terça-feira, 13 de dezembro de 2016

Interesse público ou privado?



Em meio a confissão de grandes empresários de que houve uma parceria espúria com os representantes do Estado visando a apropriação ilegal e imoral de recursos públicos, descoberta pela Operação Lava Jato, a Agenda 2020 e o MBL, entidades que defendem o enxugamento da máquina pública com a absorção, pela iniciativa privada, dos serviços hoje administrados pelo poder público, realizam hoje e amanhã encontros para manifestar apoio ao pacote de maldades do governo Sartori.
No primeiro encontro a classe empresarial oficializa ao Governo do Estado total apoio às medidas visando a extinção de estatais, com a consequente demissão de servidores, e a supressão de direitos trabalhistas. No segundo, por ocasião do Tá na Mesa, da Federasul, empresários irão solicitar aos principais líderes da base governista na Assembleia Legislativa que seus partidos aprovem as referidas medidas.
As duas reuniões dos empresários com o Governo e com os deputados divergem frontalmente da postura adotada pelo Palácio Piratini e pela Assembleia, que em momento algum priorizaram o debate com as categorias representativas do funcionalismo público estadual. Pelo contrário, fizeram de tudo para agilizar a votação dos projetos de lei para não dar tempo à que os servidores públicos pudessem se articular fazer oposição ao pacote governamental.
A grande questão, que a população precisa avaliar com clareza é: O que é bom para a iniciativa privada, que objetiva tão somente o lucro, é bom para a sociedade, que espera receber a contrapartida do pagamento de seus impostos através de serviços eficazes e de baixo custo? E mais, por que os atuais governantes e parlamentares são tão sensíveis aos interesses da iniciativa privada e tão pouco acessíveis ao clamor dos servidores públicos?
É ou não uma situação estranha num momento estranho? Dá para confiar na sinceridade e nas boas intenções dessa parceria institucional público-privada? Que o exemplo nacional, resultante da Operação Lava Jato, sirva de consciência para os gaúchos e para os seus representantes. Enquanto ainda há tempo.

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