sexta-feira, 29 de maio de 2015

Pensamentos do dia.



  • Quisera todos os assuntos relevantes para o país tivessem a mesma celeridade e o mesmo interesse demonstrado pelo Congresso Nacional para a investigação das fraudes praticadas pela FIFA. Vergonha por sermos reconhecidos como o país do futebol.
  • O rôto e o esfarrapado. Se a solução para os problemas financeiros do Rio Grande do Sul depende do auxílio da União então a situação que já está ruim vai ficar ainda pior. Tal qual um “cabo de guerra”, Estado e União disputam ferrenhamente o troféu de campeão da crise financeira.
  • Difícil de entender a lógica financeira da União e do governo gaúcho para a redução do desequilíbrio financeiro das suas contas. Para combater o déficit querem aumentar impostos e reduzir os ganhos salariais dos trabalhadores. Ou seja, diminuir o consumo. Nunca vi fazer o bolo crescer usando menos ingredientes. Só se for artificialmente.
  • A inexpressiva representação do Movimento Brasil Livre no manifesto de Brasília, na última quarta-feira, mostrou que o sonho de Kim Kataquiri e seus seguidores, de conseguir o impeachment da presidente Dilma, não passou de um devaneio de outono. Legítimo caso da montanha que pariu um rato.
  • Ao não aprovar nenhuma das propostas de reforma política a Câmara dos Deputados manteve a escrita de pensar apenas naquilo que lhe interessa. Mais, os parlamentares mostram claramente que não estão preocupados com o apelo das multidões. Estão pagando para ver. O jogo está feito.
  • Recomendo a leitura da coluna do Juremir Machado desta sexta-feira no Correio do Povo. 


quinta-feira, 28 de maio de 2015

Por que o PMDB maltrata o funcionalismo?




O Brasil é o país com maior carga tributária do planeta. Dos doze meses do ano o trabalhador brasileiro utiliza cinco deles apenas para pagar impostos. E mesmo assim os governantes teimam em considerar o trabalhador como responsável pelas dificuldades financeiras do erário. O achatamento dos proventos dos aposentados, por exemplo, é alardeado como necessário para não sobrecarregar o déficit previdenciário e, consequentemente, aumentar o desequilíbrio financeiro do Tesouro nacional. Mas os trabalhadores não contribuíram durante décadas para receber uma aposentadoria que lhes possibilitasse manter a sua qualidade de vida? Sim, mas esse é um detalhe insignificante para os governos. O que importa é o equilíbrio das contas. Mesmo que isso signifique prestar serviços públicos de qualidade terceiro mundista, apesar de uma tributação de primeiro mundo. Mesmo que a lucratividade dos bancos seja estratosférica. E mesmo que a corrupção consuma expressiva fatia dos orçamentos públicos.

Mas se à nível nacional o trabalhador é visto como o algoz das contas públicas, nos estados a situação é ainda pior. E nesse particular o Rio Grande do Sul é pródigo em classificar o funcionalismo público como principal responsável pela histórica crise financeira do Estado. Pelo menos é o que se depreende das atitudes tomadas pelos governos do PMDB e, para não ser injusto, todos os governos que antecederam o de Sartori. Ocorre que ninguém ocupou por tanto tempo o Palácio Piratini como o PMDB. Contando com o atual foram quatro governos. Isso significa dezesseis anos. Doze anos e cinco meses já cumpridos e três anos e sete meses por cumprir. Se considerarmos o tempo em que o PMDB permaneceu no comando do Estado veremos que isso significa um terço do período resultante da volta das eleições diretas para o governos estaduais. E mesmo com toda essa experiência os governos peemedebistas mantiveram a escrita de satanizar o servidor público estadual. Talvez esta seja a razão pela qual o então candidato José Ivo Sartori não ter apresentado, na campanha, o seu plano de governo para o funcionalismo. Ele já estava implícito no comportamento padrão do PMDB.

