Pedágio: um caminho sem volta?
Que
é ruim pagar pedágio isso todo mundo sabe. Que as concessionárias de rodovias
que fazem a exploração das praças de pedágio poderiam fazer mais do que estão
fazendo também é verdadeiro. Que cumprir promessas de campanha é dever de todo
político que consegue se eleger, a mesma coisa. Agora, uma verdade
inquestionável para quem circula pelas rodovias gaúchas, sejam elas estaduais
ou federais, é que todos, absolutamente todos, desde o motorista até os
passageiros, desejam trafegar por uma pista de rolamento sem buracos e com uma
sinalização em perfeitas condições. Por segurança, economia de tempo de viagem
e até mesmo por comodidade.
Pois
bem, se é esta a intenção do governador Tarso Genro, que garantias tem o usuário
de nossas estradas de que com a substituição dos atuais concessionários pela recém
criada e ainda desconhecida Empresa Gaúcha de Rodovias, as estradas terão um
ganho de qualidade superior ao atual?
Se
bem me lembro, o motivo para a privatização das principais estradas gaúchas –
com a conseqüente cobrança de pedágio – é que o governo estadual de então (Governo
Britto) não dispunha de recursos suficientes para conservar e reparar a
deteriorada manha rodoviária da época. Sem uma cultura de pedágio, o "gritedo" foi grande. Mas com o passar do tempo e com as melhorias realizadas as resistências
foram caindo. Lembro da primeira vez que fui a Gramado, à noite, depois da
restauração da RS-115. A
impressão que tive, lembro bem, era de estava andando por uma pista de aviação,
tal era a maciez da pista e brilhante (tinta e taxões refletivos) a sinalização
horizontal (pista) e vertical (placas).
Ah,
mas bastava parar nas cancelas das praças de pedágio para doer no bolso. Ai
vinha às explicações de que a situação das estradas havia melhorado
sensivelmente (o que era verdade) e que os usuários passaram a contar com
serviços até então inexistentes, como recuos para descanso, atendimento médico
por ambulância, socorro mecânico e até banheiros nas praças de pedágio. Tudo
real.
Passaram-se
os anos e a cada campanha eleitoral a cobrança de pedágio virava pauta obrigatória dos
debates. Quando era cobrado investimentos em duplicação e construção de obras
de artes (pontes, viadutos, passarelas, etc.) os concessionários diziam que
tais serviços não constavam no contrato firmado. Bem, se isso era necessário (e
era e ainda é), só restava esperar pelo término do prazo
da concessão.
Pois bem, este momento está muito próximo. Independente do
preciosismo das datas - cujas divergências devem render ações judiciais – o certo
é que os prazos das concessões se esgotam em 2013. E é ai que o bicho pega. Procurando demonstrar
coerência com a promessa de campanha, o governador Tarso Genro já decidiu que não
vai prorrogar os contratos. Mas isto não significa o fim do pedágio, como dizia
o célebre jargão petista, na campanha de Olívio Dutra para o Palácio Piratini.
Ele continuará sendo cobrado, senão pelo poder público, pela iniciativa
privada.
Ah,
mas vai ser mais barato, dizem. Que bom. Mas serão suficientes para manter os
trechos perfeitamente conservados e sinalizados? E os recursos arrecadados permitirão investimentos na duplicação e na melhoria dos trechos! Será que vai sobrar dinheiro
para isto? Ou o Estado e a União (boa parte da malha pedagiada é federal) serão
parceiros destes investimentos? Lembro que quando foi instalado o pedágio
comunitário de Portão, na RS-122,
a justificativa era de que os recursos seriam aplicados
na duplicação da estrada. Já se passaram mais de vinte anos (foi no governo
Collares) e a duplicação completa ainda não foi concluída.
Bem, o certo é que a decisão já foi tomada e as concessionárias devidamente
notificadas. Reza torcer para que as mudanças previstas deem bons resultados. Pessoalmente
não sou a favor nem contra a cobrança de pedágio. Quero é que o dinheiro depositado
nas praças de pedágio seja bem aplicado. Os brasileiros não agüentam mais pagar
impostos sem o devido retorno. Afinal, no caso dos pedágios rodoviários, muito pior do que
descumprir promessas é transitar por estradas esburacadas e inseguras. É ver para crer.
Imagens: ribamarbianchini.zip.net e Caco Argemi/Palácio Piratiní
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