segunda-feira, 26 de dezembro de 2016

ESSA VOCÊ NÃO SABIA



PEDIDO PÚBLICO DE DEMISSÃO IMPEDIU QUE EXTINÇÃO DA SECRETARIA
 DE OBRAS FOSSE INCLUÍDO NO PACOTE DE MALDADES DO SARTORI.

Para terem uma ideia da forma nada transparente como foi montado o pacote de maldades que foi recentemente aprovado pela base aliada do governo Sartori na Assembleia Legislativa, um episódio envolvendo a secretaria estadual de Obras quase resultou na exoneração do titular da pasta, o pedetista Gerson Burmann.

Elaborado em segredo pelo núcleo duro do Palácio Piratini, um Petit Comité integrado por pessoas da extrema confiança do governador, o pacote, composto por vários projetos de lei visando o enxugamento da máquina pública, foi apresentado aos deputados da base aliada e aos secretários estaduais apenas na véspera do encaminhamento dos mesmos (PLs) ao Parlamento gaúcho.

A reunião do grande grupo teve como local o Galpão Crioulo do Palácio Piratini. Algumas das medidas apresentadas já haviam sido vazadas, estratégica e cirurgicamente, pela imprensa. A curiosidade dos presentes, portanto, pairava sobre a confirmação das mesmas e de mais algumas surpresas de última hora.

Antes mesmo do início exposição técnica das medida e da manifestação das autoridades que integravam a mesa principal, o secretário Gerson Burmann, que engrossava a plateia dos observadores, pediu a palavra. Agradeceu a confiança do governador em ceder ao PDT a secretária de Obras e concordar com a escolha do seu nome para dirigi-la, mas que tendo em vista as notícias divulgadas pela imprensa de que a sua Pasta seria extinta, não se sentia mais em condições de permanecer no recinto, haja visto que estava em vias de ser exonerado do cargo.

Tal manifestação causou espanto generalizado. “Como ninguém havia avisado o secretário de que sua pasta seria extinta?”. Era o que todos se indagavam. Diante de tamanho constrangimento, o governador pediu que Burmann reconsidera-se sua decisão e permanecesse no local. Mal estar instalado, já com o secretário demissionário de pé, um dos integrantes da mesa pediu a palavra é disse que, tendo em vista o episódio, a continuidade da cerimônia estava condicionada a solução do impasse surgido.

E ai a grande surpresa, que demonstra o modus operandi do governo Sartori. “O problema está resolvido, a secretaria de Obras ficará de fora dos PLs a serem encaminhados à Assembleia”, declarou o governador. E assim a reunião teve continuidade e a secretaria de Obras, pelo menos momentaneamente, se safou de ser extinta.

Decisões claudicantes e de rasa complexidade técnica e política como a citada, demonstram a forma como o Estado vem sendo equivocadamente governado. Se não existe respeito da cúpula palaciana nem para com os integrantes do próprio governo, como esperar que haja para com os servidores públicos e para com o contribuinte?

Ao agir desta forma, o governo Sartori perde confiabilidade, já que credibilidade as pesquisas mostraram que ele já perdeu, o que impõem necessariamente a troca do slogan do governo de “Todos pelo Rio Grande” para “O Rio Grande para poucos”.

E para encerrar, o episódio relatado nos leva a concluir que o governo Sartori possui mais uma marca característica da sua forma de atuar: a ingratidão. Isso explica as manifestações que já começam a ser divulgadas pela imprensa de que a saída eminente do PDT da base governista tem como motivação interesses político-eleitorais. Mesmo que fosse verdade, não se trata de um direito que merece ser respeitado? Ou desrespeito também é uma das marcas deste governo? Ao que parece, sim.

Diante de tudo isso, fica uma indagação: O que faz com que os demais partidos da base atuem com tanta lealdade e com tanto denodo na defesa das medidas recessivas e predatórias adotadas pelo Piratini? Pelo que se viu com o PDT o governo peemedebista é avesso a distribuição dos bônus, mas adora repartir os ônus. 


NÚMEROS COMPROVAM QUE O SERVIDOR PÚBLICO
 NÃO É O CULPADO PELA CRISE FINANCEIRA DO RS




Indutora e parceira das atitudes do governo Sartori a RBS, através do jornal Zero Hora desta segunda-feira (26), estampa em sua capa a seguinte manchete: “Crise “engole” o tarifaço do ICMS e receita não sobe”. Pois então? É a primeira das muitas mentiras vendidas pela administração peemedebista, iniciadas em 2015, que caiu por terra. 

Não vai demorar muito para que todos os gaúchos se deem conta de que duas coisas: De que Sartori é o maior incompetente que já passou pelo Palácio Piratini ou que é o mais maquiavélico de todos os governadores que o Rio Grande do Sul já teve. Ou até, quem sabe, as duas coisas juntas.

A insistência (ou será teimosia?) em manter a mesma estratégia desastrosa leva a crer que a alternativa correta é a terceira hipótese. Por quê? Primeiro pela escolha de ações totalmente equivocadas. Se o problema do Estado é o déficit financeiro, o maior do país segundo Giovani Feltes, o “Carrasco da Fazenda”, por que as iniciativas do governo fixaram-se apenas na redução de despesas? E sempre no mesmo sentido: o enxugamento dos gastos com o funcionalismo público estadual. Predominantemente dos servidores do Executivo.

