quinta-feira, 26 de março de 2015

Bem que o MP poderia ajudar e não apenas criticar.

Trincheira das avenidas  Anita Garibaldi com a Carlos Gomes.

Quando eu vejo a prefeitura de Porto Alegre orgulhosa de entregar parcialmente ao trânsito o viaduto da avenida Bento Gonçalves eu fico pensando: como pode? Por que não entregar a obra toda? E ai me recordo que são várias as obras inacabadas, prometidas para a Copa do Mundo e sem previsão de conclusão. Algumas ainda sequer iniciadas. Mas não posso ser injusto e dizer que isso é uma exceção, que envolve apenas o Executivo municipal. Não é. O mal do atraso nas obras é uma moléstia que afeta o poder público como um todo. Tendo ou não recursos.

Sem me ater aos atrasos propositais, com finalidade de superfaturamento, digo que essa é uma praga cultural que infelizmente se instalou no país. E aí eu me pergunto novamente: por que então o todo poderoso Ministério Público não dá um jeito nisso? Ficar apenas no contra-ataque, criticando o que deu errado, me parece uma posição egoísta, do ponto de vista de parceria e da civilidade. Por que não ajudar a fazer as coisas darem certo, no caso, auxiliando na remoção dos empecilhos que impedem a execução do cronograma de obras.

Refiro-me, por exemplo, a exigência de maior celeridade nas desapropriações, reintegrações, licenças ambientais, etc. O mesmo pode ser dito da responsabilização dos órgãos públicos que contingenciarem a liberação dos recursos necessários para o andamento dessas obras. Não bastasse o estorvo que essas obras inacabadas acarretam à sociedade, quando finalmente são concluídas, por estarem defasadas pelo tempo demasiado, pouco ou quase contribuem para os objetivos inicialmente propostos. Se não por interesse público, pelo menos para evitar o desperdício de dinheiro público.

E se o problema for o impedimento legal, que proponha a mudança da legislação. O que não pode é manter a máxima do “deitado em berço esplêndido”, vendo o Brasil correr atrás do atraso e do imobilismo. 

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