terça-feira, 3 de julho de 2012


O lento desenvolvimento gaúcho


Quem lê, ouve ou vê as notícias de novas obras e empreendimentos no Rio Grande do Sul imagina que o estado tenha se transformado num imenso canteiro de obras. Mas basta um exame mais detalhado para se constatar, na prática, que se trata de uma meia verdade. Sim, pois se houve avanços como a duplicação da BR-101 entre Osório e Torres e a implantação do Polo Naval de Rio Grande, muitos dos anúncios feitos pela mídia ainda não saíram do papel. E aí são vários os exemplos: a duplicação da BR-116, entre Guaíba e Pelotas, estrada mais importante para o escoamento da produção gaúcha; a construção do metrô de Porto Alegre; a construção da segunda ponte sobre o Guaíba; a revitalização do cais Mauá; e outros tantos.

Mas o que me preocupa nesse provável “boom” do desenvolvimento do Rio Grande do Sul não são as obras principais, mas as indiretas, advindas das suas implantações. Falo das providências que deveriam estar sendo tomadas para aproveitar esse surto de desenvolvimento. Um bom exemplo é o que vem acontecendo em Rio Grande. Com a chegada de milhares de trabalhadores (boa parte vinda de fora, pela escassez de mão de obra no estado) para trabalharem no polo naval, um dos problemas enfrentados tem sido a falta de moradias. Não existem residências nem hotéis suficientes. Da mesma forma o comércio local não se preparou adequadamente para suprir a grande demanda adicional. E o que acontece? Lentamente a construção civil começa a se movimentar o mesmo ocorrendo com o comércio. Num descompassado ritmo entre os investimentos públicos e privados.

A pergunta que fica é: onde está o empreendedorismo privado? Quando os gaúchos clamam por desenvolvimento isto não significa apenas ações do setor público. Sempre demoradas. Por isso, como gostamos de dizer, “não dá prá deixar passar o cavalo encilhado”. Estado e iniciativa privada devem andar juntos, lado a lado. Senão como parceiros - as concessões privadas para a cobrança de pedágio nas rodovias mostram que nem sempre isto é possível -, pelo menos com os mesmos interesses. Então mãos a obra. Que as obras públicas não iniciadas se concretizem e que o empresariado gaúcho saiba tirar proveito de tudo isto. Para o crescimento do Estado e a melhoria da qualidade de vida da população.


Imagem: guacuaduaneira

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