O MAL FEITO

Segundo, porque as diversas maldades que, se afetaram profundamente o bolso do trabalhador, vê-se agora pela ZH, não tiveram o mesmo efeito na melhoria da saúde financeira do Estado. Elevação de impostos, aumento dos saques dos depósitos judiciais, congelamento e parcelamento dos salários dos funcionários do Poder Executivo, suspensão do pagamento das parcelas da dívida do Estado para com a União, redução do valor da RPVs para pagamento de precatórios, foram algumas das inverdades vendidas à população como indispensáveis para evitar a “quebradeira” do Estado.

Pois ao ver desmoronar sua frágil desculpa, facilmente detectada pela manutenção das dificuldades financeiras e até pelo agravamento das finanças, o Piratini deflagrou as fases seguintes do que chamou de “pacote fiscal”, que nada mais foi do que a continuidade das malvadezas inconsequentes até então levadas à cabo. Mas nesse caso, mais do que os outros, o efeito das medidas tiveram impacto arrasa quarteirão apenas na vida das vítimas do covarde ataque do “exército Sartoriano”.

Tal qual aconteceu em 2015, o tempo irá mostrar, rapidamente, que os projetos aprovados pela base aliada (ou será alienada) na Assembleia Legislativa, não passou de mais um fracasso gerencial.

Sem rumo e cego pela arrogância, tudo indica que virão outros pacotes de maldades. Aliás, alguns deles já agendados para serem votados no primeiro mês de 2017. Na sequência, poderão vir a extinção de mais autarquias (quem sabe a Corsan?) e a venda de bancos públicos, como o Banrisul e o Badesul. E, claro, a supressão de mais conquistas trabalhistas, alvo preferencial da tesoura palaciana.

Mas enganam-se os idealizadores das malvadezas ao tratar os gaúchos como se gado fossem. A máscara caiu e o lobo começa a mostrar sua verdadeira face. E o tal “rebanho” já dá mostras de que começa a se dar conta da sua força. Pois então aqui vai um conselho de alguém com vocação pacifista: Se o governador Sartori quer concluir seu mandato que mude sua estratégia gerencial e sua conduta de homem público. E que, para o bem do Rio Grande, aproveite o tempo que lhe resta para amenizar o estrago provocado.

O BEM REJEITADO

A começar fazendo aquilo que deveria ter sido o seu primeiro movimento administrativo: Adotar medidas visando o aumento da receita. Essa sim uma estratégia capaz de contribuir para o real equilíbrio financeiro das contas públicas. É por não ter feito o dever de casa que a situação está onde chegou.

Aliás, o governador está devendo uma explicação para os seus eleitores: Por que ainda não revisou os benefícios fiscais concedidos às grandes empresas? Por que não incrementou a cobrança da dívida ativa e o combate à sonegação? Essas sim, medidas capazes de estancar o sumidouro de recursos públicos e servir de impulso para o alcance do tão almejado e necessário equilíbrios das finanças do Estado.

Mas como disse, se não somos gado, não devemos agir como tal. Esperar isso de um governo que vê a iniciativa privada como orientadora de suas ações, seja por ter sido patrocinadora da campanha eleitoral, seja por ter fornecido técnicos da Agenda 2020 para a elaboração do plano de governo, inexistente na referida campanha, é esperar demais por algo que, definitivamente, nunca irá chegar.

Se mudanças econômicas são necessárias, e são, os gaúchos devem se dar conta de que não existe milagre na administração pública. Se querem que algo aconteça, pressione para que isso se torne realidade. Deixar como está é continuar assistindo o desgoverno “enxugando gelo”, fazendo de conta que é bem intencionado e que sabe onde quer chegar. Não é à toa que o ataque ao funcionalismo ocorra em um novo governo peemedebista. Tal qual a fábula do sapo e do escorpião, o PMDB nada mais faz do que deixar vazar o seu instinto privatista.

A CONSEQUÊNCIA INEVITÁVEL

E aí? Vão ficar esperando que o governo Sartori complete o desmonte da máquina pública inicialmente realizado pelo governo Britto? Que a iniciativa privada se aproprie dos serviços públicos para encarecer ainda mais as taxas já cobradas?

É balela essa história de que o Estado tem que se fixar nas suas atividades fins, que são saúde, educação e segurança. Boa parte da população já está transferindo seus salários para a iniciativa privada nessas áreas e nem está se dando conta. Ou o pagamento do guardinha civil que circula pelo seu quarteirão não é uma espécie de serviço privado de segurança? E as empresas de segurança privada que cuidam da sua casa de veraneio, do seu prédio ou do seu condomínio, não são pagamentos adicionais?

E aqueles que querem oferecer um ensino de qualidade aos seu filhos, já não estão tendo que procurar o auxílio de escolas privadas? Pagar por professores ou cursos particulares? O mesmo ocorre com quem deseja agilidade e qualidade na prestação dos serviços de saúde e vai buscá-los nos planos privados como alternativa.


Não vai tardar para o contribuinte se dar conta de que o pagamento de impostos nada mais é do que uma bitributação, pois paga para o Estado, que não dá a devida contrapartida, e para a iniciativa privada, que faz aquilo que o Estado deveria fazer. E ai a pergunta que fica no ar é: Estado, para quê?

terça-feira, 13 de dezembro de 2016

ESSA VOCÊ NÃO SABIA.