No governo Simon (1987-1990), o primeiro da série, já no primeiro ano de governo, foi derrubada na Justiça aquela que era e continua sendo a principal bandeira do magistério gaúcho, o piso salarial. Na ocasião vigia o piso de 2,5 salários mínimos. Caso isso não tivesse acontecido o piso estaria hoje em R$ 1.970,00 e não nos atuais R$ 1.697,31, considerado o menor vencimento básico inicial dentre todos os estados. Depois vieram os governos Britto(1995-1999) e Rigotto (2003-2007) e com eles o parcelamento do pagamento dos salários. Na gestão Britto encontra-se também uma das causas da atual escassez de servidores em áreas vitais como a educação e a segurança: a implantação do Programa de Demissão Voluntária.

E aí chegamos ao governo Sartori (2015-2018). Ao contrário dos seus antecessores do PMDB, o ex-prefeito de Caxias se elegeu sem ter se comprometido com nenhuma das prioridades estabelecidas pelo funcionalismo. E foi o único dos candidatos que se recusou a assinar a carta compromisso apresentada pelo Cpers. E hoje se sabe bem o porquê. Porque o PMDB considera os servidores público culpados pela crise financeira do Estado e não os governos. Então dê-lhe congelamento e parcelamento de salários, corte de horas extras, contingenciamento de concursados, extinção de benefícios trabalhistas e outras medidas que pelo que dizem ainda serão anunciadas. Fico imaginando o prazer sarcástico dos responsáveis pelo pacote de maldades que irá atingir o funcionalismo. “Corta a aposentadoria especial deles”, diz um. “Acaba com a licença-prêmio”, diz outro. “Extingue a incorporação de gratificações”, brada um terceiro. Desconhecem ou pouco se importam de que o que chamam de privilégios são, na verdade, conquistas históricas da categoria.

Governos passam e os servidores permanecem. Será difícil de entender isso? Pense no que seria da vida do cidadão sem o serviço público. Sem professores e sem policiais, por exemplo. Tá, eu sei, que hoje muitos dos serviços dessas duas áreas estão sendo supridos pela iniciativa privada, mediante desembolso financeiro de quem pode. Uma espécie de bitributação. Mas os 92,3% do funcionalismo – 322 mil servidores - que recebem até R$ 5.100,00 não podem se dar a esse luxo. E toda essa insatisfação gerada no meio acaba se refletindo na prestação dos serviços prejudicando, em última instância, toda a população.  


Isso me lembra a história de uma briga entre dois brutamontes onde o perdedor resolve se vingar batendo em um anão que estava observando a luta. Bater no funcionalismo público é fácil. Difícil é cobrar a dívida ativa e peitar a União, exigindo a redução dos juros da dívida e o pagamento devido pela Lei Kandir. Demonstração de valentia é acabar com os incentivos fiscais. É fazer uma gestão criativa e inovadora, ampliando o leque de alternativas econômicas, hoje baseadas majoritariamente no setor primário. Resta saber se o governador Sartori estará disposto a enfrentar esses desafios. Tempo é que não lhe falta. Mas colocando o funcionalismo como adversário ficará muito mais difícil.

segunda-feira, 25 de maio de 2015



É de vagar, é de vagar, devagarinho...



O Rio Grande do Sul é mesmo um estado diferente. Seus governantes demoram demais para implementar iniciativas que deram certo em outros estados. O mesmo não ocorre porém com a criminalidade. Aqui os bandidos acompanham em igualdade de condições as modalidades dos crimes praticados nos estados mais inseguros, como Rio de Janeiro e São Paulo. Será que essa vanguarda criminal não está correlacionada com a lentidão do governo em resolver seus problemas no setor? Tudo indica que sim.

Vereadores de Montenegro cassam mandato
 do prefeito Paulo Azeredo.




Deu a lógica. Como era esperado a Câmara de Vereadores de Montenegro cassou por oito votos favoráveis e dois contra o mandato do prefeito Paulo Azeredo (PDT). A decisão é resultado do processo de impeachment aberto contra Azeredo por supostas irregularidades na construção de uma ciclovia. É a primeira vez que a cidade tem um prefeito cassado. No lugar de Paulo Azeredo, que antes de ser prefeitos foi eleito quatro vezes deputado estadual, assume o vice, Luiz Américo Alves Aldana  (PSol).

sábado, 23 de maio de 2015


Saúde à preço de cachorro-quente.

