segunda-feira, 10 de outubro de 2016

Onde foi parar a meia estação?




Sem dúvida 2016 está sendo um ano diferenciado. Não, não estou me referindo a crise política e econômica do país. Estou falando da situação climática. Os mais antigos, como eu, devem se lembrar dos anos em que as quatro estações se manifestavam de forma ordeira e disciplinada. Daí a condição privilegiada de observadores das mudanças climáticas e também das teses para explica-las. Efeito estufa, aquecimento global, La Ninha, El Ninho e outras mais.

Não me sai da memória a previsão de especialistas de que se não modificarmos nosso modo de interagir com a natureza, quer como indivíduo globalizado, quer como agentes produtores de modificações culturais, laborais e ambientais, seremos vítimas das consequências da elevação da temperatura do planeta.  Os tórridos meses de verão, prolongados em duração ano após ano, pareciam confirmar o prognóstico dos estudiosos do tempo.

Mas aí veio 2016 e com ele a contradição climática. Dos dez meses do ano, sete foram de temperaturas baixas. A tal ponto de termos baixas temperaturas em meio a chegada do horário de verão. Tal atipicidade me faz lembrar de duas histórias. A primeira refere-se a declaração de um técnico japonês do Banco Mundial, que ao sobrevoar Porto Alegre de helicóptero manifestou sua surpresa ao ver tantas piscinas. “Como uma cidade que tem temperatura moderada e fria na maior parte do ano pode ter tantas piscinas e tão pouco sistema de calefação”, disse ele.


A segunda, uma piada regional, que pode muito bem servir de resposta à curiosidade do técnico, é a de que no Rio Grande do Sul só existem duas estações, o inverno e o verão. E que nos caso das cidades serranas é adaptada para inverno e estação rodoviária. Singularidades a parte, 2016 parece confirmar a excepcionalidade climática. O fato é que cada vez mais estamos usando menos o termo “meia estação”, o que faz com que eu, aleatoriamente, me veja cantarolando a música de Noel Rosa que diz “com que roupa eu vou, ao samba que você me convidou...”. 

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