A SPH NÃO É UM CABIDE EMPREGO.



Taí uma inverdade que o povo gaúcho precisa saber. Ao contrário do que o jornal Zero Hora informou, certamente com base em dados equivocados repassados pelo governo, e que a colunista Rosane de Oliveira conceituou como um órgão público utilizado como "cabide de emprego", a Superintendência de Portos e Hidrovias (SPH) NÃO É NADA DISSO.
Pelo contrário. É uma autarquia enxuta onde seus servidores precisam se multiplicar em dois para dar conta das suas importantes atividades, dentre elas, administrar os portos de Porto Alegre, Pelotas e Estrela, e cuidar da manutenção e sinalização de 758 quilômetros de hidrovias, que interligam os três portos, mais o Polo Petroquímico, a Celulose Riograndense e diversos terminais privados da Região Metropolitana, com o superporto de Rio Grande.
A realidade dos número e a veracidade dos fatos é a seguinte:

A SPH tem hoje 202 servidores e não 813 como a ZH divulgou. Os 607 adicionais são aposentados, que não custam nada a SPH pois seus proventos são pagos pelo IPERGS.

E mais, destes 202 servidores da ativa, 76 já possuem condições de aposentadoria, e 115 são servidores concursados que em sua maioria atuam diretamente em áreas operacionais, e que não podem ser demitidos. Ao contrário da imensa maioria dos órgãos públicos, repletos de cargos de confiança, a SPH possui apenas nove CCs.

Se a intenção do governo é racionalizar gastos e da imprensa informar corretamente, que a verdade sobre a SPH seja adequada e justamente apresentada.

Isso você não sabia.
Interesse público ou privado?



Em meio a confissão de grandes empresários de que houve uma parceria espúria com os representantes do Estado visando a apropriação ilegal e imoral de recursos públicos, descoberta pela Operação Lava Jato, a Agenda 2020 e o MBL, entidades que defendem o enxugamento da máquina pública com a absorção, pela iniciativa privada, dos serviços hoje administrados pelo poder público, realizam hoje e amanhã encontros para manifestar apoio ao pacote de maldades do governo Sartori.
No primeiro encontro a classe empresarial oficializa ao Governo do Estado total apoio às medidas visando a extinção de estatais, com a consequente demissão de servidores, e a supressão de direitos trabalhistas. No segundo, por ocasião do Tá na Mesa, da Federasul, empresários irão solicitar aos principais líderes da base governista na Assembleia Legislativa que seus partidos aprovem as referidas medidas.
As duas reuniões dos empresários com o Governo e com os deputados divergem frontalmente da postura adotada pelo Palácio Piratini e pela Assembleia, que em momento algum priorizaram o debate com as categorias representativas do funcionalismo público estadual. Pelo contrário, fizeram de tudo para agilizar a votação dos projetos de lei para não dar tempo à que os servidores públicos pudessem se articular fazer oposição ao pacote governamental.
A grande questão, que a população precisa avaliar com clareza é: O que é bom para a iniciativa privada, que objetiva tão somente o lucro, é bom para a sociedade, que espera receber a contrapartida do pagamento de seus impostos através de serviços eficazes e de baixo custo? E mais, por que os atuais governantes e parlamentares são tão sensíveis aos interesses da iniciativa privada e tão pouco acessíveis ao clamor dos servidores públicos?
É ou não uma situação estranha num momento estranho? Dá para confiar na sinceridade e nas boas intenções dessa parceria institucional público-privada? Que o exemplo nacional, resultante da Operação Lava Jato, sirva de consciência para os gaúchos e para os seus representantes. Enquanto ainda há tempo.

segunda-feira, 12 de dezembro de 2016

Começa aqui o primeiro de uma série de artigos de opinião sobre assuntos que você não encontra na grande imprensa (não me perguntem o por quê?). Escolhi como título da série "Essa você não sabia."


ESSA VOCÊ NÃO SABIA.


PARLAMENTO GAÚCHO, O BREVE.

O governador Sartori, que se elegeu com a imagem de político que preza e cultiva a transparência, resolveu mandar para a Assembleia Legislativa, em regime de urgência, o chamado pacote de maldades para enxugar a máquina administrativa do Estado.
Regime de urgência, para quem não sabe, significa limitar a tramitação dos Projetos de Lei (PL) a um prazo máximo de 30 dias. Ocorre que esse tempo não permite que a Casa do Povo aprofunde o debate dos mesmos com os diversos segmentos da sociedade organizada, especialmente com as categorias representativas dos servidores públicos estaduais.
Ou seja, não debate antes da elaboração dos PLs e inibe a participação popular na esfera do ambiente legislativo.
E agora o pior. Os líderes dos partidos com acento na Assembleia, em decisão autoritária e nada democrática, resolveram reduzir o prazo de debates em oito dias. Isso significa que ao invés de iniciarem a votação dos PLs no dia 23 de dezembro, quando expira os 30 dias do regime de urgência, os mesmos começarão a ser votados no dia 15.
A pergunta que se impõe é: Por que um Parlamento, cuja denominação tem origem na expressão francesa parler, que significa "falar" ou "discursar", se recusa a utilizar todo o tempo disponível para dialogar com a sociedade? Por que o açodamento temporal?
Para não sofrer pressão dos interessados nos seus votos? Para não ter que trabalhar em convocação extraordinário no período das festas de fim de ano? Ora, mas isso faz parte da atuação parlamentar. É inerente a função.