Outra área de responsabilidade do Estado que se encontra em condições caótica é a da Saúde. Com uma vultosa dívida a ser saldada, sem que aja qualquer horizonte para a sua quitação, os hospitais filantrópicos e santas casas estão tendo que se virar como podem para manter o atendimento pelo SUS. Em Bom Retiro do Sul o Hospital de Caridade Sant'Ana teve que apelar para receitas alternativas, como a venda de cachorros-quentes para continuar com as portas abertas. Leia a reportagem publicada hoje no site do Correio do Povo.



O Hospital de Caridade Sant'Ana, de Bom Retiro do Sul, tem R$ 230 mil para receber o Governo do Estado. Para conseguir manter suas atividades está promovendo atividades para angariar fundos. Nesta sexta-feira, as Amigas do Hospital formado por um grupo de mulheres voluntárias, promoveram a campanha do Cachorro-quente. A comercialização foi feita no hall de entrada da casa hospitalar durante todo dia, das 8h até as 17h.
Conforme as organizadoras, a meta era vender 1,5 mil lanches, e foi superada em 350 unidades, sendo comercializados 1.850 cachorros-quentes ao valor unitário de R$ 8. A arrecadação totalizou R$ 14,8mil.
A diretora do hospital, Simone Diedrich, acompanhou as atividades durante todo dia. Ela assegurou que o valor será investido na manutenção das atividades do hospital. “Este dinheiro vai ser usado para pagar contas”, explicou ela.
A direção do hospital tem planos prontos para a realização de outras atividades com o mesmo objetivo. Um deles será uma Ação entre Amigos com o sorteio de prêmios para poder conseguir recursos para a casa de saúde. Outra atividade é o Troco Amigo. A intenção é fazer uma parceria com os estabelecimentos comerciais da cidade onde os clientes ao fazerem suas compras poderão depositar o troco, ou o valor que desejarem.
Rio Grande à beira de um ataque de nervos.




Está faltando muito pouco para que o Rio Grande do Sul – Porto Alegre em especial – possa ser considerado em estado de calamidade  pública na  área  da  segurança.  Não  existe  mais tranquilidade em lugar algum. Nem na capital e nem no interior. Nem fora e nem dentro de casa. Nem mesmo dentro de uma igreja,  como  se  viu  dias  atrás  em Tapera. E para piorar ainda mais a situação os policiais civis e militares ameaçam  fazer  greve  pelo  descaso  com que o Governo do Estado os está tratando. Juro  que  pensei  que  a declaração do secretário estadual da Fazenda, de que se o RS não conhecia o caos,  agora  iria  conhecer,  se  referisse apenas ao aspecto econômico da crise. O rastilho está acesso e a próxima  explosão  será  na área da educação. Outra greve anunciada. Verdadeiro salve-se quem puder.



O sonho da renegociação da dívida virou pesadelo.



O que já era difícil agora se tornou impossível. Refiro-me a renegociação da dívida do Estado do Rio Grande do Sul com a União. Propalada como solução definitiva para a crise financeira, a proposta ajudou a eleger os dois últimos governadores. Tarso Genro, que se tornou governador com o discurso do alinhamento das estrelas e José Ivo Sartori, que dentro o pouquíssimo que disse na campanha, prometeu dar seguimento às negociações com o Governo Federal. 

Pois hoje os jornais de todo o país estampam em suas capas que a União, com a desculpa de impedir a volta da inflação, decidiu cortar R$ 69,9 bilhões do seu orçamento para 2015. Com isso o Governo Federal não só inviabiliza qualquer negociação sobre a redução das dívidas dos Estados como coloca sob risco as poucas obras de infraestrutura que estavam sendo realizadas. Ou seja, o que era pouco tende a se tornar quase nada. E a tão esperada renegociação da dívida acabou se tornando um sonho de outono, inverno, primavera e verão.

E agora José?

sexta-feira, 22 de maio de 2015

Algozes da CPI do Detran provam
 o dissabor de se tornarem réus.



Quatro dos principais algozes do governo Yeda Crusius na CPI do Detran passaram ou estão passando por problemas com a justiça pela suspeita de terem praticados irregularidades. É a negação do texto bíblico que diz que “quem não tiver pecado que atire a primeira pedra”. Mais que isso, prova a necessidade de se duvidar dos falso profetas da honestidade suprema. No caso, por suas condutas, os quatro envolvidos se enquadram em outro provérbio, o de que “pimenta nos olhos dos outros é colírio”. Quem são eles? Os petistas Elvino Bohn Gass e Stella Farias, e os pedetistas Gilmar Sossela e Paulo Azeredo.

