segunda-feira, 5 de maio de 2014

A gerentona está de aviso prévio.



Imagine uma empresa familiar. Daquelas onde o pai, com pouco estudo mas com muita habilidade no trato com os clientes, conseguiu fazer o empreendimento crescer e se fortalecer como um prestador de serviços eficiente e identificado com o seu público-alvo. Passado alguns anos, o pai, premido pelas exigências do mercado e do avanço tecnológico, se vê obrigado a repassar o comando do negócio para o seu filho. Com mais estudo, mas com pouca experiência e aptidão para o relacionamento com a clientela e com a concorrência, o filho adota um novo estilo de gestão. Passa a ser mais rigoroso com os seus funcionários. Promete mais do que pode entregar e passa a frustar a clientela. Se aventura na diversificação dos negócios e passa a emprestar dinheiro para amigos. Vê as críticas como manobra daqueles que não concordam com as mudanças implementadas. E o negócio começa a dar prejuízo. Acostumado a fase de “bois gordos”, o filho não percebe os sinais de alerta e, quando se dá conta, a empresa está à beira da falência. E aí vem a dúvida. O que fazer? Reconhecer os equívocos e mudar a gestão? Mudar o público-alvo? Ou vender a empresa?

Pois bem. Transporte a situação acima para uma empresa pública. Mais ainda, para o gerenciamento do país. E coloque na posição do novo dono da empresa a presidente Dilma Rousseff. Pois é exatamente isso que está acontecendo hoje no país. Com a exceção de que não há como decretar a falência do Brasil, nem vendê-lo e muito menos trocar o público-alvo. Sobra, então, a alternativa da troca de gestão, trocando o gerente. Mas como? O PT não optou por Dilma justamente pela sua imagem de gerentona? De alguém capaz de pegar os projetos sociais de Lula (o fundador da era populista do PT) e colocá-los em prática, consolidando o poder nas mãos do PT. Pois é. Parece que o planejamento teórico não aconteceu na prática. Exatamente como ocorreu no exemplo acima. Mas será que foi o caso da pessoa errada no lugar certo ou o contrário? Bem, o que importa é que o império petista nunca esteve tão próximo da falência. Pelo menos é o que as pesquisas de opinião dizem, ao mostrar o declínio de Dilma e a ascensão dos seus concorrentes, no caso Aécio Neves e Eduardo Campos.

E essa situação faz com que o PT já projete a substituição de Dilma por Lula. Possibilidade essa negada por enquanto pela direção do partido, mas com muita aceitação na base petista. Mas como? A novidade será o retorno do antigo? O mesmo do mesmo? Mas será que as vozes das ruas não foram claras o suficiente para o PT entender que os brasileiros estão cheios do blá blá blá político e que exigem serviços públicos de qualidade? O PT é esperto demais para cometer um erro desses. Por isso, toda essa movimentação petista só tem uma explicação: desespero. E aí o nome de Lula surge como “salvador da pátria”. Da nação petista, claro. Mas como, se a mudança do candidato na véspera da eleição faz parecer a imagem do fracasso da gestão Dilma? Talvez seja essa a razão pelo qual o PT parece disposto a lhe dar a oportunidade de defender seu governo. E aí dê-lhe saco de bondades. Reajuste do valor do bolsa-família e promessas mil.


Não sei se as urnas conseguirão, nesta eleição, por fim ao domínio petista. Mas que isso nunca esteve tão próximo ninguém pode negar. Neste caso, será que o novo gerente, seja ele Aécio ou Campos, saberá lidar com o novo perfil exigido pelos brasileiros? Impedindo o retorno da inflação? Reduzindo o crescente índice de criminalidade? Fazendo sobrar recursos para realizar os investimentos nas áreas da infraestrutura, logística e da saúde e da educação? Estagnando definitivamente o mal da corrupção na esfera pública? Colocando pessoas capazes nos locais certos, ao invés de amigos ou incompetentes indicados pela base aliada? E muito mais. O que não pode é trocar seis por meia dúzia. Menos ainda deixar tudo como está. Que a trajetória decadente do PT, doravante, sirva de exemplo para aqueles que irão sucedê-lo no comando do país, dos estados e dos municípios. E que mais do que nunca o povo se conscientize, definitivamente, de que realmente “todo poder emana do povo e em seu nome é (ou precisa ser) exercido”.  

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