Esse é mistério dessa antecipação do prazo regimental. E isso você não viu, leu ou ouviu na grande imprensa. Essa você não sabia.

sábado, 10 de dezembro de 2016

VERGONHA

Vergonha de viver num país onde o atual presidente e um ex-presidente da República são denunciados por suspeita de corrupção.
Que vergonha viver num país onde ministros, governadores, presidentes dos poderes legislativos (Câmara dos Deputados e Senado), senadores, deputados e empresários donos das maiores empreiteiras do Brasil, são indiciados como réus em processos judiciais por terem recebido ou distribuído propina.
Muita vergonha por saber que toda essa gente corrupta está impondo ao trabalhador brasileiro, de forma draconiana e impiedosa, uma reforma da previdência repleta de deveres contributivos e sem nenhum direito de poder desfrutar, com qualidade de vida, o desembolso feito durante toda a sua vida laboral.
Envergonhadíssimo de saber que a inflação diminuiu porque os brasileiros estão comendo menos e gastando menos com suas necessidades básicas.
Como dizem as torcidas nas arquibancadas quando seus times não agem corretamente em campo: "Vergonha, vergonha, vergonha, time (governantes, políticos e empresários) sem vergonha".


quarta-feira, 23 de novembro de 2016

Acabou a brincadeira.



O humano é um ser peculiar. Se acho superior, único e esperto. Por conta disso não sofre quando toma decisões e adota posturas dignas dos irracionais, suas "vítimas" preferenciais. Se sou o melhor, faço o que eu quero.

Sartori, por exemplo, combate o funcionalismo com a mesma satisfação do moleque travesso que apita a campainha e sai correndo. E depois veste seu pijama de super-herói e dorme o sono dos justos, convicto de que se fez governador para acabar com a praga da máquina pública e assim salvar o Rio Grande.

O mesmo ocorre com os políticos, especialmente os detentores de mandato, que rasgam discursos e bandeiras para satisfazerem suas consciências e, claro, seus interesses pessoais. Para eles o povo é a campainha.

E os formadores de opinião? Colunistas, articulistas e outros mais? São a campainha. Que sob o argumento de uma utópica independência, variam a pressão do toque. Que pode ser sutil ou estrepitoso. Curioso observar que, ruidosos, são avessos à corneta. Tal qual Sartori, são adeptos da verdade única.

Pois esse jogo da vida, que se repete cotidianamente, por vezes adquire feições de coisa séria. É o chamado choque de realidade. Algo parecido como ser pego na hora do toque arteiro da campainha. E agora, o que dizer? O que fazer?

Pois é isso que está acontecendo. A realidade bate às portas do Palácio Piratini e da Assembleia Legislativa. Os servidores do Executivo resolveram reagir. Querem ser protagonistas e não mais coadjuvantes (vítimas). Cansaram de ser campainha.

Tal mudança de mentalidade e de comportamento, entretanto, parece não estar sendo levado a sério pelo governador, pelos deputados da sua base aliada e pela mídia conservadora. A história é pródiga em exemplos de reação popular. Tirem tudo de uma pessoa, só não mexam na sua dignidade. A refundação pretendida tem tudo para virar revolução.

Ao contrário do que a trombeta governamental e midiática tem propagado, há muito tempo que ser servidor público deixou de ser um privilégio. Um exemplo de pessoa bem sucedida. Com raríssimas exceções. Se observarmos com racionalidade e isenção, veremos que a função pública só tem enriquecido empresários e políticos de má índole e de espírito nada republicanos. Boa parte deles ou estão ou estarão na condição de presidiários.

A brincadeira da campainha, governador, deputados e formadores de opinião, perdeu a graça. E não adianta dizer que se trata de uma guerra entre a maioria da população e os servidores públicos. O povo sabe que o verdadeiro combate continua sendo entre David (detentores do poder) e Golias (os serviçais). E nesses casos a torcida sempre foi e continuará sendo pelo lado mais fraco.

Cutucaram a onça com vara curta, agora não adianta sair correndo. O Rio Grande jamais será como antes. 

quinta-feira, 3 de novembro de 2016

A imprensa e as sandálias da humildade.




A humanidade passa por um processo de reestruturação moral e, como toda obra em construção, comete erros e acertos. Dentre os construtores da nova realidade está a imprensa. Essa, uma espécie de mestre de obras, tem a responsabilidade de primar pela leitura fiel do projeto e pelo repasse das tarefas à todos os demais obreiros. Não é pouca coisa. Daí o cuidado necessário para com as suas funções.

Digo isso por que estou preocupado com certas atitudes que a imprensa vem adotando e que passam a impressão de que o mestre de obras quer fazer às vezes de engenheiro e de arquiteto, para ficar na comparação inicial de uma obra em construção. Ou seja, extrapola seus limites de atuação. Não se contenta com o papel de investigar, comunicar e fiscalizar, fundamentais para uma sociedade que se proponha democrática, ordeira e progressista, e tenta influenciar, ainda que indiretamente, em seus espaços midiáticos, as decisões dos governantes, a quem cabe conduzir os destinos daqueles que nele confiaram o voto, ou induzir seus leitores, ouvintes e telespectadores, à conclusões precipitadas.