Quem não lembra da fúria acusatória impiedosa desse quarteto. Tiveram tanta projeção com suas posturas agressivas que dois deles conseguiram se reeleger deputado estadual, o terceiro, deputado federal, e o quarto, prefeito. Pois foi acabar a CPI para começar os seus calvários com a justiça. Stella Farias foi condenada pela justiça de Alvorada por improbidade administrativa praticada na época em que foi prefeita do município. A decisão porém foi modificada pelo TJ-RS, que a absolveu da acusação. Depois foi a vez de Elvino Bohn Gass, que foi citado pela PF por suspeita de participação na fraude do Pronaf, que prejudicou pequenos produtores rurais de Santa Cruz do Sul e Sinimbú. A exemplo de sua companheira de partido teve seu envolvimento arquivado por falta de provas.  

Já os pedetistas Gilmar Sossela e Paulo Azeredo estão tendo mais dificuldades para se livrarem das suas acusações. Sossela só se mantém deputado estadual por força de uma liminar do TSE até que seja julgado o mérito do recurso impetrado por sua defesa. Caso ela seja negativa às suas pretensões, valerá a cassação do mandato anteriormente determinada pelo TRE-RS. O motivo? Captação irregular de recursos para a sua campanha. Mas o caso mais complicado é o do prefeito de Montenegro, Paulo Azeredo, que tem um impeachment praticamente assegurado pela Câmara Municipal de Vereadores, pela prática de diversas irregularidades na construção de uma ciclovia no município.


O sofrimento dos quatro algozes da CPI do Detran mostra que a banca (Justiça e Parlamento) paga, mas cobra.




Tarso Genro diz o que já teria feito se tivesse sido reeleito.




No jantar comemorativo aos cinco anos do portal de notícias Sul 21 perguntei ao ex-governador Tarso Genro o que ele, caso tivesse sido reeleito, teria feito nos primeiros cinco meses do novo mandato. Ele respondeu que já teria encaminhado um novo financiamento de R$ 2 bilhões, “pois o Estado tem condições legais para isso”; teria tirado a Secretaria de Infraestrutura das mãos do PSB, “por ter destruído a pasta”; e estaria consolidando o Fundo de Aposentadoria dos Servidores Estaduais, criado em seu primeiro mandato.


Habemus plano de governo.

                                                                                                                                                                                                                 ZH/Julio Cordeiro

Demorou mas finalmente o governador Sartori apresentou seu plano de governo. Sim, plano, pois para ser um programa de metas precisaria ter maior detalhamento e não apenas intenções generalizadas. Aliás, o painel de fundo do palco onde foi feito o anúncio já denominava o evento como Acordo de Resultados – 2015. O normal seria ter apresentado o plano no transcorrer da campanha. Talvez por isso Sartori não tenha feito nenhuma promessa e não tenha assumido nenhum compromisso. Acabou apresentando o plano quase sete meses depois do anúncio da sua vitória nas urnas. Antes tarde do que nunca.

quinta-feira, 21 de maio de 2015

Uma verdade inconveniente.




Em recente palestra à empresários paulistas o governador José Ivo Sartori ratificou aquilo que tem se tornado um mantra nas suas manifestações, qual seja, de que o Estado enfrenta um desequilíbrio das contas públicas sem precedente. E para dar mais ênfase ao significado dessa situação, disse que não lhe cabia esconder isso, pois se elegeu com o compromisso de dizer a verdade. Pois é justamente aí que está o xis da questão.

No início desta semana o jornal Correio do Povo publicou uma reportagem onde o governo gaúcho e o Tribunal de Contas do Estado (TCE) divergiram profundamente nos números relativos ao percentual de comprometimento da folha de pagamento do funcionalismo sobre a Receita Corrente Líquida(RCL). Trata-se de um enfoque da maior importância, aja visto que os porta-vozes do Piratiní tem se utilizado dessa argumentação para justificar medidas impopulares, como por exemplo, o pagamento parcelado dos salários dos servidores públicos estaduais.

