domingo, 19 de janeiro de 2014

Por que o PT fez Tarso tirar
 o bigode e botar sunga?



Se existe algo consolidado no comportamento de Tarso Genro é a sua ortodoxia. Nascido em São Borja, terra dos presidentes e de homens valentes, advogado e com extensa carreira política, tendo sido vereador, deputado federal, vice pré-prefeito, prefeito, ministro da Educação, de Relações Institucionais e da Justiça, e agora governador, a imagem pública de Tarso está caracterizada pela sobriedade. E duas atitudes ajudaram nesse estereótipo popular: o uso do bigode e do terno com gravata. Como justificar então o seu repentino despojo dessas duas marcas pessoais?

Não reparou? Bastou tirar alguns dias de férias, para reaparecer sem bigode. Pouco antes, usou uma regata (camiseta de física) de salva-vidas para dar início à Operação Verão Numa Boa. E, neste final de semana, inovou deixando-se fotografar em Capão da Canoa usando apenas uma sunga. “É melhor torcer para que o verão acabe logo, pois corremos o risco de ver o Rio Grande do Sul como o primeiro estado brasileiro a ter um governador estriper”, me disse um amigo. Deixando o humor de lado, o que será que gerou tamanha transformação visual no governador?

Minha tese é a da estratégia política visando à campanha eleitoral deste ano. E tudo começou com a troca do comando da área de comunicação do seu governo. Saiu a jornalista Vera Spolidoro, antiga parceira de Tarso e adepta de uma metodologia ortodoxa de comunicação, que ocupava a secretaria de Comunicação e Inclusão Digital, e entrou o jornalista João Ferrer, especialista em marketing político e profundo conhecedor dos bastidores legislativos, e que nos últimos três anos ocupou o cargo de diretor executivo da agência gaúcha de publicidade Escala. Em sua última função, Ferrer trabalhou diretamente com o sócio-diretor da empresa, Alfredo Fredrizzi, que foi um dos responsáveis pela campanha eleitoral que levou Tarso Genro ao Piratiní.

Secretário novo, novas ideias, novo momento, novo visual, nova estratégia. O que pretende os responsáveis pela imagem do novo Tarso ainda não dá para dizer. Mas fica claro que a “juvenilização” do governador é uma aposta para a campanha que se avizinha. E é isso que se pode depreender das imagens que mostram Tarso pulando valeta e usando roupas que lhe expõe o peitoral e o abdômen sarado. Atitude pouco usual para um senhor que está prestes há fazer 67 anos. Interessante lembrar que o bigode foi a marca de Olívio Dutra na sua campanha vencedora de 1998. Na época Olívio tinha 57 anos, dez anos menos do que Tarso terá nesta eleição.

Minha tese é de que a ideia dos marqueteiros é passar a impressão de que Tarso representa um governo moderno, inovador e radical. Qualidades comuns aos jovens. Justamente uma parcela do eleitorado que mais se identifica com os partidos de esquerda. E para que? Para tentar se diferenciar da sua maior adversária, a senadora Ana Amélia Lemos (PP). E isso fica fácil de constatar não só pelas imagens, mas especialmente pelos rótulos (declarações) que os líderes do PT estão tentando “colar” na senadora, todos eles ligados ao conservacionismo.

E, nesse aspecto, outro possível alvo dos petistas tende a ser o partido que representa Ana Amélia, o Partido Progressista. Prova disso são as manifestações que remetem às origens do PP, a antiga Arena, surgida na época dos governos militares. Eis aí outra estratégia petista facilmente identificável. A ideolização da campanha. Esquerda versus direita. Se vai dar certo ninguém sabe. Os protestos de junho não deram importância alguma para questões ligadas à ideologia e ao partidarismo. Ou seja, a novidade petista para a campanha será a aposta no passado. Contraditório, não acham?

Além disto, a diferença de idade entre Ana Amélia e Tarso é de apenas dois anos. Também a questão do conservadorismo é uma tentativa arriscada. Por ser jornalista e ter aparecido por mais de duas décadas na “telinha” diária dos lares gaúchos, falando de todos os tipos de assunto, dificilmente a imagem de representante do atraso poderá ser consolidada em tão pouco tempo de campanha. Além disso, sua atuação no Senado da República, que lhe deu o título de parlamentar mais influente do Congresso Nacional, é uma pedra no caminho da estratégia petista. Como alguém dita “atrasada no seu tempo” pode resolver tantos imbróglios contemporâneos? E eficiência foi um dos clamores populares das ruas.


E é aí, na eficiência que eu, pessoalmente, considero que se dará o grande embate eleitoral. Sendo assim, a imagem de Tarso, por melhor que seja, não terá a mesma força do que a imagem deixada por seu governo. É o peso de ser vitrine e não mais pedra. Árdua a missão dos conselheiros de Tarso. Mas o bigode já foi raspado e a exposição pública de seu físico já foi apresentada. Ou seja, a estratégia já entrou em campo. Agora é esperar o tempo passar para saber o que as urnas nos reservam. 

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