O Rio Grande precisa
que Sartori sonhe alto.
Gente! Ouvi duas vezes a
entrevista que o governador Sartori deu está manhã à rádio Gaúcha. E fiz isto
para me certificar de que não estava sendo injusto com o que estava sendo dito
pelo governador. Que festival de mesmice. Jesus do céu. Nenhuma resposta assertiva.
Nenhum comprometimento. Parecia continuidade dos discursos vazios da campanha
eleitoral. E já se passou um ano do seu governo. A palavra mais repetida por
Sartori foi tranquilidade. Estranho que ele tenha essa sensação em descompasso
com o que se ouve nas ruas.
E o mais interessante, ele fala
do pouco que fez com o orgulho de quem fez muito. E não antecipa nada sobre os
principais problemas que tiram o sono dos gaúchos. Não se compromete com o
ingresso de novos policiais para suprir a carência de efetivo da BM e da PC.
Não dá nenhum indício de quais rodovias irão receber reparos e nem o elenco de
estradas que serão oferecidos à iniciativa privada sob forma de concessão. Nenhuma
palavra sobre ações visando a melhoria da qualidade do ensino público estadual.
Na saúde apenas um compromisso de acerto de contas com os prestadores de
serviço mediante parcelamento das dívidas.
Nem mesmo uma previsão otimista
sobre a melhoria do desempenho financeiro em 2016 Sartori conseguiu fazer.
Preferiu manter a tal postura de “matar um leão por dia”. E essa tal
tranquilidade gerencial, cada vez mais semelhante a passividade ativa, é vista
pelo governador como entendida e aceita pela população. Como assim? Eu não sou
adepto dessa melhoria em “câmara lenta”.
A tal sementinha plantada para o
futuro, repetida incansavelmente por Sartori, diante da gravidade do nosso
cotidiano, poderá fazer com que vidas sejam ceifadas antes mesmo dela crescer e
frutificar. A dura realidade da crise gaúcha não nos permite ficar apenas com a
boa vontade da semente. Claro que diante das dificuldades não podemos sonhar
com uma árvore frondosa, pelo menos à curto prazo, mas pelo menos temos o
direito de sonhar com frutos temporãos.
E é isso que o governador nos
tira a cada manifestação “realista”. O que seria da humanidade sem líderes que
sonham alto, pensam grande e agem com destemor e obstinação. O grande Cervantes
disse que “quando se sonha sozinho é apenas um sonho, mas que quando se sonha
juntos é o começo da realidade”. Está mais do que na hora de Sartori parar de
impor pesadelos à sociedade com seu sonho simplório de entregar ao seu sucessor
um Estado melhor do que encontrou ao assumir.
Como legítimo representante da
maioria do eleitorado que foi às urnas em 2015 ele precisa se juntar ao sonho
dos gaúchos. E sonhar alto, sonhar grande, e fazer muito mais do que seus
apagados discursos deixam transparecer que irá fazer. E que não venha com a desculpa de que é avesso à promessas duvidosas ou expectativas desnecessárias. As grandes conquistas foram resultado da motivação popular. Saber conduzir seu povo ao destino que ele deseja não é uma benevolência, é uma obrigação que todo governante que se propõe ser líder deve acreditar e realizar.

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