segunda-feira, 21 de abril de 2014

Eu era feliz e sabia (Parte 1).



Dizem que o mundo está mudando muito rápido. E está mesmo. Principalmente se o foco for o avanço tecnológico. Nunca tivemos tanta facilidade para nos comunicarmos e nos locomovermos.  Mas então como explicar o isolamento social cada vez maior do ser humano?

Quem como eu tem mais de 50 anos deve se lembrar do tempo em que felicidade era sentar com a família na calçada ou nas praças para conversar com os vizinhos e deixar as crianças soltas para brincar. Sabíamos o nome de todos e solidariedade era uma constante no relacionamento. Hoje não sabemos o nome do vizinho do lado e a diversão dos nossos jovens está na solidão da tela do computador ou do celular. Juntar parentes e amigos para jogar conversa fora é coisa rara. Não temos tempo. Nem disposição.

Atividade física (exercício só na academia e olhe lá) virou sacrifício. Para ir ao supermercado, mesmo que ele esteja a poucas quadras da residência, só de carro. Antigamente se buscava o alimento nas feiras livres ou nos armazéns. A pé, claro. Ou no caso da gurizada, de bicicleta.  E por falar em gurizada, jogar bola era o esporte preferido dos meninos. E campinho disponível é que não faltava. E quando não tinha jogava-se na calçada ou no meio da rua.  O mesmo ocorria com as meninas nas brincadeiras de roda, amarelinha (sapata) ou pular corda. Coisas quase inimagináveis nos dias atuais.

Alimentação era feita em casa e frequentemente com ingredientes colhidos na horta do quintal.  E quem não lembra com saudade e água na boca das comidas caseiras da mãe e da vó? Hoje cozinhar virou hobby. O normal é comer fora ou via telentrega. E o que antes era motivo de confraternização familiar, sentarem-se todos a mesma mesa, caiu em desuso. Agora a moda é comer na sala e no quarto, teclando o notebook ou assistindo televisão.

E o lazer então? O fim de semana de outrora era esperado com impaciência e ansiedade. Quais os filmes que irão passar na matiné do cinema do bairro? Em casa de qual amigo seria realizada a reunião dançante de sábado à noite? Ah, bons tempos aqueles em que se dançava juntinho, de rosto colado e coração disparado. Hoje se dança separado e invariavelmente as festas começam depois da meia noite. E o ritmo? techno music. Não se namora mais. Se fica. De preferência com vários parceiros (as) na mesma noite. Guria que fazia isso antigamente era chamada de “galinha”, hoje é moderna, extrovertida.

Bebida alcoólica era coisa de homem com mais de 18 anos. Se um adolescente chegasse com cheiro de álcool em casa a coisa enfeiava para o lado dele. Na contramão dessa conduta, hoje quem não bebe, independente da idade, não se diverte. E as mulheres estão bebendo tanto ou mais do que os homens. E ao contrário do que disse Tim Maia, vale dançar homem com homem e mulher com mulher. E o uso de drogas está disseminado. Fuma-se maconha livremente e em qualquer lugar.

Ai é que está o X da questão. Alimentando-se mal, sendo sedentário, dormindo pouco, ingerindo álcool e drogas, levando uma vida solitária e sem valorizar a família, o homem/mulher contemporâneo (a) engorda mais, adoece mais, se estressa mais, fica mais violento, perde a religiosidade e morre (ou será se mata?) mais cedo. Ou sofre mais tempo, haja vista o avanço da idade média promovido pelo aprimoramento tecnológico da medicina.


Pode-se chamar isso de modernidade? Moda mesmo seria buscar os valores e hábitos deixados para trás, no passado. Quando não tínhamos os medos de hoje. Mas será que isto ainda é possível? Talvez não na sua totalidade. Mas naquilo que depender de mudança de postura pessoal, de conduta, fruto dos bons exemplos da família, certamente que sim. Ou seja, a melhoria começa dentro de nós. Com mais atitude e menos contemplação. Com mais responsabilidade social e menos virtualidade comportamental. Onde a perfeição só é alcançada na ficção. Ser moderno, por mais incrível que pareça, é valorizar a felicidade do passado.

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