Agora mesmo, em Porto Alegre, menos de 24 horas após a definição do novo prefeito da cidade, veículos de comunicação já tratam de questionar o prefeito eleito, cuja posse se dará em 1º de janeiro, sobre quando irá implantar os projetos e ações anunciadas durante a campanha. Ora, mal comparando, mas já comparando, é o mesmo que querer entrevistar um maratonista logo após ele ter cruzado a linha de chegada. Deixem primeiro o cara recuperar o folego.

É o caso do prefeito eleito. Deixem o cara buscar a realidade dos números que só quem está no poder pode saber. E esse desespero pelo lead, pela manchete, em caso de não atendimento por parte do entrevistado, leva a uma sensação de contrariedade que beira a arrogância, com feições de prepotência. Ninguém é obrigado a responder o que ainda não sabe. Se dissesse estaria contrariando uma máxima do jornalismo que é o de dizer a verdade.

E a imprensa precisa saber lidar com isto. Afinal, ela mesmo prega que os políticos sejam mais responsáveis com seus compromissos e suas atitudes. “Chutar” prazos e quantitativos não é ser responsável. Mesmo que a imprensa pense estar prestando um serviço ou provando sua independência editorial, é preciso primar pela razoabilidade da pergunta, sob pena de rotular a resposta como mal educada ou intempestiva.

Aliás, questionar o oportunismo da pergunta também é um direito do entrevistado. E isso não representa animosidade contra quem pergunta. Ou a imprensa não pode ser questionada? E é nessas interpretações equivocadas que surgem estereótipos distorcidos da realidade. O que é injusto. E injustiça não é atributo da imprensa responsável.

Por isso, é preciso que a imprensa tome muito cuidado com rótulos e carimbos para identificar alguém. Por que não dar ao prefeito recém eleito a mesma tolerância dada, por exemplo, ao governador Sartori, nos seus primeiros meses de governo. E olha que ele não se comprometeu com praticamente nada durante sua campanha. O que é pior, prometer e ganhar um tempo razoável para cumprir, ou não prometer e fazer muito pouco? No fundo o fazer é que importa. Criticar antes de ter a oportunidade de fazer é que, ao meu ver, está errado.

Aliás, posso estar equivocado nesta minha avaliação e nem por isso vou ficar contrariado com quem dela discordar. É assim que uma sociedade civilizada se comporta e evolui. Sei que os porto-alegrenses, por tudo o que estão passando, especialmente nas área da saúde, segurança e educação, estão com pressa, mas nada justifica que tenham que receber informações apressadas e imprecisas.

Como diz a expressão popular, cada um no seu quadrado. Agora é hora de cobrar de quem disse que faria e não fez e não de quem ainda não tem teve a oportunidade de começar a fazer. Penso que está na hora da imprensa calçar as sandálias da humildade. 

sexta-feira, 28 de outubro de 2016

Qual é a realidade financeira da prefeitura de Porto Alegre?





A derrota de Sebastião Melo no pleito municipal, se confirmada a tendência mostrada pelas pesquisas eleitorais, terá um impacto negativo no PMDB muito maior do que o esperado. Não pela perda do poder alcançado havia 12 anos, mas pela perda do discurso de que o imobilismo e a fragilidade do governo Sartori está baseada na crise econômica herdada do governo Tarso. Em outras palavras, a subtração da credibilidade popular. E credibilidade, todos sabem, é a grande moeda de troca entre o político/partido e o eleitor.

E que os mais afoitos não concluam que estou dizendo que o governo petista não tem culpa pelo agravamento da crise financeira do Estado. Os números até agora levantados mostram que tem. Mas por que então estou dizendo isto? Porque são cada vez maiores os indícios de que a realidade financeira da Prefeitura de Porto Alegre está sendo camuflada pelo interesse eleitoral. Ou será eleitoreiro? E neste caso a estratégia do PT na campanha de 2014 estaria sendo copiada na atual eleição pelo PDT/PMDB. A prática da velha e desgastada teoria Ricuperiana (Rubens Ricupero) de que “o que é bom a gente mostra, o que é ruim a gente esconde”.

E não são poucos os indícios de que a precária situação financeira do erário municipal está sendo escondida na campanha eleitoral, apesar dos fortes sinais dessa realidade, que vão desde o atraso do pagamento dos prestadores de serviço até os boatos surgidos entre os próprios servidores de que o atraso dos seus pagamentos está cada vez maior próximo de acontecer. Recentemente dois sintomas confirmaram essa previsão.

O primeiro deles foi a distribuição antecipada para outubro (contrariando uma pratica dos anos anteriores) dos DOCs do IPTU. O segundo, divulgado hoje pela imprensa, diz respeito a decisão da Justiça de proibir que a prefeitura retenha o repasse obrigatório do duodécimo a que a Câmara de Vereadores de Porto Alegre faz jus. Ou seja, impedindo o descumprindo de uma obrigação constitucional.

Nesse universo de dúvidas e incertezas, cai muito bem o discurso da transparência apregoado pelo candidato Nelson Marchezan. Está na hora de dissipar essa ameaçadora dúvida da verdadeira realidade financeira da prefeitura da capital. Até porque isto é um direito dos contribuintes. E diria mais, está na hora de fazer cair as máscaras daqueles que fazem da política um instrumento de autobenefício, onde os fins justificam os meios. Para o bem de Porto Alegre e, principalmente, dos porto-alegrenses. 

quinta-feira, 27 de outubro de 2016


Uma foto desfocada da realidade.