Nesse embate de quem está com a razão o Governo do Estado afirma peremptoriamente que o percentual de comprometimento dos gastos com a folha de pagamento sobre a RCL é de 75,5%. E repetiu isso à exaustão nas incursões da Caravana da Transparência e até na Comissão de Finanças da Assembleia Legislativa. O TCE, entretanto, apresenta outra realidade. Para o Tribunal esse comprometimento, feita a projeção para 2015, atingirá entre 53% e 54% da RCL.

Como dá para perceber, existe uma significativa diferença de aproximadamente 20% entre as duas informações. A secretária estadual da Fazenda assegura que seus números são reais. O TCE, por sua vez, considera que os números do Governo do Estado são superestimados, uma vez que não excluem os gastos com pensões e a apropriação da despesa com a revisão anual dos órgãos, e não deduzem o imposto de renda retido na fonte dos servidores, todos eles aceitos contabilmente pela Lei de Responsabilidade Fiscal.

E agora? Quem está com a razão? O experiente TCE, responsável pelo resguardo da boa e justa aplicação dos recursos públicos, ou o novo governo, que só descobriu o tamanho da crise meses após ter assumido. Esta é a questão que, por sua importância econômica e política, precisa ser respondida o mais rapidamente possível.  Até porque se a informação correta for a da Secretaria da Fazenda estará comprovado uma ato de ilegalidade, qual seja, o descumprimento do limite máximo de 60% estabelecido pela LRF para gastos com pessoal. E isso implicaria na aplicação de uma série de sansões penais ao Estado, tanto de ordem financeira como política, podendo inclusive fazer com que o governador perca o cargo e tenha seu mandato cassado.

Mas por trás dessa discussão contábil e legal está uma outra que envolve o maior patrimônio de uma instituição pública, a credibilidade. Como poderá o TCE, se comprovada a correção dos números da secretaria estadual da Fazenda, ter autoridade para continuar julgando as contas do Estado (inclusive e especialmente da atual gestão) e dos Municípios? Por outro lado, caso a verdade esteja com os dados do TCE, como o governador Sartori, que tem seu projeto administrativo-financeiro alicerçado na necessidade de redução dos gastos com o funcionalismo, poderá se sustentar politicamente até o fim do seu mandato?


É pela grandeza e importância desse embate que me surpreende que tal divergência de opiniões não tenha sido devidamente abordada pelos mais diversos segmentos da sociedade gaúcha.  Será por que se trata de uma verdade inconveniente?

quinta-feira, 14 de maio de 2015


Minha coluna no Sul 21 desta quinta-feita (14/5):

A verdade sobre as mentiras.



Tem uma máxima no jornalismo que recomenda não confiar em tudo o que é dito por um político. Algo do tipo, dê mais importância ao que ele faz e menos ao que diz fazer.  Lamentavelmente, para eles (políticos), essa cautela tem se justificado. E com uma frequência desconcertante. Uma dos casos mais comentados foi a declaração involuntária, mas sincera, do ex-ministro da fazenda, Rubens Ricupero, via satélite, disse não ter escrúpulos para adotar a prática do “que é bom a gente fatura, o que é ruim a gente esconde”. Mais isso não significa, utilizando-me do provérbio popular, de que “onde há fumaça há fogo”. A história política recente nos mostrou que essa não é a regra. Que o diga as absolvições tardias do ex-ministro Alceni Guerra e do ex-presidente da Câmara dos Deputados, Ibsen Pinheiro. Por outro lado, foram muitos os casos em a prevenção jornalística se mostrou eficaz. O Mensalão, por exemplo. Por isso, saber identificar o que é boato ou má intenção e o que é fato comprovado tem sido o grande desafio do eleitor brasileiro. Infelizmente este aprendizado tem se dado de maneira traumática para o país, causando prejuízos aos partidos, aos políticos e a própria democracia.

