terça-feira, 9 de julho de 2013

O exterminador do futuro



Até que ponto um governante, escolhido nas urnas para um período de quatro anos, pode comprometer as finanças do seu sucessor? Esta é uma pergunta que nunca me ocorreu antes. Talvez porque nunca antes no Rio Grande do Sul um governador agiu como se sua reeleição já estivesse assegurada. Irresponsabilidade ou arrogância? Desprezo ao eleitor ou excesso de confiança?  Independente das respostas, nada justifica que Tarso se julgue dono do futuro. E mais, que coloque em risco o futuro dos gaúchos.

Para constatar que as finanças do estado vão de mal a pior não precisa ser nenhum especialista em economia. Temos uma enorme dívida para com a União e instituições nacionais e internacionais de financiamento. Não conseguimos cumprir a Constituição no que tange a aplicação de recursos orçamentários nas áreas da saúde, educação e segurança. Nossos investimentos (próprios ou não) na área da infraestrutura (especialmente a de transportes) são muito aquém do necessário. Os reajustes salariais do funcionalismo público, dados para minimizar a pressão política, além de insuficientes, só irão se completar no período do próximo governo.

Pois se as despesas se avolumam, o atual governador, certamente preocupado com o clamor das ruas, o mau desempenho do seu governo e a proximidade das eleições, resolveu comprometer as receitas futuras do seu e dos próximos governos. Ou seja, atua como se não houve limite de tempo para a sua gestão. Quem lhe deu a procuração para isso? Que eu saiba ninguém. Muito menos as urnas. 

Estou me referindo à notícia de que Tarso Genro está em Portugal negociando com o banco Santander a venda de parte da dívida ativa que o Estado terá direito a receber nos próximos cinco anos. Ou seja, até 2018.

Mas para que? Com que finalidade? Não foi ele mesmo que disse publicamente, no início desse ano, que se algum secretário justificasse a não execução de projetos por falta de dinheiro estaria mentindo? E o que ele fez depois? Meteu a mão no caixa único e nos depósitos judiciais. E muito mais poderia se dizer, como o não cumprimento da promessa de acabar com os pedágios (apenas trocou a administração de privada para pública), que resultou no aumento das despesas com construção e conservação de rodovias, a perda da fabrica de caminhões em Guaíba (repetindo Olívio com a Ford) e vários outros exemplos.

O que afinal pretende Tarso? Inviabilizar o próximo governo? Será que não acredita na sua reeleição? Será que a ordem do PT é apenas ganhar a próxima eleição? O certo é que diante desse quadro preocupante parece que a grande vítima será mesmo o povo gaúcho. Tomara que o grito das ruas tenha despertado a consciência do eleitor. Só ele poderá impedir a destruição do Rio Grande e, consequentemente, o seu futuro e futuro dos seus familiares e amigos.


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