 

Normal o apoio manifestado pelo PCdoB, com adesões pontuais do PSol e do PT, à candidatura de Sebastião Melo. Sempre que a intenção foi atacar e agredir a imagem de alguém ou desconstituir algo, os comunistas estiveram na linha de frente. Se é para destruir e avacalhar é com eles. Ainda mais quando o aliado, no caso Melo, atua na mesma frequência negativa. É um apelo irresistível. Um campo fértil para a prática da má política.

 

A desculpa de que a adesão foi em consequência da "agressão" do MBL à Juliana Brizola, é de fazer ruborizar até o capeta. É difícil, sei, reconhecer publicamente o instinto de escorpião, mas no caso em questão isso fica muito transparente.


A foto de Melo cercado por inimigos históricos do PMDB, cujos partidos lideram o "Fora Temer" e que apoiam integralmente o pedido de impeachment de Sartori impetrado pelo Cpers, é daquelas de esconder no fundo do baú das más lembranças. Representa uma fatura que certamente lhe será cobrada pelo resto da sua vida política.

 

Mas Melo já demonstrou nesta campanha que faz qualquer coisa para se manter no poder. Azar o dele que escolheu o momento errado para isso. O tempo e as urnas, senhores da razão, haverão de lhe oferecer esse aprendizado. Assim é a vida. Aqui se faz, aqui se paga.

 

segunda-feira, 24 de outubro de 2016

Fazer mais ou fazer diferente?





Minha experiência em eleições mostrou que nenhuma campanha prospera se sua mensagem não estiver afinada com o anseio popular do momento. No caso de Porto Alegre, a insatisfação generalizada com os cuidados básicos da cidade já era sentida antes mesmo do período eleitoral. Ou seja, havia um clima latente de insatisfação e, consequentemente, um apelo por mudança. Se não de nomes, de atitudes.

E foi ai que os dois disputantes do segundo turno da eleição mostraram suas diferenças. Melo, representando o governo vigente, e Marchezan, a nova alternativa. Ora, se o descontentamento se fazia visível até mesmo nas pesquisas de avaliação do desempenho do atual governo municipal, a mensagem ao eleitor só poderia ser a de melhoria do que ai está e não prometer mais do mesmo.

Por foi justamente isto que a mensagem de Melo fez. No jingle, por exemplo, isso fica explícito quando é feita a pergunta, "quem pode fazer mais, quem nunca fez ou quem sabe como faz?" Quem escuta isso imediatamente faz a seguinte associação: Se sabe, por que não fez? E ai fica difícil dissociar as manchetes negativas e diárias da imprensa, especialmente as ligadas à segurança pública, com a gestão municipal, pois é na cidade que as pessoas vivem.

Marchezan, ao contrário, mirou no desejo popular de viver um novo tempo. E focou sua mensagem na mudança. "Prá fazer diferente, agora vale a pena acreditar", diz o refrão do seu jingle. Isso soou como música aos ouvidos dos porto-alegrenses. Se vai fazer ou não passou a ser secundário perto do apelo causado pelo rótulo do novo. Da mudança.
Isso, aliado a outras questões repudiadas pelo eleitor contemporâneo, como não estar envolvido em suspeita de corrupção (ficha limpa), deram ao candidato tucano uma simpatia diferenciada que, pelo que as pesquisas estão indicando, está virando adesão.

Falta apenas seis dias para saber de fato qual das estratégias foi vitoriosa. Que a normalidade da campanha permita que a vontade da maioria prevaleça.


sábado, 22 de outubro de 2016

É preciso frear a barbárie eleitoral.




Confesso que uma das minhas expectativas para este eleição, a primeira após as grandes mobilizações iniciadas em junho de 2013, era como a classe política iria se portar. Se teimariam com a velha e desgastada prática da arrogância, da mentira e do autoritarismo político, ou se evoluiriam para uma campanha mais propositiva e identificada com a vontade popular. Tudo isso em meio ao tsunami provado pela Operação Lava Jato.

Outra curiosidade era se, finalmente, a Internet teria condições de interferir, efetivamente, na campanha eleitoral e, consequentemente, no resultado da eleição.

Pois para minha surpresa, a grande modificação em relação as eleições anteriores foi o protagonismo dado ao radicalismo e ao ódio. Pelos candidatos e, principalmente, pelos defensores de suas candidaturas. E ai vale tudo. Desde pichação, depredação e vidraças quebradas à tiros de comitês, até o bate boca agressivo e predatório da imagem pessoal dos candidatos.

Mas o maior campo de batalha está sendo mesmo as redes sociais, que se transformaram num verdadeiro UFC virtual. Recentemente vi um internauta comparar um dos candidatos à prefeitura de Porto Alegre a Adolf Hitler. E pensar que até pouco tempo radicalismo era visto como monopólio dos partidos de extrema esquerda.

Antes mesmo das urnas proclamarem sua decisão, concluo que o país está merecendo uma outra reforma, além das conhecidas tributária, fiscal, previdenciária e política. Trata-se da reforma eleitoral. Não dá para considerar como normal tudo o que estamos observando. Isso que estamos assistindo não pode ser considerado como liberdade de expressão. É preciso organizar e disciplinar esse novo momento, sob pena de vermos a anarquia e a barbárie se sobrepor a democracia.

segunda-feira, 10 de outubro de 2016

O super secretário de Sartori.




