Por que o PT fez Tarso tirar
o bigode e botar sunga?
Se existe algo consolidado no comportamento de
Tarso Genro é a sua ortodoxia. Nascido em São Borja, terra dos presidentes e de
homens valentes, advogado e com extensa carreira política, tendo sido vereador,
deputado federal, vice pré-prefeito, prefeito, ministro da Educação, de
Relações Institucionais e da Justiça, e agora governador, a imagem pública de
Tarso está caracterizada pela sobriedade. E duas atitudes ajudaram nesse
estereótipo popular: o uso do bigode e do terno com gravata. Como justificar
então o seu repentino despojo dessas duas marcas pessoais?
Não reparou? Bastou tirar alguns dias de férias, para
reaparecer sem bigode. Pouco antes, usou uma regata (camiseta de física) de
salva-vidas para dar início à Operação Verão Numa Boa. E, neste final de
semana, inovou deixando-se fotografar em Capão da Canoa usando apenas uma sunga.
“É melhor torcer para que o verão acabe logo, pois corremos o risco de ver o
Rio Grande do Sul como o primeiro estado brasileiro a ter um governador
estriper”, me disse um amigo. Deixando o humor de lado, o que será que gerou
tamanha transformação visual no governador?
Minha tese é a da estratégia política visando à campanha
eleitoral deste ano. E tudo começou com a troca do comando da área de
comunicação do seu governo. Saiu a jornalista Vera Spolidoro, antiga parceira
de Tarso e adepta de uma metodologia ortodoxa de comunicação, que ocupava a secretaria
de Comunicação e Inclusão Digital, e entrou o jornalista João Ferrer,
especialista em marketing político e profundo conhecedor dos bastidores
legislativos, e que nos últimos três anos ocupou o cargo de diretor executivo
da agência gaúcha de publicidade Escala. Em sua última função, Ferrer trabalhou
diretamente com o sócio-diretor da empresa, Alfredo Fredrizzi, que foi um dos
responsáveis pela campanha eleitoral que levou Tarso Genro ao Piratiní.
Secretário novo, novas ideias, novo momento, novo
visual, nova estratégia. O que pretende os responsáveis pela imagem do novo
Tarso ainda não dá para dizer. Mas fica claro que a “juvenilização” do governador
é uma aposta para a campanha que se avizinha. E é isso que se pode depreender
das imagens que mostram Tarso pulando valeta e usando roupas que lhe expõe o
peitoral e o abdômen sarado. Atitude pouco usual para um senhor que está
prestes há fazer 67 anos. Interessante lembrar que o bigode foi a marca de
Olívio Dutra na sua campanha vencedora de 1998. Na época Olívio tinha 57 anos,
dez anos menos do que Tarso terá nesta eleição.
Minha tese é de que a ideia dos marqueteiros é
passar a impressão de que Tarso representa um governo moderno, inovador e
radical. Qualidades comuns aos jovens. Justamente uma parcela do eleitorado que
mais se identifica com os partidos de esquerda. E para que? Para tentar se
diferenciar da sua maior adversária, a senadora Ana Amélia Lemos (PP). E isso
fica fácil de constatar não só pelas imagens, mas especialmente pelos rótulos
(declarações) que os líderes do PT estão tentando “colar” na senadora, todos
eles ligados ao conservacionismo.
E, nesse aspecto, outro possível alvo dos petistas
tende a ser o partido que representa Ana Amélia, o Partido Progressista. Prova
disso são as manifestações que remetem às origens do PP, a antiga Arena,
surgida na época dos governos militares. Eis aí outra estratégia petista
facilmente identificável. A ideolização da campanha. Esquerda versus direita. Se
vai dar certo ninguém sabe. Os protestos de junho não deram importância alguma
para questões ligadas à ideologia e ao partidarismo. Ou seja, a novidade
petista para a campanha será a aposta no passado. Contraditório, não acham?
Além disto, a diferença de idade entre Ana Amélia e
Tarso é de apenas dois anos. Também a questão do conservadorismo é uma
tentativa arriscada. Por ser jornalista e ter aparecido por mais de duas
décadas na “telinha” diária dos lares gaúchos, falando de todos os tipos de
assunto, dificilmente a imagem de representante do atraso poderá ser
consolidada em tão pouco tempo de campanha. Além disso, sua atuação no Senado
da República, que lhe deu o título de parlamentar mais influente do Congresso Nacional,
é uma pedra no caminho da estratégia petista. Como alguém dita “atrasada no seu
tempo” pode resolver tantos imbróglios contemporâneos? E eficiência foi um dos
clamores populares das ruas.
E é aí, na eficiência que eu, pessoalmente,
considero que se dará o grande embate eleitoral. Sendo assim, a imagem de
Tarso, por melhor que seja, não terá a mesma força do que a imagem deixada por
seu governo. É o peso de ser vitrine e não mais pedra. Árdua a missão dos
conselheiros de Tarso. Mas o bigode já foi raspado e a exposição pública de seu
físico já foi apresentada. Ou seja, a estratégia já entrou em campo. Agora é
esperar o tempo passar para saber o que as urnas nos reservam.

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