Esse impasse de versões desencontradas teve mais um capítulo nessa semana. Refiro-me a divulgação pela imprensa e redes sociais de uma possível confidência que o ex-presidente Lula teria feito ao então presidente uruguaio, José Mujica, dando conta de que sabia da existência do Mensalão. Tal revelação constaria do livro biográfico do ex-presidente do Uruguai, “Mujica, uma ovelha negra no poder”. Tal episódio, associado a suspeitas de que Lula teria participação ativa no escândalo do Mensalão, espalhadas pela mídia, especialmente pela revista Veja, e pelos opositores do PT, teve a repercussão e um efeito comparável a um rastilho de pólvora. Rápido e explosivo. Afinal, Lula sempre negou o Mensalão. E mesmo que o próprio Mujica tenha desmentido, dizendo que nunca falou desse assunto com o ex-presidente brasileiro, o estrago já estava feito. E vejam só a coincidência, tudo isso aconteceu após Lula ter dito, em discurso no Dia do Trabalho, que a elite brasileira tem medo de que ele retorne à Presidência.

Sob a mesma tese – a retirada do PT do poder – Dilma Rousseff e novamente Lula, são suspeitos de terem envolvimento em outra escândalo, o Petrolão. E mesmo que nada ainda tenha sido comprovado, a suspeição sobre ambos vagueia livre, leve e solta.    Mas interessa ao país esse embate político? Claro que não. O que interessa ao povo brasileiro e isso tem sido dito em todas as grandes manifestações, é o fim da corrupção.  Independentemente de quem seja o autor do delito ou a qual partido pertença. Se o PT hoje é vidraça, durante muito tempo foi pedra. Aqui mesmo no Rio Grande do Sul me lembro do ataque impiedoso do PT a então governadora Yeda Crusius, classificada como chefe da quadrilha que fraudou o Detran, na ruidosa Operação Rodin. Até hoje não foi comprovado o seu envolvimento. Mas os danos a sua imagem e à sua trajetória política foram avassaladores.

É essa cultura do denuncismo irresponsável que precisa ser modificada. Basta de fazer mau uso da boa vontade e da paciência dos brasileiros. Acusar sem comprovação é praticar estelionato de cidadania. O Brasil é sim um país sério e os brasileiros são sim honestos. Só precisa que os representantes dessa gente bronzeada, como diz a letra da música dos Novos Baianos (Brasil Pandeiro), também sejam. Mas colocar todos os políticos sob suspensão ética e moral também é praticar um desserviço à nação. O mesmo ocorre com a eleição de políticos com conduta suspeita. E os inúmeros casos de corrupção atestam isso. Falam tanto em plebiscito para isso, plebiscito para aquilo, por que então não consultam o povo para saber qual a reforma política que ele deseja? Permitir que a classe política decida sobre o seus próprios interesses não me parece uma conduta adequada e nem recomendável diante do atual clima de desconfiança porque passa a categoria.

Da mesma forma a imprensa, que goza de credibilidade popular e preza pela liberdade de expressão, precisa ser mais ciosa com as denúncias que divulga. Nada justifica o sensacionalismo como instrumento de conquista de leitores, ouvintes e telespectadores. Pior ainda se as notícias vierem contaminadas pelo interesse econômicos e/ou ideológico. Igualmente, mentir no exercício do mandato, seja em qual for a esfera de poder, também é atitude condenável e inadmissível. Se é para enquadrar o atual momento político brasileiro na esfera da passionalidade ou da ficção, como infelizmente parece estar acontecendo, que seja através do sentimento de indignação e de inconformidade. Basta de faz de conta. Mentira é mentira. Verdade é verdade. Desde o início dos tempos. Tudo o mais é engodo. Desfaçatez. Mau-caratismo.

Está mais do que na hora de descortinar a verdade que se encontra por trás das mentiras e desnudar as mentiras que se travestem de pseudas verdades. Tudo com a devida responsabilidade e com o necessário rigor. Republicanamente.

terça-feira, 12 de maio de 2015


A inflação e a ameaça da libreta.



A ausência do contato popular da presidente Dilma está fazendo mal para o país, fazendo-a perder o contato com o mundo real do cidadão. Encastelada e se comunicando através de porta-vozes a presidente, ao dar mais importância ao seu futuro político do que ao comando dos interesses maiores da nação, parece não ver (ou não querer ver) que o maior inimigo dos brasileiros voltou. Refiro-me a INFLAÇÃO. 

