segunda-feira, 26 de maio de 2014

Olívio como candidato a senador
 tira voto de Tarso.



Tudo indica que o PT está preparando uma novidade para o lançamento da nominata que irá compor a chapa majoritária para a eleição estadual. Deve sair a pré-candidata Emília Fernandes, do PCdoB, e entrar em seu lugar o ex-governador Olívio Dutra, do PT. Se tal substituição ocorrer, fica difícil de entender o apoio dos comunistas à Tarso. Não pela afinidade ideológica, mas pela importância do PCdoB na aliança. Adversários na disputa pela prefeitura de Porto Alegre, em duas ocasiões, e tudo indica que em 2016 também, a ocupação da vaga ao senado pelo PCdoB serviria de vitrine privilegiada para o fortalecimento da imagem dos comunistas.

Para o PT, no entanto, a entrada de Olívio na disputa trará novo ânimo a militância. Com uma imagem consolidada de petista histórico e com boa simpatia popular, o já envelhecido galo missioneiro tem tudo para mudar o atual cenário da eleição para o senado, onde Lasier Martins (PDT) desponta nas pesquisas como franco favorito. Com Olívio na disputa acabou a barbada. Olívio hoje, com sua postura independente, onde inclusive teve voz isolada e crítica em relação aos episódios onde o PT é citado em denúncias de corrupção, será um candidato com livre acesso ao eleitorado gaúcho, inclusive entre simpatizantes de outras siglas.

Mas se por um lado Olívio traz novo alento a possibilidade do PT colocar mais uma cadeira no Senado, por outro, acredito, não terá grande importância na agregação de votos para Tarso Genro. Explico. Com um governo apenas regular e com promessas de campanha não cumpridas, dificilmente o eleitor gaúcho irá votar integralmente na chapa petista. Votar integralmente na chapa majoritária é só para governos comprovadamente bem sucedidos. A tendência, ao meu ver, para aqueles que querem votar num candidato do PT, é que a escolha recaia apenas num dos nomes. Ou para Tarso, como governador, ou para Olívio, como senador. O voto nos dois deve ficar tão somente para os petistas de carteirinha. E neste cenário, convenhamos, Olívio tem preferência. O que me leva a concluir que Olívio, ao contrário de agregar votos para Tarso, retira.

Mas como em política nada é definitivo, resta aguardar a confirmação da troca Emília – Olívio. Com a palavra o PCdoB. Nunca os comunistas, numa eleição gaúcha, estiveram diante de um desafio tão significativo. Ou mostram que são fortes e que não são fisiológicos, bancando Emília, ou fornecem atestado de linha auxiliar do PT, aceitando pacificamente a indicação de Olívio.


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