sexta-feira, 13 de julho de 2012


Preconceito ou inveja?

Tenho lido nas redes sociais críticas à candidatura de Rodrigo Maroni, por aparecer na propaganda eleitoral ao lado da sua namorada, Manuela D’Ávila, candidata do PCdoB à prefeitura de Porto Alegre e considerada uma das favoritas do pleito. Respeito todas as manifestações virtuais feitas pela Internet, pois considero-as democráticas e benéficas a troca de idéias e opiniões, principalmente em ano eleitoral. Mas penso que até no virtualismo há que se ter limites. Chamar o rapaz de “gigolô”, “aproveitador”, “parasita”, e outras adjetivações desrespeitosas em nada contribuem para a que o eleitor faça a escolha adequada.

Não tenho nenhum motivo ideológico, partidário ou de proximidade pessoal para defender o Rodrigo, mas acho esse tipo de crítica uma grande e descabida baixaria. Basta um pequeno esforço de pesquisa (na própria Internet) para saber que Rodrigo Maroni não entrou agora na política. Apesar de ter apenas 30 anos, foi chefe de gabinete da secretaria estadual de Turismo, cursou as faculdades de História e Marketing, nas quais ainda não se formou, e pretende iniciar a de Psicologia. Na época acadêmica, coordenou o DCE da Unisinos e foi ativista da União Nacional dos Estudantes (UNE). Foi filiado ao PSol, aonde chegou a concorrer a deputado estadual (2006), ao PT e agora ao PCdoB, onde concorre a uma vaga na Câmara Municipal de Porto Alegre.

Mas se ele possui um histórico de participação política estudantil e partidária porquê as ofensas? Prá mim duas coisas estão escrachadas: preconceito e inveja. Preconceito por ser um homem andando na sombra de uma mulher conhecida nacionalmente, comprovadamente competente e com grande empatia com a população. Se fosse o contrário certamente a presença da candidata mulher, mesmo na condição de namorada, passaria ilesa. Ou alguém ouviu ou leu alguma crítica desabonadora à Manuela na época em que ela namorava o ministro da Justiça, José Eduardo Cardoso? A explicação prá mim parece óbvia: na hierarquia política ministro está acima de deputado federal. Então aí pode. Ainda mais se esta "posição subalterna" é ocupada por uma mulher. Puro machismo e preconceito. Totalmente desconectado com o mundo atual.

Já a tese da inveja encontra sustentação objetiva. Quem não gostaria de estar ao lado de uma mulher linda, jovem, simpática, inteligente e competente como a Manuela D’Ávila? Ainda mais como namorado! Acontece que isso não é prá qualquer um. E quem, no seu devaneio intelectual se incomoda por estar excluído dessa possibilidade, critica-a por estar ao lado do escolhido (Rodrigo) ou vice-versa. No caso tem prevalecido o vice-versa.

Acho tudo isso uma grande bobagem. O que interessa se o namorado da candidata à prefeita vai ser beneficiado por ser candidato? Que seja. Não será o primeiro caso. Já houve mulher de ex-governador que não conseguiu se eleger, mesmo fazendo campanha ao seu lado. Nesta eleição mesmo, tem uma filha de ex-governadora concorrendo. E quantos detentores de cargos eletivos já se beneficiaram da imagem de seus pais, por serem políticos conhecidos? O que vai decidir se Rodrigo Maroni vai ou não se eleger será o eleitor. E para isso ele terá que ralar muito, pois a concorrência é grande. Talvez a única vantagem que ele possa ter é de ser do PCdoB, partido de Manuela, que segundo as pesquisas divulgadas deverá ter expressiva votação, possibilitando a eleição de um número significativo de candidatos comunistas e dos partidos com quem o PCdoB está coligado.

Deixem o homem trabalhar. Atrapalhá-lo no seu direito de concorrer é que errado e inadequado politicamente. Afinal, tem coisa muito mais importante para se preocupar nesta eleição do que cuidar da vida pessoal dos candidatos. 
Imagem: Clicrbs

4 comentários:

  1. Na verdade, vejo que as críticas (dos outros e minhas, inclusive) são mais ao fato de eles estarem usando a relação como uma maneira de promover-se mutuamente. Na música do candidato, a relação deles é explorada todo o tempo, e não há espaço para nenhuma proposta ou causa ser mostrada. Ele é apenas o "budista namorado da Manu"

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  2. Calma Lau, a campanha está só no começo. Se extrapolarem serei o primeiro a reclamar. Além disso, os concorrentes do Rodrigo, que são os candidatos a vereador da coligação, não estão achando ruim. E cá entre nós, um casal apaixonado formando par numa eleição é coisa nunca vista antes. E isso é notícia boa e não ruim, né?. Abraço

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  3. Interessante saber que alguém que cursou duas faculdades - e não terminou nenhuma - foi chefe de gabinete da Secretaria Estadual de Turismo. E a tal priorização dos "CCs técnicos" na administração pública - defendida com razão, diga-se de passagem - pela Manuela?

    Vou além: quantos funcionários de carreira - ou com currículo que faça jus à exceção de não pertencer ao quadro estável - ocupam funções estratégicas na citada Secretaria, comandada pelo PCdoB. Boa discussão, hein?

    Vamos ver se a tal política de "CCs" técnicos, pautada pela candidata nesta eleição, fica em pé com o exame da prática política real do seu partido.

    Vai e vem eleição, e todos, sem exceção, se comprometem com o dito "critério técnico" para nomeações. Mas, afinal, quem cumpre isso na prática?

    E esse "papo Contigo" de que "A namora B", e se vale disso eleitoralmente, pouco interessa para o debate político real. Chamar o rapaz de “gigolô”, “aproveitador” e “parasita" só porque ele pede votos com uma foto com a namorada é lamentável, realmente.

    O critiquem pelo que ele é ou representa. Já basta.

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  4. Muito bacana a reflexão de todos. Realmente, a internet tornou a democracia nas opiniões algo bem latente. Lamentável é o vandalismo virtual, o baixo nível nas colocações.
    Quando as coisas são colocadas em alto nível, sempre são bem-vindas. E na minha opinião, a campanha do Rodrigo Maroni conseguiu fazer isso: transformou uma situação que poderia se tornar (e de fato se tornou) polêmica de maneira absolutamente natural. Pra mim, está de parabéns.

    Abraço a todos os leitores.

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