Qualquer pessoa que precisar pagar por um bem ou serviço já se deu conta disso. Aliás, já está sofrendo por isso. Desde os mais básicos gêneros alimentícios, como o feijão, e dos serviços públicos, como a conta da luz e da água, até os mais "classe média", como a gasolina, os eletrodomésticos, até a casa própria, tiveram um aumento estratosférico dos seus custos. 

Exagero? Como explicar que uma pensionista idosa, que receba pouco mais do que o salário mínimo, tenha que arcar com uma conta de luz de mais de R$ 300,00, se até pouco tempo atrás, com o mesmo consumo, ela pagava menos da metade disso? Como alimentar uma família de cinco pessoas, onde só o pai trabalha e ganha dois salários mínimos, tendo que pagar quase cinco reais pelo quilo do feijão. Carne? Nem pensar. Qualquer meio quilo de guizado de segunda num supermercado custa R$ 10,00. 

Muitos outros exemplos poderiam ser dados para provar que a inflação não só voltou como está assombrando a vida dos brasileiros. Mas então porque a "mãe Dilma", como Lula gosta de chamar a presidente, não sai em socorro dos seus "filhos"? Simples. Porque não sabe o que fazer ou porque está sendo impedida de fazer. Em qualquer dessas razões mostra o despreparo para o exercício da mais alta função pública do país. 

O lado bom disso - se é que isso é possível - é que faz cair a máscara do PT, aquele partido que diz ter acabado com a miséria e ter alçado um contingente enorme de pessoas à condição de classe média. Pois o retorno da inflação está ai para provar que tudo não passou de uma simples e frágil "casca de ovo". Desenvolvimento "para inglês ver". Certamente por isso os índices de popularidade de Dilma, ao contrário dos preços nas prateleiras dos supermercados, estão em queda vertiginosa.

Recomendo que a presidente, mesmo que disfarçada, dê uma passadinha num supermercado. Pode ser em Brasília. Ou quem sabe que dê uma olhada no extrato do seu cartão corporativo e dê uma esmiuçada na lista de gêneros alimentícios. Verá o quanto subiu o quilo do filé mignon e do camarão que ela tanto gosta de comer. Para ficar apenas numa parte da conta doméstica.

Agora, se tiver coragem de visitar um supermercado popular, que não use o local para produzir uma peça de marketing, como fez no Uruguai (foto acima) quando foi visitar o colega e amigo Mujica. O que Dilma precisa se dar conta é de que a desculpa dada pelo PT de que os panelaços de protesto são coisa de "coxinhas" está com os dias contados. Logo, logo, o grande barulho das panelas será produzido por pessoas de baixa renda, insatisfeitos por não ter quase nada para colocar dentro delas. 

Ou será que tudo isso é intencional? Mais uma artimanha para impor o  Estado todo poderoso? Onde as pessoas dependem do poder público para tudo? Até para se alimentar? Bem nesse caso a cubanização do Brasil está mais adiantada do que se pensa. Tudo está a indicar que em breve estaremos recebendo nossas cadernetas de racionamento mensal, as famosas Libretas cubanas, onde a nossa alimentação e a nossa higiene serão controladas pelo Estado. Duvidam? É só deixar tudo como está!

sexta-feira, 8 de maio de 2015

Mujica desmascara Lula e diz que petista

 sabia da existência do Mensalão.





O ex-presidente do Uruguai, José Mujica, afirma em seu livro “Uma oveja negra al poder” que o também ex-presidente Lula teria lhe contado que o esquema do Mensalão era “a única forma de governar o Brasil”. Então tá! Lula, ao contrário do que afirmou, sabia sim da existência do Mensalão. E pelo que disse Mujica, a maior farsa da história política brasileira, como declarou o saudoso Joaquim Barbosa, não passou (na visão de Lula) de uma atitude nobre e bem intencionada. Ou seja, Lula, ao não conseguir entrar para a história como estadista, pretende assegurar o título de “Anjo da Guarda do Brasil”. Vai acabar demonizado.

quinta-feira, 7 de maio de 2015

E agora, quem poderá nos socorrer?




