Catarina, a Vênus brasileira.
E o Brasil mais uma vez consegue
projeção na mídia mundial pela sua excentricidade comportamental humana. Desta
feita, o país do carnaval recebe a luminosidade dos holofotes da imprensa
internacional por causa de uma jovem catarinense que decidiu leiloar a sua
virgindade. Trata-se de Ingrid Migliorini, moradora de Itapema, cidade do
litoral de Santa Catarina. Talvez pela motivação de seu estado de origem ela
adotou o codinome Catarina, para fins de identificação no site Austrália
Virgins Wanted, responsável pelo leilão. Com apenas 20 anos, “Catarina”
resolveu abandonar os estudos para buscar uma maneira mais rentável e menos trabalhosa de sobrevivência.
Foi assim que, espertamente (sim,
pois apesar de virgem ela comprova que não tem nada de ingênua), decidiu usar o seu hímen como fundo de aplicação financeira. E como
nesse mundo tem louco e tarado para tudo, conseguiu alcançar o seu objetivo. Um milionário
japonês, de nome Natsu, ofereceu US$ 780 mil, o que corresponde a R$ 1,6 milhão
(equivalente ao prêmio de um BBB), ganhou o leilão e o direito, após concordar
com as exigências da virgem catarinense, de transar com ela durante uma hora.
Talvez para tentar amenizar o impacto de sua decisão – que se confunde em muito
com o ato da prostituição – Catarina promete utilizar a grana para realizar o
sonho de se tornar médica. Tenho minhas dúvidas se dá para levar a declaração a sério.
Sem entrar no mérito (trata-se de
uma decisão pessoal) da atitude da Ingred/Catarina, e sem querer ser moralista,
fico preocupado com o reflexo que isso possa causar a outras jovens virgens (do
Brasil e de outros países). Se a moda pegar, vender a virgindade passará a ser
um negócio atrativo e de rentabilidade quase que insuperável. A busca de
notoriedade e de subsistência econômica pelo uso do corpo, a meu ver, depõe
contra toda a história de luta das mulheres contra o machismo, a discriminação
e a igualdade entre homens e mulheres. E pensar que a jovem catarinense está
fazendo toda essa transação com a complacência de outra mulher. Sua mãe.
Fico a me perguntar se, nessa
hora, o governo brasileiro não deveria meter a sua colher no assunto. Afinal, temos
uma mulher na presidência da República e, não bastasse isso, Dilma tem agregado
ao seu gabinete a Secretaria de Direitos Humanos, coordenada pela ministra gaúcha,
Maria do Rosário. Da mesma forma, considero oportuna e necessária uma
manifestação da justiça brasileira, em especial do Ministério Público. Isso sem
falar nas ONGs e outras entidades da sociedade civil, que sempre tem se mostrado zelosas
na defesa das causas dos homossexuais, presidiários, etc.
Sei que muitos defendem a tese de
que o corpo de Ingred/Catarina pertence a ela. E que ela pode fazer com ele o
que bem entender. Pode. Só não pode usá-lo como propaganda negativa, afetando
outras pessoas. E li que ela já está até cobrando cachê para dar entrevistas. Prefiro
outro tipo de uso. Como a da pequena paquistanesa Malala, que luta pela vida
num hospital londrino após ter sido atingida por tiros dados por um fanático
religioso do Taliban, pelo simples fato de lutar pelo direito das mulheres do seu
país frequentarem a escola.
Esse tipo de comportamento é que
fica como bom exemplo. No Paquistão e no mundo todo. O exemplo dado pela quase
ex-virgem Catarina, ao contrário, me envergonha enquanto ser humano e
brasileiro. Nossa Catarina, tal qual a estátua da Vênus de Millo, vai entrar para a história por ter seu corpo faltando um pedaço.

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