Copa no Brasil pode ser gol contra.
O Brasil que os gringos conhecem é o do
samba e do futebol. Da mulata e do Pelé. Da Amazônia. E fiquemos por ai. Por
isso não adianta criar muitas expectativas sobre os reflexos culturais e
financeiros, de médio e longo prazo, que a Copa do Mundo de 2014 possa trazer.
Pelo contrário. Corremos o risco de mostrar o lado feio do Brasil. Até então
desconhecido internacionalmente. A não ser quando ocorre alguma chacina no RJ
ou em SP. Nas favelas e nos presídios.
E é ai que mora o perigo. Os
estrangeiros vão acabar tendo que lidar com nosso pseudo desenvolvimento. Vão
encarar a nossa realidade até então só conhecida pelo povo tupiniquim. Terão
suas carteiras, máquinas fotográficas, relógios, etc, furtadas em plena luz do
dia. Se locarem algum automóvel terão que enfrentar os transloucados
flanelinhas. E os pedintes de sinaleira. Isso se não ficarem ilhados em algum
alagamento imprevisto, resultante de alguma chuva mais forte. Ou presos em
algum engarrafamento monumental.
Se conseguirem se orientar pelas ruas e
avenidas sem identificação, e transporem o sem número de obras viárias
inacabadas, conseguindo finalmente chegar ao estádio, precisarão usar seus
dólares para comprar os inflacionados hot-dogs, coca-cola e budweiser. Isso sem
falar nos caríssimos ingressos vendidos por cambistas inescrupulosos, caso não
tenha feito compra antecipada.
Dos males o menor, caso permaneça
apenas numa cidade sede. Se precisar se deslocar para outra, via aérea, terá
que enfrentar o caos do sistema aeroportuário brasileiro. E caso consiga chegar
ao seu destino, vai cair nas mãos dos taxistas mal intencionados, ávidos por
ganhar um extra durante a Copa. Pelo menos conhecerão um pouco da cidade,
tamanho o número de voltas desnecessárias que o motorista irá fazer. Caso optem
pelo transporte coletivo, ai sim que a coisa piora. Ônibus que não param no
ponto. Metrô superlotado.
Mas nem tudo é o caos. Os turistas de
ocasião poderão desfrutar da nossa gastronomia nacional. Pois é! Mas aí terão
que enfrentar a desqualificação dos serviços brasileiros. Cardápios sem
alternativa linguística. Garçons despreparados. O mesmo vale para o atendimento
prestado pelo comércio. Menos mal que, ao que parece, não enfrentarão problemas
com hospedagem. Tomara.
Em compensação à todo esse
sacrifício os estrangeiros de passagem terão a oportunidade de conviver com um
povo (pelo menos a maioria) hospitaleiro e feliz. Com uma natureza exuberante. Com uma cultura
diversificada. E com uma rede futebolística experiente. Tomara que isso seja
suficiente para que levem uma boa imagem do Brasil. E que isso resulte na vinda
de novos turistas. Oremos.

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