Parece que finalmente chegou a hora da onça beber água. Após peregrinar pelo território gaúcho propalando as dificuldades financeira do erário o governador José Ivo Sartori, finalmente, parece que vai tornar público as medidas que pretende adotar para buscar o equilíbrio econômico-financeiro do Estado. E fará o anúncio por escrito, mediante o encaminhamento de Projetos de Lei à Assembleia Legislativa. Antes, porém, atendendo anseio e até mesmo angústia dos parlamentares da base aliada, vai reunir os deputados para um encontro particular, que se propôs esclarecedor de dúvidas. Não se sabe se isso será possível, haja visto o grau de responsabilidade que cada edil terá com os compromissos assumidos com os seus eleitores e, especialmente, com a sua consciência. Refiro-me a coerência entre o discurso político e o voto em plenário.

Claro que a realidade dos números da crise do Tesouro Estadual é um fator importante para a decisão do voto. Mas as dificuldades não são novidade. Foi nos últimos anos tema recorrente dos debates promovidos pelo Parlamento gaúcho e pauta preferencial da eleição majoritária de 2014. Da mesma forma, os deputados precisarão considerar o clamor da sociedade que reclama uma contrapartida mais qualificada pelos tributos pagos. E, ainda, a insatisfação do funcionalismo com os boatos de alteração dos seus direitos e vantagens administrativas e financeiras.

Sendo assim, qual será a postura dos deputados que se disseram contrários aos aumento de impostos se por ventura se confirmar a intenção de aumentar o ICMS de 17 para 18%? Da mesma forma, como irão se comportar os parlamentares reeleitos que votaram a favor do calendário de reajustes salariais dos servidores da segurança pública, caso vingue a ideia dos atuais governantes de modificar o cronograma de pagamentos estabelecido? Ainda mais depois de recentemente terem aprovado o reajuste dos seus próprios salários. Aliás, idêntica situação irá se processar em outro PL não menos polêmico, que trata da revisão do sistema previdenciário estadual. Como ser contrário aos interesses do funcionalismo depois de terem criado a sua própria previdência, onde foram os únicos beneficiados?

Com tantas interrogações e dúvidas, o que se espera do Executivo estadual é que o encaminhamento dos Projetos de Lei se processe em caráter ordinário e não de urgência. Para que possam ser amplamente debatidos com a sociedade através das comissões temáticas da Assembleia Legislativa. Se isso ocorrer já será um avanço. E se do diálogo franco e aberto surgir alternativas que satisfaçam ambas as partes, melhor ainda.

O que não pode acontecer é o radicalismo. Nem de um lado e nem de outro. Diante da grave situação das finanças do Estado o pior é ficar tudo como está. Em casos de desequilíbrio financeiro existem duas soluções. Diminuir as despesas ou aumentar a arrecadação. No primeiro caso, adotado pelo atual governo, o arrocho nas contas públicas já começa a trazer transtornos para a população, como a ameaça feita pelos hospitais Filantrópicos e Santas Casas de reduzir o atendimento pelo SUS.

Já no segundo, a margem de atuação se mostra mais flexível. Menos no que tange o aumento de impostos. A sociedade já não aguenta mais tanta tributação. Aliás, essa sobrecarga tributária é a responsável pelo elevado nível de sonegação fiscal. Pois é ai que pode estar uma das saídas para a crise. Cobrar o que não tem sido pago. Revisar as isenções fiscais concedidas para ver se está havendo contrapartida benéfica para a economia do estado. Atrair novos empreendimentos. E pressionar a União pela liberação dos repasses represados e, principalmente, exigir a renegociação da dívida do Estado.

É esse panorama que governo e deputados devem considerar nessa hora de dificuldades. Governar é fazer escolhas e, por isso mesmo, construir contrariedades. E exercer o papel de legislador implica em votar com seriedade, comprometimento e coerência. Sendo assim não adianta terceirizar a culpa. Lembro bem do que o então candidato Sartori repetiu dezenas de vezes na campanha eleitoral: “Não vou governar olhando pelo retrovisor, vou olhar para frente”. Pois bem, então vamos cuidar do presente e projetar o futuro. Com diálogo e objetividade. Ou será que a profecia do secretário da Fazenda, Giovanni Feltes, de que “se o Rio Grande ainda não conhecia o caos, agora vai conhecer”, irá realmente se concretizar? Nesse caso, tudo indica que os gaúchos terão que percorrer o mesmo calvário dos paranaenses.

Como diz um amigo meu nas situações difíceis, oremos.