terça-feira, 24 de julho de 2012


Pedágio: um caminho sem volta?

Que é ruim pagar pedágio isso todo mundo sabe. Que as concessionárias de rodovias que fazem a exploração das praças de pedágio poderiam fazer mais do que estão fazendo também é verdadeiro. Que cumprir promessas de campanha é dever de todo político que consegue se eleger, a mesma coisa. Agora, uma verdade inquestionável para quem circula pelas rodovias gaúchas, sejam elas estaduais ou federais, é que todos, absolutamente todos, desde o motorista até os passageiros, desejam trafegar por uma pista de rolamento sem buracos e com uma sinalização em perfeitas condições. Por segurança, economia de tempo de viagem e até mesmo por comodidade.

Pois bem, se é esta a intenção do governador Tarso Genro, que garantias tem o usuário de nossas estradas de que com a substituição dos atuais concessionários pela recém criada e ainda desconhecida Empresa Gaúcha de Rodovias, as estradas terão um ganho de qualidade superior ao atual?

Se bem me lembro, o motivo para a privatização das principais estradas gaúchas – com a conseqüente cobrança de pedágio – é que o governo estadual de então (Governo Britto) não dispunha de recursos suficientes para conservar e reparar a deteriorada manha rodoviária da época. Sem uma cultura de pedágio, o "gritedo" foi grande. Mas com o passar do tempo e com as melhorias realizadas as resistências foram caindo. Lembro da primeira vez que fui a Gramado, à noite, depois da restauração da RS-115. A impressão que tive, lembro bem, era de estava andando por uma pista de aviação, tal era a maciez da pista e brilhante (tinta e taxões refletivos) a sinalização horizontal (pista) e vertical (placas).

Ah, mas bastava parar nas cancelas das praças de pedágio para doer no bolso. Ai vinha às explicações de que a situação das estradas havia melhorado sensivelmente (o que era verdade) e que os usuários passaram a contar com serviços até então inexistentes, como recuos para descanso, atendimento médico por ambulância, socorro mecânico e até banheiros nas praças de pedágio. Tudo real. 

Passaram-se os anos e a cada campanha eleitoral  a cobrança de pedágio virava pauta obrigatória dos debates. Quando era cobrado investimentos em duplicação e construção de obras de artes (pontes, viadutos, passarelas, etc.) os concessionários diziam que tais serviços não constavam no contrato firmado. Bem, se isso era necessário (e era e ainda é), só  restava esperar pelo término do prazo da concessão.

Pois bem, este momento está muito próximo. Independente do preciosismo das datas - cujas divergências devem render ações judiciais – o certo é que os prazos das concessões se esgotam em 2013. E é ai que o bicho pega. Procurando demonstrar coerência com a promessa de campanha, o governador Tarso Genro já decidiu que não vai prorrogar os contratos. Mas isto não significa o fim do pedágio, como dizia o célebre jargão petista, na campanha de Olívio Dutra para o Palácio Piratini. Ele continuará sendo cobrado, senão pelo poder público, pela iniciativa privada. 

Ah, mas vai ser mais barato, dizem. Que bom. Mas serão suficientes para manter os trechos perfeitamente conservados e sinalizados? E os recursos arrecadados permitirão investimentos na duplicação e na melhoria dos trechos! Será que vai sobrar dinheiro para isto? Ou o Estado e a União (boa parte da malha pedagiada é federal) serão parceiros destes investimentos? Lembro que quando foi instalado o pedágio comunitário de Portão, na RS-122, a justificativa era de que os recursos seriam aplicados na duplicação da estrada. Já se passaram mais de vinte anos (foi no governo Collares) e a duplicação completa ainda não foi concluída.

Bem, o certo é que a decisão já foi tomada e as concessionárias devidamente notificadas. Reza torcer para que as mudanças previstas deem bons resultados. Pessoalmente não sou a favor nem contra a cobrança de pedágio. Quero é que o dinheiro depositado nas praças de pedágio seja bem aplicado. Os brasileiros não agüentam mais pagar impostos sem o devido retorno. Afinal, no caso dos pedágios rodoviários, muito pior do que descumprir promessas é transitar por estradas esburacadas e inseguras.  É ver para crer.  
 Imagens: ribamarbianchini.zip.net  e Caco Argemi/Palácio Piratiní

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