Um ex-secretário de Sartori, quando ele foi prefeito de Caxias do Sul, contou-me que o atual governador do Estado tem por hábito consultar o seu reduzido núcleo de confiança antes de tomar decisões importantes.  Formado por pessoas do seu círculo de amizades pessoais, estes assessores servem de bússola para o norteamento das convicções de Sartori.

Mas por que digo isso? Porque um desses consultores confiáveis está por se tornar um super secretário. Trata-se do secretário geral de Governo, Carlos Búrigo, que segundo os corredores palacianos irá absorver as atribuições de secretário do Planejamento. Caberá a ele, um técnico e não um político, coordenar o programa de extinção, venda e fusões de estatais.

Dentre suas atribuições estará o convencimento dos parlamentares para a aprovação das iniciativas encaminhadas à Assembleia Legislativa. Ocorre que estas iniciativas foram geradas com a sua participação direta, o que significa explícita aceitação e concordância do seu amigo e chefe Sartori. E é assim, na condição de fiel escudeiro do governador, que ele irá defender os projetos apresentados ao poder Legislativo.

E é aí que está o “furo da bala”. Como alguém que coloca o amizade com o governador acima das questões de Estado, sem expertise política e parlamentar, pode servir de interlocutor com os deputados e com servidores diretamente afetados pelos projetos de lei? 

Ah, mas para isso é que serve o líder do governo, dirão alguns. Ledo engano. O líder do governo nada mais é do que um intermediário, um vendedor de produtos acabados. O que realmente tem significado, valor e importância é a decisão política de propor e executar. E isso Búrigo tem de sobra. Arrisco dizer até que ele tem carta branca para decidir.


Foi assim em Caxias, me confidenciou o ex-secretário caxiense, e tudo indica será assim no governo do Estado. Resta saber qual será a reação do Parlamento gaúcho, dos servidores e da sociedade. Obediência fiel e irrestrita, à la Búrigo, ou posicionamento consciente e socialmente responsável? É ver para crer.
Onde foi parar a meia estação?




Sem dúvida 2016 está sendo um ano diferenciado. Não, não estou me referindo a crise política e econômica do país. Estou falando da situação climática. Os mais antigos, como eu, devem se lembrar dos anos em que as quatro estações se manifestavam de forma ordeira e disciplinada. Daí a condição privilegiada de observadores das mudanças climáticas e também das teses para explica-las. Efeito estufa, aquecimento global, La Ninha, El Ninho e outras mais.

Não me sai da memória a previsão de especialistas de que se não modificarmos nosso modo de interagir com a natureza, quer como indivíduo globalizado, quer como agentes produtores de modificações culturais, laborais e ambientais, seremos vítimas das consequências da elevação da temperatura do planeta.  Os tórridos meses de verão, prolongados em duração ano após ano, pareciam confirmar o prognóstico dos estudiosos do tempo.

Mas aí veio 2016 e com ele a contradição climática. Dos dez meses do ano, sete foram de temperaturas baixas. A tal ponto de termos baixas temperaturas em meio a chegada do horário de verão. Tal atipicidade me faz lembrar de duas histórias. A primeira refere-se a declaração de um técnico japonês do Banco Mundial, que ao sobrevoar Porto Alegre de helicóptero manifestou sua surpresa ao ver tantas piscinas. “Como uma cidade que tem temperatura moderada e fria na maior parte do ano pode ter tantas piscinas e tão pouco sistema de calefação”, disse ele.


A segunda, uma piada regional, que pode muito bem servir de resposta à curiosidade do técnico, é a de que no Rio Grande do Sul só existem duas estações, o inverno e o verão. E que nos caso das cidades serranas é adaptada para inverno e estação rodoviária. Singularidades a parte, 2016 parece confirmar a excepcionalidade climática. O fato é que cada vez mais estamos usando menos o termo “meia estação”, o que faz com que eu, aleatoriamente, me veja cantarolando a música de Noel Rosa que diz “com que roupa eu vou, ao samba que você me convidou...”. 

quarta-feira, 21 de setembro de 2016

Vai ter surpresa na eleição de Porto Alegre?



Embora os quatro principais competidores à eleição para a prefeitura de Porto Alegre apareçam com percentuais muito próximos na pesquisa Methodus, publicada hoje no CP, observa-se uma tendência inédita em termos eleitorais, se considerarmos o período da redemocratização brasileira. Refiro-me a ausência de candidatos da esquerda no segundo turno.

A tendência, ainda não consolidada, tem como base a pesquisa Ibope realizada exatamente há um meses atrás. Em 22 de agosto, Luciana Genro aparecia em primeiro lugar com 23% e Raul Pont em segundo, com 18%. Em terceiro e quarto, respectivamente, vinham Marchezan, com 12%, e Sebastião Melo, com 10%.

Hoje, pela pesquisa Methodus/CP, essas posições se inverteram. Melo está em primeiro, com 21%estimulada e 18,2% na espontânea; Marchezan aparece em segundo com 13,7% e 9,7%, respectivamente; Pont está em terceiro, com 11,8% e 9,5%; e Luciana com 11,5% e 8,5%.

