Habemus pesquisa
Finalmente, após 11
dias do início da campanha eleitoral, surge a primeira pesquisa sobre a intenção
de votos dos porto-alegrenses para a prefeitura da Capital. Embora se trate de
uma “fotografia” do momento, o cenário apresentado é bem esclarecedor.
Em primeiro lugar
indica uma forte tendência de polarização entre Manuela D’Ávila e José
Fortunati. Nada de novo. Desde outubro
de 2011, quando foi realizada a primeira pesquisa Correio do Povo/Methodus para
a eleição de Porto Alegre, e nas que a
sucederam, Fortunati e Manuela apareciam como favoritos, praticamente empatados tecnicamente.
A novidade da
pesquisa de hoje é que, pela primeira vez, é quebrada essa incidência do empate
técnico e invertida a ordem do candidato mais citado (Fortunati). Pelo menos na
pesquisa estimulada, onde são apresentados os nomes dos candidatos. Nela,
Manuela D’Ávila aparece como a mais
lembrada (38,6%), seguida por José Fortunati (33,5%). Ou seja, a comunista
aparece com 5,1% a mais do que o atual prefeito. Isto significa o fim do histórico
empate técnico, considerando para tanto uma diferença para mais ou para menos
de 2,5%.
A tendência de
empate (comparando as pesquisas anteriores) só se mantêm na pesquisa Espontânea, onde
Fortunati desponta com 13,1% e Manuela com 11,6%.
E ao que tudo
indica, esse cenário acirrado deverá se manter num já previsível segundo turno.
Já Adão Villaverde,
candidato do PT, partido que havia muito tempo sempre constou como um dos
ponteiros das pesquisas eleitorais para a prefeitura de Porto Alegre, aparece
num distante terceiro lugar, tanto na pesquisa estimulada (7,4%) como na
espontânea (1,6%).
O cenário da atual
pesquisa, a meu ver, retrata mais o
conhecimento atual dos eleitores sobre a imagem dos candidatos do que uma
avaliação das propostas e do desempenho dos mesmos nos debates pela mídia (até
porque só houve um até agora). Isso explica a dificuldade de crescimento de
Adão Villaverde, praticamente desconhecido dos porto-alegrenses, que aparece
com um percentual que não representa o tamanho do PT na capital.
Já o deslanche de
Manuela surpreende em parte, haja visto que Fortunatti, por ser prefeito, tem
maior facilidade para se expor aos holofotes da mídia. E isto, acredito,
derruba a tese daqueles que veem como desvantagem de Fortunati a divisão de
tarefas de prefeito e candidato.
Da mesma forma, há quem acredite que o tempo de
rádio e televisão será decisivo para o convencimento do voto dos eleitores.
Pode ser que sim. Pode ser que não. Vai depender muito da qualidade e do
conteúdo dos programas. Nesse aspecto, levando em conta a competência dos
responsáveis pela coordenação de comunicação e marketing dos três melhores
colocados na pesquisa, será uma disputa muito parelha.
Particularmente
acredito que a definição do voto dos porto-alegrenses se fixará em no mínimo
três fatores: empatia, conhecimento e identificação das principais necessidades
do cidadão, e propostas viáveis para atendê-las.
Sendo assim, vamos
esperar as próximas pesquisas. Particularmente tenho curiosidade de conhecer o
resultado das que ocorrerão após o início da propaganda eleitoral gratuita de
rádio e TV. Só aí poderemos confirmar ou não a tendência demonstrada pela
pesquisa de hoje. Só não me venham com a
história de que o eleitor só começará a pensar em eleição depois do término das
Olimpíadas de Londres. O jogo aqui em Porto Alegre já começou. E já tem gente guardando lugar privilegiado nele.
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