sábado, 14 de julho de 2012

O imprescindível corpo-a-corpo


Uma das vantagens das campanhas eleitorais é a circulação dos candidatos pelos bairros das cidades. É a grande oportunidade de eles verem de perto os problemas que normalmente desconhecem ou não tem noção da sua gravidade. Além disso, é a chance que o eleitor tem de conhecer pessoalmente os candidatos e de exporem suas aflições cotidianas. Pode ser até que não sejam atendidos, mas dá a eles a sensação de que fizeram algo para melhorar a sua vida e a vida dos seus familiares e da sua comunidade.
É por isso que, mesmo em época de Internet, nada substitui o contato direto do candidato com o eleitor. Dizem que governar é cuidar das pessoas. E o corpo-a-corpo da campanha permite uma comunicação tátil, visual e sensitiva que a tecnologia não consegue proporcionar. Dá uma sensação clara de que as pessoas são importantes. Pena que este hábito saudável deixe de ser praticado depois das eleições, quando os eleitos se aquartelam em Palácios e Câmaras Municipais.  É como se o povo fosse convidado para a festa (governar) mas depois não pudesse participar.
Lamentavelmente as pessoas acabaram por se conformar com esta exclusão. Não deveriam. Por isso, um aperto de mão, um abraço ou um sorriso, durante o andar dos candidatos pelas ruas da cidade, pode ser a única contrapartida que o eleitor receba por depositar na urna o voto da esperança de uma vida melhor. Se algum candidato eleito fizer mais do que isto certamente terá as portas das casas dos eleitores permanentemente abertas, independente de ser ou não período eleitoral. Ouvir as pessoas, mais do que um exercício de cidadania, é demonstrar sabedoria.

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