Numa rápida análise comparativa das duas pesquisas, percebe-se duas importantes razões: o tempo da propaganda de rádio e televisão e a crise política gerada a partir das ações da operação Lava Jato. No primeiro aspecto, a principal prejudicada, sem dúvida, foi Luciana Genro, que com seus 12 segundos está praticamente invisível na televisão. O interessante é que dos quatro partidos realmente na disputa o Psol, partido de Luciana, é o único que não foi afetado pela Lava Jato.

Os demais, embora em diferentes níveis, aparecem com destaque negativo na mídia. Pont, do PT, é sem dúvida o mais prejudicado. Por razões óbvias, principalmente pelos acontecimentos que envolveram Dilma e Lula, os principais líderes do partido. A tendência é de dificuldade de crescimento, em razão do noticiário sobre a transformação de Lula de suspeito em réu.

Marchezan, com seu PSDB ainda pouco afetado midiaticamente pelas denúncias de corrupção, apesar de ter o PP como companheiro de chapa, este sim frequentador das manchetes, tem a seu favor sua conduta pessoal, muitas vezes diferenciada da maioria dos seus correligionários, o que lhe dá uma aparência de independência, muito próxima do estereótipo comum do eleitor brasileiro, que é a de crítico do modus operandis da política e dos políticos do país. Tudo indica, pelo crescimento nas pesquisas, que essa identificação começa a dar frutos.

O mesmo pode ser dito para Sebastião Melo. Nesse caso com uma imunidade ainda mais surpreendente. Melo, apesar do PMDB estar no olho do furacão midiático da Lava Jato, com várias lideranças peemedebistas envolvidas, e de integrar o PMDB do governo Sartori, muito mal avaliado pelos gaúchos, está conseguindo se manter na faixa dos 20% nas recentes pesquisa realizadas.

A meu ver, de maneira ainda frágil, basicamente sustentada pelo tempo de televisão, duas vezes e meia maior do que o de Marchezan; três vezes mais do que o do Pont; e trinta e três vezes maior do que o da Luciana. Outro fator preponderante na sua condição de candidato melhor avaliado é, sem dúvida, o fato dele ser o representante da continuidade, com o atual prefeito e a máquina administrativa atuando como cabos eleitorais.


Neste cenário eletrizante, cada dia tem a sua importância multiplicada. Por isso as próximas pesquisas serão decisivas para a definição dos votos do expressivo número de leitores indecisos. Aliás, tem pesquisa Ibope/RBS neste final de semana, sabiam? 

quinta-feira, 1 de setembro de 2016

Na vida tudo muda, se aprimora, menos o PT.




O PT mente. Até aí nenhuma novidade. Mas mente tão completamente que mente até para si mesmo. Ou será que ninguém percebeu que o impeachment de Dilma Rousseff serviu de tábua de salvação para o futuro do Partido dos Trabalhadores? Para tentar desfazer a imagem de partido corrupto, vestindo a máscara de vítima.

 Daí a falta de uma reação mais contundente, ao estilo PT, durante todo o processo que acabou afastando o partido da presidência da República. Com exceção dos discursos destemperados, as vezes transloucados, de alguns deputados e de alguns senadores do PT, a declaração de Lula de que o partido não cairia sem lutar, ao fim e ao cabo, não passou de uma bravata. O Exército Vermelho do Stédile não apareceu e as manifestações populares pró-Dilma foram muito tímidas.

E aí é que se encontra, na verdade, o caminho traçado pelo PT para impedir que o partido caísse em desgraça no cenário político brasileiro. E, principalmente, que o Deus Lula fosse para a cadeia. Desacreditado e desmoralizado pelo envolvimento de suas principais lideranças nos escândalos do Mensalão e do Petrolão, várias delas aprisionadas, não restou outra alternativa ao partido a não ser oferecer a cabeça de Dilma em sacrifício. Até por que a saída dela havia se tornado uma realidade numérica, considerada a tendência dos votos a favor do impeachment, no Congresso Nacional.

A partir da constatação de que a perda do poder era inevitável, foi que o PT traçou sua estratégia de sobrevivência. Vão-se os anéis e ficam os dedos. Ou seja, sai Dilma mas fica o PT. E cá entre nós, decisão lógica. O habitat natural do PT sempre foi a oposição. Como governo, tal qual peixe fora d’água, o partido sempre teve grandes dificuldades. Daí a decisão de aproveitar a imolação de Dilma transformando-a numa espécie de Joana d’Arc do PT.

Papel aceito, Dilma desfez-se da imagem de estadista, própria de quem teve a oportunidade única de presidir um país, e trajou-se de vermelho, retornando ao estilo guerrilheira. E já anda por aí bradando vingança, defendendo uma oposição raivosa contra o novo presidente. E o pior é que está cativando adeptos. Nem reparou que mais uma vez está servindo como inocente útil aos interesses do PT. Digo inocente porque antes mesmo do que ela imagina, tão logo se torne dispensável, será mais uma vez abandona pelo seu partido. Mas aí a história é outra.

Tal qual a fábula do escorpião e o sapo, o PT, por mais que tente, não consegue resistir a sua natureza (índole). Mas se o PT não muda, o povo brasileiro começa a dar mostras de que está mudando. Está mais exigente com os seus governantes e intolerante com as atitudes dos seus representantes no Legislativo. Espero, sinceramente, que esteja também menos ingênuo. As eleições deste ano estão aí para testar essa tendência de mudança de mentalidade.