terça-feira, 10 de junho de 2014

Quando o ataque não é a melhor defesa.



A tímida e constrangedora tentativa de Tarso Genro de contrapor-se a legítima indagação da senadora Ana Amélia Lemos, manifestada na propaganda política do PP, do por que o governo  não estar fazendo a sua parte, uma vez que o cidadão e a cidadã gaúcha estão fazendo a sua, comprova que o petista acusou o golpe. Mas ao invés de provar o contrário, Tarso tenta fazer cobrança similar, questionando o desempenho de Ana Amélia Lemos no Senado. Que o PT erre na gestão do Estado é compreensível, pois já é reincidente nisso (vide governo Olívio Dutra), agora errar na estratégia política é que surpreende. Não faz parte do histórico do PT cometer equívocos no ataque implacável aos seus adversários. Especialmente em ano eleitoral.

Vejamos. Tarso cobra de Ana Amélia sua atuação na defesa dos pequenos produtores rurais, tentando carimba-la como aliada dos grandes produtores. Como assim? Onde está o embasamento dessa premissa? No preconceito? Claro que não, Ana Amélia é de origem humilde, filha de pequenos produtores rurais, já tendo colocada a mão na terra para produzir o alimento que ia para a mesa da família. No interesse econômico? Fosse assim ela teria se dedicado a atividade primária e não a profissão de jornalista, onde obteve carreira bem sucedida.

Aliás, foi por causa dos seus comentários profissionais oportunos e pontuais que ela ganhou fama de especialista em agronegócio, segmento econômico responsável por expressiva parcela do PIB do Rio Grande do Sul. Ou alguém pode duvidar do significado do agronegócio para o desenvolvimento do estado? Até mesmo Tarso tem se valido das safras recordes para tirar proveito político. Então que balela é essa de tentar classificar Ana Amélia de representante do agronegócio? No máximo o que se pode dizer da sua atuação na área é de que ela representa, e muito bem, a defesa do setor primário gaúcho como um todo.

Ao invés de atacar a senadora, Tarso deveria explicar por que não cumpriu com as suas promessas de campanha, que de tão sedutoras, deu-lhe a inédita vitória em primeiro turno. Criticar a atuação de Ana Amélia enquanto senadora é chover no molhado. Sua atuação no Senado da República, na primeira parte do seu mandato, deu-lhe reconhecimento no mundo político e fora dele. Internamente foi escolhida como uma das parlamentares mais influentes do Congresso Nacional e diversas vezes indicada como destaque político nacional.

São inúmeros os projetos apresentados por Ana Amélia que tiveram grande repercussão social, especialmente os ligados à área da saúde, mais especificamente no tratamento do câncer. E foi graças ao seu trabalho e ao seu permanente interesse em solucionar problemas que há décadas causam prejuízos ao cidadão, que Ana Amélia conseguiu se destacar numa área tão desacreditada atualmente, como é o caso da política.

O conhecido estrategista militar chinês, Sun Tzu, em seu livro “A arte da guerra”, disse que uma das medidas para se vencer uma batalha está em não interromper o inimigo enquanto ele estiver cometendo um erro. É o que pode recomendar neste momento em que Tarso gasta energia tentando criar um estereótipo fantasioso da senadora Ana Amélia. Mas as pesquisas de opinião e os comentários ouvidos nas ruas indicam que o foco petista está equivocado na sua intenção. O eleitor, especialmente o gaúcho, já está vacinado contra as estratégias diversionistas do PT. Já sabe que não deve acreditar em tudo o que o PT fala. E mais, não quer saber de bate-boca eleitoral e muito menos de agressões pessoais. O que o eleitor quer mesmo é saber quais são as propostas reais dos candidatos para lhe proporcionar melhores serviços públicos e uma vida mais digna.


E é aí que a situação de Tarso, enquanto candidato a reeleição, se agrava. Falta-lhe credibilidade e imagem de gestor eficiente. Então realmente não lhe resta outra saída senão tentar desviar o foco, acusando os adversários dos defeitos que são seus. Ao contrário do que acontece no futebol, nem sempre o ataque é a melhor defesa. As urnas vão acabar comprovando que isto vale também para a política.  

Nenhum comentário:

Postar um comentário