendo um ente social, porque seu comportamento deveria ser orientado tão somente pelo seu passado genético? E o avanço e o desenvolvimento civilizatório? Para que serve? Ou será que depois do “big bang” tecnológico a moralidade humana regrediu?

Faço essa analogia em cima das bárbaras agressões envolvendo as torcidas organizadas (?) do Atlético-PR e do Vasco, no último final de semana. Trata-se da repetição de episódios semelhantes que, infelizmente, se perpetuam no futebol brasileiro. Mas será este um problema que envolve apenas o esporte? Qual a diferença entre um hooligan (vândalo, em inglês) e um black bloc (de afinidade anarquista)? 

Resguardados os impulsos motivacionais, a estratégia é a mesma: o uso da violência como forma de manifestação. As vezes com motivação difusa. E é essa liberdade de agir primeiro para pensar depois que está fazendo com que o homo sapiens esteja regredindo na sua escala evolutiva. Muita tecnologia gerando pouca civilidade. E o começo da recuperação dessa involução passa, necessariamente, por uma busca das motivações. Esforço esse que não depende apenas das autoridades ou dos intelectuais. Depende fundamentalmente da sociedade. 

Como considerar natural, por exemplo, a violência física e moral contra um ser humano? Ou a promiscuidade fortuita, apresentada diariamente pelas emissoras de televisão? Como os pais podem considerar normal a filha adolescente trazer o namorado para dormir no quarto dela? E permitir que ela(e) passe mais tempo no computador ou na frente do vídeo game (participando de jogos violentos), do que estudando? Ou que chegue em casa embriagado ou sob o efeito de drogas?

Claro que essa mudança na família não é recente. Já começou faz algumas décadas. Mas isso não justifica a neutralidade adotada por grande parte dos pais. Está faltando diálogo. E, especialmente, limites. Claro que existe contaminação nas relações interpessoais. O bullying é um exemplo disso. Mas uma família bem estruturada gera filhos responsáveis. E filhos bem educados não são violentos. 

Faça a sua parte. Gere seres humanos e não bestas. E claro, cobre dos governos ações indispensáveis. Podem ser aquelas prometidas nas campanhas eleitorais e que foram deixadas de lado após a eleição. Exija providências do presidente do seu clube para que as tais torcidas organizadas sejam realmente torcidas e não gangues. Não vote mais no político que se mostrou corrupto. Enfim, use o seu cérebro para o bem. Enquanto ainda há tempo.

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