domingo, 4 de novembro de 2012


O veraneio a moda gaúcha.



Começou. Estamos nos aproximando do final do ano e já se intensifica o vai-e-vem de veículos nas estradas que conduzem as praias do litoral do Rio Grande do Sul, o que significa a reedição da tradicional epopeia migratória dos sul-rio-grandenses.

Confesso que nunca entendi bem essa fixação dos gaúchos  pelo mar. Claro que o motivo maior é o calor escaldante e sufocante do verão aqui dos pampas. Mas cá entre nós, mesmo a beira-mar o calor também é grande. E nem mesmo a água do mar serve de incentivo maior para a busca do litoral, haja vista que na imensa maioria do tempo ela é fria e de tonalidade marrom, dando-lhe um aspecto de suja.

Da mesma forma a areia da beira-mar nada tem nada de atrativo. Grossa e na maioria das vezes entremeada por entulhos provocados por pessoas mal educadas, a extensa faixa de terra de nosso litoral só serve mesmo como passarela de “beldades” e palco para bronzeamento. Ah, e para a prática de esportes inadequados a áreas ocupadas por dezenas, centenas e às vezes milhares de turistas de ocasião, como futebol, vôlei, frescobol (que nome esse) e até mesmo bocha. Mas também não dá para reclamar disso, afinal, são tão poucas as áreas de lazer de nossas praias.

E qual é a opção senão a beira-mar? Muitas. Circular por ruas esburacadas e congestionadas, que depois de uma chuva ficam alagadas. Ou caminhar por calçadas também esburacadas e cobertas de lixo e mato. Ou frequentar restaurantes, shoppings e outros estabelecimentos comerciais superlotados. Neste caso é preciso estar preparado para duas coisas: a falta de estacionamento e a institucionalização da fila obrigatória. Superados estes obstáculos, quando finalmente o “cristão” consegue um lugar à mesa, passa a ser vítima de garçons e atendentes despreparados para a função e dos preços abusivos.

Mas há a alternativa de ficar em casa, curtindo a família. Jogando canastra, dominó, videogame ou outro jogo qualquer. Assando um churrasquinho. Descansando numa rede.  Ou jogando conversa fora. Maravilha não? Há controvérsias. Se a família for numerosa provavelmente terá problemas com a rede de esgoto. E se a praia estiver muito cheia de gente poderão ocorrer apagões energéticos eventuais. E até mesmo falta d’água. E não raros problemas com a coleta do lixo.

Maravilha não? E pensar que os veranistas tem tudo isso (minimizados é claro) nas suas cidades de origem. E que alguns mantêm uma casa ou apartamento no litoral apenas para o “desfrute” de algumas semanas/ano ou no máximo 30 dias de férias. No caso de donas de casa ou aposentados, três meses. É por isso que tenho dificuldade de entender essa preferência litorânea dos gaúchos. Só se for pela aventura. Bem, ai vale tudo. Até mesmo passar trabalho e sofrer.

Mas se você acha que estou exagerando e desconhecendo a importância do turismo para a economia do estado e da região litorânea fica as seguintes perguntas: Por que estes problemas citados ainda perduram? Por que o poder público ou a iniciativa privada ainda não investiram como deveriam na infraestrutura da região litorânea? Por que o litoral gaúcho ainda não se  transformou num atrativo turístico para os 365 dias do ano?

Para não dizer que quase nada foi feito, a exceção fica por conta da construção civil, que prepara incessantemente o terreno para a vinda de mais veranistas sofredores.  Mas a situação é cada vez mais difícil, pois  nem mesmo vendo a Rota do Mar e a BR-101 servindo de corredores de passagem para as praias de Santa Catarina as coisas melhoram.  Ah, e tem as praças de pedágio localizadas nas vias de acesso ao litoral. Estas sim, funcionando maravilhosamente bem. Para as concessionárias.

Sendo assim, só me resta desejar um bom veraneio aos turistas gaúchos. Aproveitem bem o nosso litoral, se puderem. Estarei torcendo por vocês de algum paraíso turístico do nordeste. 

Imagem: zerohora.clicrbs.com.br

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