quarta-feira, 12 de março de 2014

Os bons exemplos voltaram.



O tempo para percorrer a BR-116, entre Porto Alegre e São Leopoldo, segundo reportagem realizada pelo jornal Zero Hora, passou de 89 minutos para 48 minutos. Quase a metade. Inacreditável. O motivo? A construção da BR-448, a chamada Rodovia do Parque, que inicia no perímetro urbano da capital e termina em Sapucaia do Sul, num trajeto de aproximadamente 35 quilômetros. E a fluidez no trânsito da BR-116 - até pouco tempo considerada a rodovia brasileira com maior trânsito localizado - ainda pode ser maior, basta que os acessos secundários à BR-448 sejam melhorados. Ou seja, o tempo para cumprir o mesmo percurso  pode diminuir ainda mais.

Usei apenas uma vez a Rodovia do Parque, à noite, vindo do centro de Canoas. Sofri para encontrar uma sinalização indicativa que me levasse até a nova estrada. Quando consegui, constatei que o fluxo de veículos era pequeno, se comparado com o que circulava pela BR-116 naquele mesmo momento. Isso me permitiu curtir a beleza da estrada. E sai dela seduzido. Usar a BR-116 agora só se for realmente necessário. É ou não um grande avanço?

E é isso que explica o título desse artigo. É que são raras as ações governamentais na área da infraestrutura de transportes concluídas com tamanha agilidade. A maioria, pela demora da sua conclusão, quando inaugurada já perdeu sua utilidade original. Acaba virando solução paliativa e não integral. A construção da BR-448 prova que quando se quer se faz. E que quando não há interesse se arruma desculpas. É o caso de diversas obras viárias que se arrastam por longos períodos, impedindo o crescimento da economia gaúcha.

Poderia citar vários exemplos, mas me fixo nas duplicações da BR 386, entre a divisa de SC e o município de Lajeado; da BR-116, entre Guaíba e o Rio Grande; e da BR-290, entre Eldorado do Sul e Uruguaiana. No caso das duas primeiras rodovias (386 e 116) trata-se da rota de escoamento da safra gaúcha até o porto de Rio Grande. Já a BR-290 é o elo de ligação do estado com o Mercosul. Importantíssimas, portanto.

Tem também as obras imprescindíveis que demoram parar começar. A construção da segunda ponte sobre o Guaíba, o metrô de Porto Alegre, a ampliação do aeroporto Salgado Filho, são algumas delas.  Isso em se tratando de obras de responsabilidade federal. Fosse feita uma abordagem sobre as carências estaduais a lista seria muito maior. Em termos de agilidade nas suas execuções seria como comparar uma corrida entre um tatu (Governo Federal) e uma tartaruga (Governo do Estado).


 Mas enquanto os pesados impostos não se convergem adequadamente em obras, comemoremos o resultado apresentado por Zero Hora. Ele é exemplar e dá esperança. Exemplar porque prova que o Estado pode fazer mais e mais rápido. E esperança porque sacode o marasmo a que os gaúchos estavam acostumados, de verem as obras estatais se arrastando indefinidamente.  Quem sabe agora a coisa vai? 

Nenhum comentário:

Postar um comentário