Quando o ataque não é a melhor defesa.
A tímida e constrangedora
tentativa de Tarso Genro de contrapor-se a legítima indagação da senadora Ana
Amélia Lemos, manifestada na propaganda política do PP, do por que o governo não estar fazendo a sua parte, uma vez que o
cidadão e a cidadã gaúcha estão fazendo a sua, comprova que o petista acusou o
golpe. Mas ao invés de provar o contrário, Tarso tenta fazer cobrança similar, questionando
o desempenho de Ana Amélia Lemos no Senado. Que o PT erre na gestão do Estado é
compreensível, pois já é reincidente nisso (vide governo Olívio Dutra), agora
errar na estratégia política é que surpreende. Não faz parte do histórico do PT
cometer equívocos no ataque implacável aos seus adversários. Especialmente em ano
eleitoral.
Vejamos. Tarso cobra de Ana
Amélia sua atuação na defesa dos pequenos produtores rurais, tentando carimba-la
como aliada dos grandes produtores. Como assim? Onde está o embasamento dessa
premissa? No preconceito? Claro que não, Ana Amélia é de origem humilde, filha
de pequenos produtores rurais, já tendo colocada a mão na terra para produzir o
alimento que ia para a mesa da família. No interesse econômico? Fosse assim ela
teria se dedicado a atividade primária e não a profissão de jornalista, onde
obteve carreira bem sucedida.
Aliás, foi por causa dos seus
comentários profissionais oportunos e pontuais que ela ganhou fama de
especialista em agronegócio, segmento econômico responsável por expressiva
parcela do PIB do Rio Grande do Sul. Ou alguém pode duvidar do significado do
agronegócio para o desenvolvimento do estado? Até mesmo Tarso tem se valido das
safras recordes para tirar proveito político. Então que balela é essa de tentar
classificar Ana Amélia de representante do agronegócio? No máximo o que se pode
dizer da sua atuação na área é de que ela representa, e muito bem, a defesa do
setor primário gaúcho como um todo.
Ao invés de atacar a senadora,
Tarso deveria explicar por que não cumpriu com as suas promessas de campanha,
que de tão sedutoras, deu-lhe a inédita vitória em primeiro turno. Criticar a
atuação de Ana Amélia enquanto senadora é chover no molhado. Sua atuação no
Senado da República, na primeira parte do seu mandato, deu-lhe reconhecimento
no mundo político e fora dele. Internamente foi escolhida como uma das
parlamentares mais influentes do Congresso Nacional e diversas vezes indicada
como destaque político nacional.
São inúmeros os projetos
apresentados por Ana Amélia que tiveram grande repercussão social,
especialmente os ligados à área da saúde, mais especificamente no tratamento do
câncer. E foi graças ao seu trabalho e ao seu permanente interesse em
solucionar problemas que há décadas causam prejuízos ao cidadão, que Ana Amélia
conseguiu se destacar numa área tão desacreditada atualmente, como é o caso da
política.
O conhecido estrategista militar
chinês, Sun Tzu, em seu livro “A arte da guerra”, disse que uma das medidas
para se vencer uma batalha está em não interromper o inimigo enquanto ele
estiver cometendo um erro. É o que pode recomendar neste momento em que Tarso
gasta energia tentando criar um estereótipo fantasioso da senadora Ana Amélia.
Mas as pesquisas de opinião e os comentários ouvidos nas ruas indicam que o
foco petista está equivocado na sua intenção. O eleitor, especialmente o
gaúcho, já está vacinado contra as estratégias diversionistas do PT. Já sabe
que não deve acreditar em tudo o que o PT fala. E mais, não quer saber de
bate-boca eleitoral e muito menos de agressões pessoais. O que o eleitor quer
mesmo é saber quais são as propostas reais dos candidatos para lhe proporcionar
melhores serviços públicos e uma vida mais digna.
E é aí que a situação de Tarso,
enquanto candidato a reeleição, se agrava. Falta-lhe credibilidade e imagem de
gestor eficiente. Então realmente não lhe resta outra saída senão tentar
desviar o foco, acusando os adversários dos defeitos que são seus. Ao contrário
do que acontece no futebol, nem sempre o ataque é a melhor defesa. As urnas vão
acabar comprovando que isto vale também para a política.

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