segunda-feira, 30 de julho de 2012


Mulher não gosta de política?


 Lamentavelmente, mais uma vez, o Rio Grande do Sul aparece nas últimas posições de um comparativo entre o desempenho positivo dos Estados brasileiros. Desta feita trata-se do ranking estadual com mais candidatas a prefeita. Levantamento realizado pelo jornal Zero Hora, publicado na edição desta segunda-feira (30), mostra que dos 26 estados pesquisados o Rio Grande do Sul aparece na 25ª posição, à frente apenas do Amazonas. E olha que o número de mulheres é maior que o de homens. Apesar disso, o percentual do eleitorado feminino e masculino no Brasil e no RS é o mesmo: 52% são mulheres e 48% são homens.

O que surpreende na pesquisa, porém, é que justamente nos estados onde a concentração feminina é menor é que se dá a maior participação de candidatas mulheres. É o que acontece com os 10 estados melhores colocados, todos da região Norte e Nordeste. Pela ordem: Roraima (21,29%), Tocantins (20,32%), Paraíba (19,71%), Rio Grande do Norte (19,61%), Maranhão (18,55%), Alagoas (17,22%), Sergipe (15,07%), Ceará (14,79%), Amapá (14,67%) e Acre (13,7%).  Mas se o RS aparece na penúltima posição, com 9,01%, também os estados mais populosos como São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais ocupam posições nada confortáveis, respectivamente, 15º, 17º e 22º lugares.

Vejam bem, não obstante o eleitorado feminino ser maior do que o masculino, o estado (RO) com maior número de candidatas a prefeita tem uma proporcionalidade de apenas 21,29%. Ou seja, menos de ¼ do número de candidatos. Para isso só vejo uma explicação: as mulheres não estão interessadas na prática da política. Mas como? Se são justamente elas, direta ou indiretamente (através dos filhos) as mais prejudicadas pela falta de políticas adequadas para as áreas da saúde, da educação e da segurança. Não dá para entender.

No Rio Grande do Sul, então, terra reconhecidamente de mulheres fortes e determinadas, trajetória esta forjada na Revolução Farroupilha, onde assumiram a manutenção das atividades econômicas e a administração da família enquanto seus maridos lutavam, é inadmissível o baixo número de candidatas nas eleições majoritárias e proporcionais, fazendo com que o Estado ocupe o vexatório 25º lugar, dentre 26 estados.

Assim como em quase todas as áreas onde as mulheres estão se equiparando em igualdade de condições (e até superando) na ocupação de cargos que antigamente eram ocupados só por homens, está na hora das mulheres despertarem para a sua importância na política. E podem buscar bons exemplos aqui mesmo no Pampa: a senadora Ana Amélia Lemos, a deputada federal Manuela D'Ávila, a ministra Maria do Rosário e outras mais. Quem sabe assim não contribuem para a gestação de uma política com mais ética e mais comprometimento social? As futuras gerações certamente irão lhes agradecer.
 
Imagem: olhares.uol.com.br

Nenhum comentário:

Postar um comentário