A indústria da obesidade.
Vocês já reparam no crescente aparecimento de produtos dietéticos nas prateleiras dos supermercados? Repararam também no aumento do número de reportagens na mídia formal e informal sobre a importância da alimentação saudável e da prática da atividade física? Pois é! E se deram conta de que isto acontece paralelamente ao crescimento geométrico do número de obesos? Há! Então essa é a explicação pela proliferação repentina de produtos light e diet? Sim e não. Sim, porque a obesidade já é uma epidemia de saúde pública (você não sabia que obesidade é uma doença?). Não, porque o surgimento dos produtos dietéticos é apenas uma consequência do motivo maior: os elevados gastos dos governos com o tratamento das doenças geradas pela obesidade (de origem cardiológica e circulatória, artrites e artroses, e muitas outras). Reduzir estes gastos passou a ser prioridade para o poder público.
Bem, antes tarde do que nunca. Temos que aproveitar esta onda boa para adquirir hábitos mais saudáveis. Afinal, se houve aumento da perspectiva de vida das pessoas, nada mais justo do que chegar na velhice com qualidade de vida. Agora, se o governo quer mesmo economizar em Saúde, precisa fazer muito mais. A começar por levar informação às famílias sobre os males provocados pela má alimentação e pelo sedentarismo. Claro, pois o que podemos esperar de uma geração alimentada pelos fast-foods e aficionadas pela Internet e vídeo-games?
Daí a importância de incorporar a alimentação saudável no cardápio e ao currículo escolar. A escola é a incubadora das boas atitudes. Cabe a ela, portanto, conscientizar os jovens da importância da prática do exercício físico. Outra ação governamental a ser tomada diz respeito ao incentivo da produção e o barateamento dos produtos light e diet e, especialmente aqueles produzidos sem a adição de lactose e glúten, hoje praticamente inacessíveis a maioria das pessoas. Mas acima de tudo, ao poder público cabe impedir que as indústrias alimentícia e farmacêutica, interessadas mais no consumo dos alimentos tradicionais e na compra de medicamentos do que na saúde da população, exerçam seu poder de sedução financeira nas diversas instâncias da atividade pública.
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