quarta-feira, 25 de julho de 2012


O Brasil e as Olimpíadas.

 
Embora a abertura oficial das Olimpíadas de Londres ocorra apenas na sexta-feira, dia 27, na prática os jogos iniciaram hoje, quarta-feira. E o Brasil inicia sua participação no esporte que mais se identifica e que lhe deu maior projeção mundial: o futebol. Com uma organização de primeiro mundo, entra em campo esta tarde a seleção feminina e masculina. Dizem os especialistas que as duas têm condições de brigar por medalha. No caso da seleção masculina a meta é a medalha de ouro, conquista inédita na vitoriosa história do futebol brasileiro. 

Mas tirando o futebol, esporte criado pelo país sede desta Olimpíada, em que esportes mais o Brasil pode se destacar? Se a escrita das outras edições for mantida deve ser o vôlei (de quadra e de areia), a natação, o judô, vela e algumas poucas modalidades do atletismo. Isto significa garantir uma posição intermediária entre os países com maior número de medalhas. Muito pouco para um país que se vangloria de ser uma das maiores potencias emergentes do planeta. Veja abaixo o quadro comparativo do desempenho dos países que integram o BRICS, nas três últimas Olimpíadas:


PAÍS
2000 (Sydney)
MEDALHAS
Ouro
Prata
Bronze
Total
Classificação
Brasil
0
6
6
12
52º
Rússia
32
28
28
88
Índia
0
0
1
1
73º
China
28
16
15
59
África do Sul
0
2
3
5
55º


PAÍS
2004 (Atenas)
MEDALHAS
Ouro
Prata
Bronze
Total
Classificação
Brasil
5
2
3
10
16º
Rússia
27
27
38
92
Índia
1
3
2
6
43º
China
32
17
14
63
África do Sul
0
1
0
1
55º


PAÍS
2008 (Pequim)
MEDALHAS
Ouro
Prata
Bronze
Total
Classificação
Brasil
3
4
8
15
23º
Rússia
23
21
28
72
Índia
1
0
2
3
50º
China
51
21
28
100
África do Sul
0
1
0
1
71º

Esse baixo desempenho brasileiro deve-se muito a falta de organização e planejamento. A começar pela não priorização (aplicação de recursos) da Educação como mola propulsora do desenvolvimento do país. Incluindo-se ai as atividades esportivas. É na escola (seja no ensino básico, fundamental, médio ou superior) que se garimpa e se forma os grandes atletas.  E quando aparece alguém que se destaque falta-lhe patrocínio. Com tantas dificuldades não surpreende que as vitórias brasileiras em jogos internacionais sempre ocorram na base do sacrifício e da superação.

No quadro acima já dá prá ver as dificuldades do Brasil pontuar entre os favoritos para esta Olimpíada. E também para a próxima, no Rio de Janeiro, pois não se tem conhecimento da existência de algum planejamento que nos permita ser otimistas com relação ao desempenho de nossos atletas.  E não podemos sequer comemorar o fato de estarmos à frente (no quadro de medalhas) da Índia e da África do Sul, nossos parceiros de BRICS, pois se individualmente perdem para nós, no continente africano nós perdemos para países menos desenvolvidos e de menor poderio econômico, como o Quênia e a Etiópia, por exemplo. Tal fato não ocorre na América do Sul, onde o Brasil tem o domínio esportivo consolidado.

Que venham as medalhas de Londres, mas que venham também as lições. O mesmo hino e a mesma bandeira que emocionam os brasileiros quando uma medalha é conquistada devem ser lembrados quando do outro lado estão atletas de outras nações. Para o Brasil alcançar o tão almejado desenvolvimento - que segundo a presidente Dilma não é caracterizado pelo volume do PIB, mas pelo atendimento de nossas crianças – é preciso dar à Educação e ao Esporte o valor que eles realmente têm. E isso não se conquista com manchetes saudando feitos pontuais na Olimpíada ou em solenidades no Palácio da Alvorada, mas na hora de elaborar o orçamento da União e dos Estados. Essa é a Olimpíada que realmente vale a pena.  

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