Rolezinho ou arrastão?
Camelódromo da Voluntários da Pátria
Volto ao tema dos tais rolezinhos, desta vez para exprimir minha posição pessoal:
A constituição brasileira garante o direito de ir e vir. Passeios em shopping, isoladamente ou em turma, desde que feitos pacificamente, são um exemplo desse direito. Independente de raça, credo ou classe econômica do transeunte. Por isso vejo no debate sobre os tais “rolezinhos”, como são chamados os aglomerados de jovens que passaram a circular pelos shoppings centers das capitais brasileiras, mediante convocação pelas redes sociais, uma preferência pela ideolização desses movimentos populares. Talvez porque os partidos de esquerda viram nos protestos de junho de 2013 uma disposição da juventude de contestar o status quo vigente no país. Uma espécie de manipulação disfarçada de contestação sócio-econômica-racial. Surgida do nada. Sem nenhuma motivação fatual. Mas executada em ano eleitoral. E, por isso mesmo, suspeita.
Como todo acontecimento inesperado, o assunto merece ser analisado sob todos os aspectos. Me detenho num. A de que o movimento pretende garantir que os jovens das classes menos favorecidas, possam fazer uso dos espaços públicos dos shoppings sem serem discriminados. Tudo bem, digamos que essa diferenciação de tratamento realmente exista. Mas o que leva uma pessoa a frequentar um shopping? Pelo aportuguesamento da expressão, shopping center significa centro comercial. Local amplo que reúne uma variedade de lojas comerciais, restaurantes, cinemas, etc. Resumindo, um local de comércio e consumo. Espera-se que seus frequentadores saibam disso e estejam lá por e para isso.
Nada impede que circulem pelos seus amplos corredores olhando as vitrines, descansando em seus bancos, usando os sanitários, etc. Claro que, dependendo das vestimentas utilizadas e da aparência pessoal, os frequentadores recebam maior ou menor atenção dos que trabalham nesses centros comerciais. É assim na vida, não será diferente lá. Da mesma forma, o comportamento social possui uma generalização no que se refere a sua “normalidade”. Que vale tanto para uma quadra de escola de samba como para uma praça de alimentação de um shopping center, por exemplo.
O que não dá para desconhecer é que para manter limpo, dar segurança e conforto aos seus usuários, os comerciantes que possuem lojas nos shoppings pagam por isto. Manter em condições esses espaços e estes serviços é o mínimo que se pode esperar daqueles que deles fazem uso. Então é natural que seja repelido todo e qualquer movimento que se oponha a essa ordem natural das coisas. E é ai que está o problema do rolezinho. Com intenção de “chocar” os habituais frequentadores dos shoppings, a turba de jovens se movimenta desordenadamente pelos espaços. Congestionam elevadores e escadas rolantes. Emburram e derrubam cadeiras e pessoas e, com isso, amedrontam os frequentadores e aterrorizam comerciantes. Se não sabem se portar adequadamente em um ambiente diferenciado (limpo e organizado), os rolezinhos não podem ser bem-vindos. E é isso que está acontecendo.
E nada tem a ver com discriminação. Gostaria de saber qual seria a reação os comerciantes e frequentadores do Camelódromo da Voluntários da Pátria se um bando de jovens de classe média alta resolvesse invadir seu território da mesma forma que os integrantes dos rolezinhos fazem nos grandes shoppings? Seriam vistos com naturalidade? Seriam respeitados ou hostilizados? Garanto que as reações seriam muito parecidas, senão iguais, as dos shoppings.
Se estiver errado, serei o primeiro a defender os" rolezinhos". Enquanto isso, continuo considerando o movimento um protesto desnecessário, inoportuno e temerário. Seja em shopping, camelódromo, restaurante, praças ou qualquer outro lugar, inclusive em praias, onde o "rolezinho" ganhou a denominação de "arrastão".

Nenhum comentário:
Postar um comentário