segunda-feira, 26 de dezembro de 2016

ESSA VOCÊ NÃO SABIA



PEDIDO PÚBLICO DE DEMISSÃO IMPEDIU QUE EXTINÇÃO DA SECRETARIA
 DE OBRAS FOSSE INCLUÍDO NO PACOTE DE MALDADES DO SARTORI.

Para terem uma ideia da forma nada transparente como foi montado o pacote de maldades que foi recentemente aprovado pela base aliada do governo Sartori na Assembleia Legislativa, um episódio envolvendo a secretaria estadual de Obras quase resultou na exoneração do titular da pasta, o pedetista Gerson Burmann.

Elaborado em segredo pelo núcleo duro do Palácio Piratini, um Petit Comité integrado por pessoas da extrema confiança do governador, o pacote, composto por vários projetos de lei visando o enxugamento da máquina pública, foi apresentado aos deputados da base aliada e aos secretários estaduais apenas na véspera do encaminhamento dos mesmos (PLs) ao Parlamento gaúcho.

A reunião do grande grupo teve como local o Galpão Crioulo do Palácio Piratini. Algumas das medidas apresentadas já haviam sido vazadas, estratégica e cirurgicamente, pela imprensa. A curiosidade dos presentes, portanto, pairava sobre a confirmação das mesmas e de mais algumas surpresas de última hora.

Antes mesmo do início exposição técnica das medida e da manifestação das autoridades que integravam a mesa principal, o secretário Gerson Burmann, que engrossava a plateia dos observadores, pediu a palavra. Agradeceu a confiança do governador em ceder ao PDT a secretária de Obras e concordar com a escolha do seu nome para dirigi-la, mas que tendo em vista as notícias divulgadas pela imprensa de que a sua Pasta seria extinta, não se sentia mais em condições de permanecer no recinto, haja visto que estava em vias de ser exonerado do cargo.

Tal manifestação causou espanto generalizado. “Como ninguém havia avisado o secretário de que sua pasta seria extinta?”. Era o que todos se indagavam. Diante de tamanho constrangimento, o governador pediu que Burmann reconsidera-se sua decisão e permanecesse no local. Mal estar instalado, já com o secretário demissionário de pé, um dos integrantes da mesa pediu a palavra é disse que, tendo em vista o episódio, a continuidade da cerimônia estava condicionada a solução do impasse surgido.

E ai a grande surpresa, que demonstra o modus operandi do governo Sartori. “O problema está resolvido, a secretaria de Obras ficará de fora dos PLs a serem encaminhados à Assembleia”, declarou o governador. E assim a reunião teve continuidade e a secretaria de Obras, pelo menos momentaneamente, se safou de ser extinta.

Decisões claudicantes e de rasa complexidade técnica e política como a citada, demonstram a forma como o Estado vem sendo equivocadamente governado. Se não existe respeito da cúpula palaciana nem para com os integrantes do próprio governo, como esperar que haja para com os servidores públicos e para com o contribuinte?

Ao agir desta forma, o governo Sartori perde confiabilidade, já que credibilidade as pesquisas mostraram que ele já perdeu, o que impõem necessariamente a troca do slogan do governo de “Todos pelo Rio Grande” para “O Rio Grande para poucos”.

E para encerrar, o episódio relatado nos leva a concluir que o governo Sartori possui mais uma marca característica da sua forma de atuar: a ingratidão. Isso explica as manifestações que já começam a ser divulgadas pela imprensa de que a saída eminente do PDT da base governista tem como motivação interesses político-eleitorais. Mesmo que fosse verdade, não se trata de um direito que merece ser respeitado? Ou desrespeito também é uma das marcas deste governo? Ao que parece, sim.

Diante de tudo isso, fica uma indagação: O que faz com que os demais partidos da base atuem com tanta lealdade e com tanto denodo na defesa das medidas recessivas e predatórias adotadas pelo Piratini? Pelo que se viu com o PDT o governo peemedebista é avesso a distribuição dos bônus, mas adora repartir os ônus. 


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