terça-feira, 23 de outubro de 2012


A eleição de 2014 já começou.



Tal qual os clubes de futebol e as escolas de samba que tão logo terminam seus campeonatos e desfiles já iniciam os preparativos para a próxima competição e para o próximo carnaval, também os partidos políticos no encerramento das eleições já começam a planejar o próximo pleito. É o que se constata, por exemplo, no Rio Grande do Sul. As urnas das eleições municipais ainda nem esfriaram (ainda falta a realização do segundo turno em Pelotas) e os partidos já começam a pensar nas eleições de 2014. Pelo menos é o que se percebe nos primeiros movimentos do tabuleiro político gaúcho. Se não vejamos.


Tarso Genro, que certamente irá concorrer à reeleição, já fala em mudanças no secretariado. A desculpa para o rearranjo administrativo é a readequação de forças devido ao resultado das eleições municipais. Mas não é. O foco é a eleição estadual. Sabedor da importância do PDT para a sua pretensão, Tarso dá indícios de que irá oferecer a vaga de vice para os trabalhistas. Mas como ficaria o PSB, atual detentor do cargo? Tudo indica que ocuparia a vaga para o senado na chapa majoritária encabeçada pelo petista.

Resta saber se o PDT irá se contentar com a vice, pois já há quem, entusiasmado com a conquista das prefeituras de Porto Alegre e Caxias do Sul, defenda a candidatura própria. Mas quem seria o candidato? Quase às vésperas de 2014, haveria tempo suficiente para o partido construir um nome forte o suficiente para tirar o PT do Piratini? Seria Fortunati? Sei não, não acredito. Talvez em 2018.

E quanto ao PSB? Beto Albuquerque pensaria novamente num vôo solo? Tudo indica que seu desejo seria a disputa da vaga para o senado.  Em seu benefício está a ocupação daquela que é a área com mais recursos e maior visibilidade do governo Tarso, a Secretaria de Infraestrutura. Se a intenção de Albuquerque é mesmo a vaga de senador, acredito que as chances de uma nova aliança estariam bem encaminhadas. Resta saber o futuro do atual vice de Tarso, Beto Grill.

E Manuela, aceitaria a missão de representar o PCdoB numa candidatura própria? Acredito que não. Mas tenho dúvidas. Teria que, mais uma vez, desfazer as críticas de que lhe falta experiência administrativa. A menos que queira usar a eleição estadual como trampolim para a de 2016, quando tentaria, mais uma vez, a conquista da prefeitura de Porto Alegre.

E o PSol e o PSTU? Ah, esses vão continuar buscando o crescimento e fortalecimento das suas siglas, apresentando candidato próprio e com discurso de extrema esquerda. Mas quem seriam seus candidatos? No PSol aposto em Roberto Robaina e Luciana Genro (se tiver a ousadia de enfrentar o pai). Mas não descarto Fúlvio Petracco. Já no PSTU os nomes mais conhecidos são Júlio Flores, Érico Corrêa e Vera Guasso.

Mas e os dois maiores partidos em termos de prefeituras e vereadores, o PP e o PMDB? Para esses eu não titubeio. Terão candidaturas próprias. Porque isso é básico para as suas sobrevivências. Para eles, a busca do poder não é uma alternativa, é uma obrigação. E, no caso do PMDB, abundam candidatos. Arrisco alguns nomes e acredito que o candidato sairá dessa lista. São eles: José Ivo Sartori, Ibsen Pinheiro, José Fogaça e Germano Rigotto. Quanto à Rigotto, acredito que sua intenção será concorrer ao senado. Mas e o Pedro Simon? Bem, se Simon quiser concorrer a mais um mandato a vaga é dele. Particularmente não acredito nessa possibilidade. Acho que a idade lhe pesa e sua saúde não é mais a mesma. Ai Rigotto entra rachando na disputa pela vaga. Aposto no nome de José Ivo Sartori como candidato preferencial para a vaga de governador. Resta saber se o PMDB vai querer ter dois candidatos caxienses na mesma chapa.

Quanto ao PP não tenho dúvidas. O partido joga todas as suas fichas na senadora Ana Amélia Lemos. A menos que ela não queira. E esse é o maior temor dos progressistas. Há muito tempo – mais de duas décadas – que os progressistas não tinham um nome com o potencial de vitória como o de Ana Amélia. Este será o grande desafio dos progressistas, convencer a senadora a concorrer.  Mas ao mesmo tempo em que acredita nas chances de Ana Amélia, o PP sabe da necessidade de encontrar parceiros para a composição de uma aliança forte. O partido ideal seria o PMDB. Independente de quem ocupasse a cabeça da chapa, a coligação poderia ser considerada "pule de 10" na eleição. Mas não vejo condições para isso. Tanto PP como PMDB querem ser protagonistas. E o PP já está de olho nos erros de Tarso. Constituiu um Grupo de Assessoramento Técnico, coordenado pelo ex-governador Jair Soares, que avalia, permanentemente, o cumprimento das promessas do então candidato Tarso Genro.

E o PSDB, terá candidato próprio? Se dependesse apenas da existência de um nome com boa visibilidade, não. As eleições municipais recém-findas, comprovaram que os tucanos, fortes nacionalmente, podem ser considerados um partido nanico no Rio Grande do Sul. Mas, mesmo assim, acredito que terão candidato a governador. Por dois motivos. Por interesse da ex-governadora Yeda Crusius (para aproveitar a campanha para traçar um comparativo entre sua administração e a de Tarso) e do comando nacional do PSDB (que terá candidato à presidência da República, muito provavelmente Aécio Neves). O difícil para o PSDB gaúcho, mais uma vez, será unir o partido internamente e encontrar um nome de consenso.

Sobre o destino do novato PSD, tudo vai depender do seu “dono” e fundador, Gilberto Kassab. Nesse sentido o partido, que ainda busca sua estruturação nacionalmente, poderá ter candidato a governador. Hoje só há um nome de destaque para isto: Danrlei. Tal qual o PSD, o ídolo gremista também engatinha no cenário político do Rio Grande do Sul, razão pela qual, se for candidato, será apenas para cumprir missão.  Creio que o futuro do PSD estará voltado para as eleições proporcionais, daí a possibilidade real do partido integrar apenas uma coligação, sem oferecer candidato à chapa majoritária.

Situação semelhante envolve o PTB e o PPS, que ao meu ver, irão priorizar as eleições proporcionais. 

Quanto às demais siglas, como PRB, PV, PSL, PMN, PCB e outras mais, não acredito na possibilidade de candidaturas próprias. Por vários motivos. O principal deles é a falta de recursos para bancarem uma eleição majoritária. Entrarão no pleito como meros figurantes.

Esta, ao meu ver, é a fotografia do momento da eleição de 2014, que tem todos os ingredientes para ser uma das mais acirradas e emocionantes das últimas décadas. É ver para crer.

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