terça-feira, 26 de novembro de 2013

Presídio a céu aberto.



O governo Tarso Genro inova ao criar no Rio Grande do Sul a modalidade de presídio a céu aberto.  Se é que se pode chamar de inovação a alternativa resultante da incapacidade de resolver, pelas vias normais, o inferno que se tornou o sistema prisional do estado. E não só o gaúcho, é bom frisar. Mas principalmente o gaúcho. Pelo menos é que dizem as estatísticas e as manchetes da imprensa. O Presídio Central de Porto Alegre, por exemplo, é tido como o pior do país. Com superlotação de presos e com instalações subumanas, o Central é hoje a vergonha nacional do desrespeito aos direitos humanos.

E o que faz o governo, e não só este, mas principalmente este? Amplia as instalações? Não. Recupera as existentes? Muito pouco. Transfere presos para outros presídios? Não, pois não existem presídios suficientes. E os que existem também estão abarrotados.  Constrói novos presídios? Pelo menos na prática não. Tem dificuldade inclusive de achar um município que aceite a implantação de uma casa prisional. E qual a alternativa, então? 

Para o governo Tarso é a adoção maciça do sistema semiaberto, através do uso de tornozeleiras eletrônicas. Cinco mil delas, segundo a secretária de Segurança, deverão estar circulando pelo Rio Grande até fevereiro de 2014. Mas o uso do regime semiaberto não é nenhuma novidade. Aliás, trata-se de um direito legal do preso. Mas sua eficácia, se levarmos em conta o número de crimes praticados por quem se utiliza dessa prerrogativa, é frequentemente contestada. O mesmo ocorre com o uso de tornozeleira eletrônica. Somente no Rio Grande do Sul existem 800 condenados que a usam. E muitos dos crimes esclarecidos foram praticados por detentos que usavam tornozeleiras. Inclusive, há pouco tempo, uma delas for encontrada rompida e abandonada numa parada de ônibus da capital.

Claro que existem casos de sucesso. Tanto do regime semiaberto como do uso de tornozeleiras. Mas a imensa maioria deles ocorre em países onde a fiscalização estatal é eficiente. O que não acontece no Brasil, no Rio Grande e em outros estados. E isso não envolve apenas o regime carcerário. É em todas as áreas. Por isso considero a incompetência fiscalizatória do Brasil como o câncer dos problemas administrativos do país e o principal incentivo à corrupção.

Mas se o problema é complexo, então toda iniciativa é bem-vinda? Não é bem assim! No caso da segurança pública, que cuida do bem mais precioso de uma pessoa, que é a sua vida, o risco não justifica o meio e muito menos o fim. Buscar soluções paliativas para a criminalidade é tratar a doença e não a causa. O problema todo está no sistema educacional inadequado do Brasil. Que começa a se manifestar do lado de fora dos altos muros dos presídios e tem continuidade do lado de dentro deles.


Reeducar um preso não é presentear-lhe com um adorno no tornozelo. Até porque isto lhe trará um constrangimento na sua circulação e atividade profissional, uma vez que se tornará alvo de discriminação por parte da população. É muito mais. É dar-lhe condições,  ao ser libertado, de reinserção na sociedade e no mercado de trabalho. Sem essas condições corremos o risco de aumentar o contingente de criminosos nas ruas. 

Governador, se for realmente adotar o semiaberto com controle via tornozeleira eletrônica, que pelo menos peça para que tomem o cuidado de checar as reais condições do preso beneficiado. É o mínimo que a sociedade espera.

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