A boa nova desta eleição foi
o voto consciente do eleitor
A
primeira eleição após a implantação do critério da “ficha limpa” reservou uma
surpresa agradável e otimista. O eleitor votou com critérios. Isto pode ser
observado nas nominatas majoritárias, onde a maioria dos eleitos já contava com
uma boa avaliação da sua administração. Se foi um bom gestor, se prometeu e
cumpriu, teve o apoio do eleitor. Se deixou a desejar, foi cobrado nas urnas.
Porto
Alegre, por exemplo, reconheceu em José Fortunati um prefeito tocador de obras. E
isso já vinha sendo detectado nas pesquisas de avaliação de seu governo. Neles,
o desempenho do prefeito era superior ao do candidato. Bastou a propaganda
eleitoral dar transparência as obras realizadas e em andamento para que este
situação se modificasse favoravelmente para o candidato. E foi essa a vantagem
de Fortunati em relação aos demais candidatos. Claro que o amplo leque de
alianças com partidos de maior estrutura político-partidária ajudou e muito na
sua eleição. E isso se repetiu em outros municípios. Canoas, Santa Maria e
Caxias do Sul, por exemplo.
Mas
se a consciência política do eleitor mostra melhoras, por outro lado não dá prá
dizer que isto basta. Falta ainda a superação de barreiras discriminatórias e
atrasadas, como o preconceito a candidatos (as) jovens e às mulheres.
Outro
desafio a ser superado, com a cobrança dos cidadãos, é o desequilíbrio financeiro,
que impede que candidatos qualificados possam realizar uma campanha com
visibilidade suficiente para terem chances de serem competitivos e se elegerem. Está mais do que na
hora da implantação do financiamento público de campanha. Parte importante da tão
necessária reforma política, que anda a passos de tartaruga no Congresso
Nacional.
Também
a forma pacífica e democrática, com raras exceções, com que os pleitos foram
realizados merece ser realçado. E o elogio serve tanto para os candidatos, como
para as militâncias e para os eleitores.
Mas
a boa nova destas eleições foi realmente a apropriação do pleito pelo
eleitor que, de forma livre e soberana, impôs a sua vontade de maneira
criteriosa e inteligente. E isso terá que ser considerado pelos partidos políticos
que quiserem sobreviver a esta nova realidade, escolhendo melhor as suas
nominatas de candidatos e primando por condutas que valorizem a competência, a
honestidade, a ética e o bem comum.
Um
viva, pois, ao novo eleitor.
Imagem: noticias.terra.com.br

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