As diferenças entre Dilma e Tarso
e entre eles e seus governos.
Os protestos de rua realizados em junho serviram para mostrar o descontentamento da população com a falta de gestão pública, que possibilitasse a oferta de serviços de qualidade, principalmente nas áreas da saúde, educação e segurança. E não foi por falta de aviso.
As grades, alarmes, vigilantes privados, cães, câmeras de vídeo, colocados nas residências, havia tempo, escancaram o medo da população com o criminalidade crescente e a impotência dos governantes em combatê-la.
Na saúde, as enormes filas do SUS para conseguir uma consulta e a demora para receber atendimento médico ou uma cirurgia, fizeram aumentar a procura pelos planos privados de saúde. A ponto deles não estarem mais conseguindo dar conta da demanda. Ou seja, já estão com problemas de atendimento dos segurados.
Da mesma forma, o ensino público, por diversas razões, desde a má remuneração dos professores, com o consequente declínio da qualidade do aprendizado e a realização de greves, até as más condições das instalações e falta de equipamentos, provocaram a migração (de quem pode), cada vez maior, para o ensino privado.
Engraçado é que justamente nesse momento, o governo federal resolve medir o nível de conhecimento dos alunos com as provas do ENEM. Talvez essa perda de qualidade do ensino público seja a justificativa mais plausível para a adoção do sistema de cotas. Eu disse talvez!
É por isso que as pesquisas mostram disparidade entre a imagem de Dilma e de Tarso e a aprovação de seus governos. Populistas de carteirinha e experientes na arte de se comunicar (com assessoramento qualificado), Dilma e Tarso circulam lépidos e faceiros pelo Brasil, pelo Rio Grande do Sul e pelo exterior. Não recusam convite prá nada. Sempre sorridentes e portadores de boas-novas. Mesmo que fique só na promessa.
Já o mesmo não ocorre quanto a aceitação de suas gestões. E os motivos começam pelos citados acima. Carência nas áreas da saúde, educação e segurança. Principalmente. A questão é: só carisma ganha eleição? Se fosse Lula até arriscaria um sim. Mas em se tratando de Dilma e Tarso tenho sérias dúvidas.
O único atenuante para Dilma, em relação a Tarso, é que ela de um jeito ou de outro, está cumprindo seus compromissos. Talvez por que os cofres da União estejam abarrotados. O que não ocorre com Tarso. Tanto no que se refere as promessas como aos recursos. Outro diferencial é a qualidade dos candidatos concorrentes, de oposição. No caso de Dilma, pelo menos até agora, ninguém conseguiu ameaçá-la. Com Tarso, não. As pesquisas apresentam a senadora Ana Amélia como forte candidata. Além disso, a base partidária que lhe assegurou a vitória no primeiro turno, na eleição de 2010, já sofreu desfalque e o mesmo deve ocorrer com a sua base governista, com a previsível saída do PDT.
Por tudo isso é que a eleição de 2014 se apresenta imponderável. As vozes das ruas, hoje silenciadas, poderão enfraquecer a reeleição de Dilma? O fraco desempenho gerencial do governo Tarso poderá impedir a sua reeleição? O resultado saberemos em outubro do ano que vem, quando as urnas forem abertas. Ou pelas prévias que as pesquisas continuarão nos oferecendo. Tchan, tchan, tchan, tchan.

Nenhum comentário:
Postar um comentário