A lição de Malala.
Dizer
que a estudante paquistanesa de 14 anos, Malala Yousufzai, está se tornando uma
celebridade mundial por sua luta pelo direito das meninas de seu país terem
acesso à Educação é reduzir demais a importância
dos seus atos. O que a adolescente Malala quer é o direito a liberdade. Coisa
que no Paquistão depende do consentimento do Taliban, um movimento político e
militar conhecido por terem-se feitos portadores do ideal político-religioso de
recuperar todos os principais aspectos do Islã, com o objetivo de criar um
Estado teocrático. A Educação, no caso, seria o instrumento que conduziria os
paquistaneses à liberdade. Em todos os aspectos. Inclusive na igualdade de
direitos entre homens e mulheres.
Lutar
pelos direitos humanos num país onde maridos contrariados desfiguram o rosto de
suas mulheres com ácido deve ser visto como uma luta de todas as gerações de
paquistaneses, crianças, jovens, adultos e idosos. É por isso que não dá para
ver o apoio inglês de prestar atendimento médico à Malala após o atentado
covarde a que ela foi submetida como uma atitude de benevolência. É o mínimo
que a Inglaterra pode fazer para tentar aliviar sua consciência por ter
subjugado durante séculos o povo indiano (hoje paquistanês) através de um impiedoso regime imperialista. E da mesma forma os Estados Unidos, que adotam
a solidariedade à causa da pequena paquistanesa para disfarçar
o domínio econômico e militar que impõe sobre o país que ela vive.
É
obvio que o apoio das grandes nações pela melhoria da qualidade de vida dos
paquistaneses é bem-vindo e deve ser incentivado. Mas é preciso que isto se dê
de maneira prática e objetiva. Se o povo paquistanês clama por respeito aos
direitos humanos, que os países com acento na cúpula da ONU e outras instituições
internacionais incluam o assunto dentre suas prioridades. O que não dá prá
permitir é que transformem Malala Yousufzai numa nova Phan
Thi Kim Phuc,
aquela menina vietnamita que apareceu numa foto mundialmente conhecida, com o
corpo queimado por napalm jogado pelas tropas norte-americanas, e que acabou virando
garota-propaganda de projetos ocidentais voltados à correção de suas próprias
atrocidades.
Que
Malala se recupere e que tenha forças para continuar sua luta para que outras
meninas paquistanesas possam colocar seus uniformes escolares e frequentarem as
aulas de seus colégios. Que possam crescer e serem felizes sem terem seus
rostos desfigurados pelo ácido. Que possam escolher seus destinos através do
voto. E muito mais. Afinal, se é verdade que somos do tamanho dos nossos sonhos,
que o exemplo da menina paquistanesa seja do tamanho da Nanga Parbat, a maior montanha do Paquistão e uma
das dez maiores do mundo. Ela e o seu povo merecem ser felizes. Do seu jeito. E em plena liberdade.
Imagem: centralasiaonline.com

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