Pesquisa ZH projeta Luciana
e Marchezan no 2º turno.
A
pesquisa eleitoral publicada hoje na ZH sobre os candidatos à prefeitura de
Porto Alegre nada mais é do que a fotografia da concentração da largada da
campanha. E o resultado nada mais é do que a lembrança que os porto-alegrenses
mantem dos candidatos e do envolvimentos dos seus partidos nos escândalos de
corrupção, fartamente divulgados pela imprensa.
Apesar da precocidade de qualquer previsão sobre o resultado do primeiro turno, há que se considerar a tendência apontada pela pesquisa. Tudo indica que a vaga dedicada aos partidos de esquerda deva ficar com a candidata do PSol, Luciana Genro. Por dois importantes fatores: Por ter recentemente desfrutado dos holofotes da eleição para a presidência da República (2014) e pelo fato de seu partido não ter sido citado nas investigações da Operação Lava Jato. Entretanto, seu favoritismo dependerá muito do seu comportamento enquanto candidata, cuja desconfiança popular pode ser verificada no elevado percentual de rejeição (27%) apresentado pela pesquisa ZH. Ah, e também do seu pouquíssimo tempo de televisão.
Mas e o Raul Pont, do PT, partido que historicamente sempre disputou o segundo turno das eleições de Porto Alegre? Deverá ficar de fora pelas mesmas razões de Luciana, só que em sentido contrário. Não possuiu mandato, portanto ficou de fora do cenário midiático, e representa o partido que mais foi afetado pelas denúncias do chamado Petrolão. Imagem partidária que deverá ser agravada com o impeachment de Dilma Rousseff. Prova dessa tendência é o alto índice de rejeição apresentado na pesquisa (26%).
Na
disputa pela outra vaga do segundo turno estão Sebastião Melo e Nelson
Marchezan Jr. Minha aposta, apesar de Melo contar com a máquina municipal,
recai sobre o candidato do PSDB. Explico:
Sebastião
Melo representa o desgaste natural de um ciclo que já perdura por 12 anos no
Paço Municipal e que é tido como lento na execução de obras e desleixado com a
imagem da cidade, que apresenta feições visuais feias e degradadas. O calcanhar
de Aquiles de Melo, enquanto representante do período Fogaça/Fortunati, é
justamente a pouca capacidade inovadora da atual gestão para gerir a cidade.
Entra ano, sai ano, e tudo parece o mesmo. Enquanto candidato, vai padecer do “desgaste
dos metais”. E tem ainda a ameaça de mais desgaste se Temer, então presidente
efetivo, colocar em prática seus projetos de reforma trabalhista e
previdenciária. Ah, e também dos altos índices de rejeição do governo Sartori.
Já com
Marchezan ocorre o oposto. Dentre os quatro candidatos com maior probabilidade
de ir para o segundo turno, ele é representa a novidade. E mais, apesar do PSDB
tem aparecido como um dos beneficiários do Petrolão e apoiar a interinidade de
Michel Temer, os tucanos tem tido exposição pouco expressiva. E dentre os
críticos dos malfeitores, dos maus governantes e dos maus políticos, Marchezan
tem sido uma das vozes mais ativas. Precisa apenas saber dosar sua indignação e
provar que sabe ser tolerante e associativo.
Precisa
saber, sobretudo, lidar com as críticas terceirizadas, especialmente as que
virão destinadas ao PP, seu parceiro de chapa, que a exemplo do PT e do PMDB tem
representantes investigados pela Operação Lava Jato. Mas acima de tudo, o
grande trunfo de Marchezan é a afinidade do seu discurso, da sua postura
comportamental, com as vozes das ruas, manifestadas recentemente nas grandes
mobilizações populares do Fora Dilma, Fora PT. Por isso, ao meu ver, ele será o
representante do centro-direita nesta eleição. Sua posição na pesquisa ZH, onde
aparece em terceiro lugar, é forte indicativo dessa tendência.
Os
outros candidatos? A eles está reservado o papel de coadjuvante.
Como
disse, está analise está baseada na foto inicial da corrida à prefeitura. Vamos
ver como a campanha irá se desenvolver e como o álbum de fotografias irá se
completar até o dia 2 de outubro.


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