As razões de Tarso para
não concorrer à reeleição.
Se forem verdadeiras as condições exigidas pelo governador Tarso Genro
(a dúvida fica por conta do seu hábito de não cumprir com o que diz) de que se
não tiver a primazia do palanque de Dilma no RS e se a renovação da dívida do
Estado para com a União não for aprovada pelo Congresso Nacional, não irá
concorrer à reeleição, está confirmado o seu desinteresse pela permanência à
frente do Piratini. E mais, que não acredita que o Rio Grande do Sul, por si
só, tenha condições de superar a grave crise financeira que está impedindo o
seu desenvolvimento.
O que Tarso não diz é que nada disso foi considerado na campanha eleitoral
de 2010, que lhe deu a inédita vitória em primeiro turno. Naquela ocasião a
situação do erário público estadual já era crítica. Da mesma forma, a julgar
pela propaganda governamental, ele não reconhece sua culpa no agravamento das
finanças públicas, fruto do descumprimento da lei que obriga o pagamento do
piso do magistério e os volumosos saques feitos no caixa único do Estado e dos
depósitos judiciais. Isso sem falar nas
sedutoras promessas de campanha que nem de longe foram atendidas.
Mas, inicialmente, é preciso duvidar da sinceridade do governador. Senão
vejamos: Como alguém que buscou obstinadamente ser governador pode,
repentinamente, fazer exigências para tentar permanecer no cargo. Será que
pensa que os gaúchos esqueceram que ele impediu (por pressão interna no PT) que
o então governador Olívio Dutra concorresse à reeleição? Ou que ele tenha usado
os cargos ocupados no governo Lula como palanque para obter vantagens na
concorrência pela vaga de governador do RS?
Pois é! De uma hora para outra esse ideal de vida parece ter
arrefecido, a tal ponto dele vislumbrar a possibilidade de abdicar do poder
estadual. Dessa forma, as exigências realizadas se apresentam como uma
imposição para o “sacrifício” da reeleição. Mas Tarso sabe, por que é
experiente em política, que é praticamente impossível que Dilma venha a ter
apenas um palanque no Rio Grande do Sul. Seria uma imensa incoerência e uma
grande ingratidão. Claro, pois se outros partidos além do PT serviram como base
de sustentação (inclusive ocupando cargos) do seu governo, como Dilma poderá
lhes dar às costas na hora (da eleição) que eles mais precisam de apoio. Se ela
fizer isto estará dando um tiro no próprio pé. O esperado é que se apoie na
neutralidade.
O mesmo vale para a exigência da renegociação da dívida. Ora, precisou
entrar no seu terceiro ano do seu mandato (casualmente véspera da eleição) para
que Tarso calçasse definitivamente às chuteiras e entrasse em campo. Antes, o
assunto sequer aparecia como prioridade. Pelo contrário, a propaganda
governista dizia que tudo estava bem no RS. Bastou às pesquisas mostrarem que a
coisa não era bem assim, para que o governador, de repente, descobrisse uma
realidade que todos os gaúchos já conheciam. A melhoria do estado estava
restrita apenas ao discurso governista.
De tudo o que disse Tarso, no seu pronunciamento de exigências, uma
coisa não pode ser contestada. O próximo governador terá imensas dificuldades.
Por isso terá que ser um estadista. Alguém com bom trânsito político com todas
as siglas, e não apenas com a base governista, que lhe dê condições de firmar
um pacto pela superação dos problemas estruturais do Rio Grande, e que seja um
eficiente gestor, para oferecer projetos viáveis para o desenvolvimento do
estado e para tirar o máximo da máquina pública disponível. E, principalmente,
cumprir com a palavra empenhada. E não gastar mais do que arrecada.
Visto sob essa ótica, não há como não concluir que Tarso estava sendo
sincero quando declarou que poderia desistir da reeleição. Mas não somente
pelas dificuldades externas, mas especialmente pelos seus próprios erros. Quatro
anos de governo é um tempo curto para solucionar os graves problemas do Rio
Grande, mas todos sabem que a escolha do caminho certo é o primeiro passo para
se chegar ao destino que se deseja. E o governo Tarso, até o momento, não
conseguir achar o Norte necessário.
Para não deixar
de falar no aspecto político, que possa estar
influenciando na possível tomada de decisão de Tarso, é preciso lembrar os
equívocos realizados na interface do PT com o PSB e com o PDT (e pelas
reclamações recentes para que até mesmo com o PTB), que integram a base do
governo Tarso. A saída do PSB não se deu apenas pelo apoio à candidatura de
Eduardo Campos. Envolveu também atritos constantes de relacionamento, especialmente
com o presidente estadual do PSB, deputado Beto Albuquerque, quando ocupou o
cargo de secretário estadual de infraestrutura e logística. No caso do PDT, ao
que parece, a divergência está restrita a decisão de o partido concorrer com
candidatura própria, tese que teve aceitação pela maioria do diretório
estadual. O certo é que o PT terá dificuldade na construção de alianças.
Outro fator que
talvez esteja influenciando na futura decisão de Tarso é a posição dada pelas
pesquisas eleitorais à senadora Ana Amélia Lemos, onde ela aparece como uma
candidata com reais condições de vitória. No mínimo de competir de igual para
igual, com a vantagem de não sofrer desgaste por ser governo, como ocorre com
Tarso.
Por tudo isso é
que, desta vez, o alerta dado por Tarso, de que talvez não seja candidato à reeleição,
deve ser levado a sério. O cenário em que a declaração foi feita serve muito
bem de moldura para o quadro político de 2014. É ver para crer.

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