quinta-feira, 30 de outubro de 2014

A culpa não é da imprensa.



Depois de sete horas debatendo as ações a serem implementadas até o final do ano e as causas da derrota do projeto de reeleição, Tarso e seu primeiro escalão de governo concluíram que as principais motivações foram a fragilidade na comunicação do governo e a predominância do sentimento antipetista. A tese é de os gaúchos não ficaram sabendo da efetiva produção das obras e serviços do governo Tarso. Embora concorde que a segunda causa possa ser decorrente da primeira, considero injusta a crítica à comunicação do governo. A produção da área ficou na média dos governos anteriores. E até avançou um pouco, implementando um eficiente sistema na comunicação virtual, mais especificamente nas redes sociais. Se houve equívoco foi pró-governo.

Os problemas de comunicação do governo - e aí me refiro a todos os governos – é a mentalidade de que a divulgação dos seus atos pela mídia tradicional é sempre aquém da sua expectativa. Então dele crítica à atuação dos veículos. Direta ou indiretamente. O interessante é que a contestação dos governantes de hoje foi o elogio de ontem, quando estavam na oposição e usavam a mídia para espraiar suas críticas e denúncias. Como esperar privilégios de alguém que você um dia adulou e no outro espezinhou? No caso específico do PT, por exemplo, como esperar um pacote de bondades do Grupo RBS se o partido propagou aos quatro cantos do Rio Grande que a RBS mente? Vai ter tão somente a garantia da neutralidade. Nada mais. A boa relação da comunicação governista com a imprensa independente depende fundamentalmente do trato político que é dado nas relações institucionais. Respeito gera respeito. Divergir não é necessariamente se opor. Ser solícito quando precisa e desrespeitoso quando a necessidade é do veículo é considerada falta grave pela imprensa, passível de no mínimo de cartão amarelo.


Os partidos precisam urgentemente profissionalizar suas áreas de comunicação. De nada adianta primar pela produção de um conteúdo eficaz do ponto de vista político e gerencial se houver erro na forma de efetuar a sua divulgação para a sociedade. Os responsáveis pela comunicação precisam participar das grandes decisões, desde o nascedouro da ideia até a sua implementação. E serem ouvidos e respeitados. Não basta ser uma boa proposta, ela tem que parecer ser uma boa proposta. E quem sabe fazer isso é o profissional de comunicação. Colocar a culpa nos profissionais de imprensa, sejam eles públicos ou privados, é o primeiro passo em direção a um novo fracasso.