O Brasil e as Olimpíadas.
Embora
a abertura oficial das Olimpíadas de Londres ocorra apenas na sexta-feira, dia
27, na prática os jogos iniciaram hoje, quarta-feira. E o Brasil inicia sua
participação no esporte que mais se identifica e que lhe deu maior projeção
mundial: o futebol. Com uma organização de primeiro mundo, entra em campo esta
tarde a seleção feminina e masculina. Dizem os especialistas que as duas têm
condições de brigar por medalha. No caso da seleção masculina a meta é a
medalha de ouro, conquista inédita na vitoriosa história do futebol
brasileiro.
Mas
tirando o futebol, esporte criado pelo país sede desta Olimpíada, em que esportes
mais o Brasil pode se destacar? Se a escrita das outras edições for mantida
deve ser o vôlei (de quadra e de areia), a natação, o judô, vela e algumas
poucas modalidades do atletismo. Isto significa garantir uma posição intermediária
entre os países com maior número de medalhas. Muito pouco para um país que se
vangloria de ser uma das maiores potencias emergentes do planeta. Veja abaixo o
quadro comparativo do desempenho dos países que integram o BRICS, nas três
últimas Olimpíadas:
PAÍS
|
2000 (Sydney)
|
||||
MEDALHAS
|
|||||
Ouro
|
Prata
|
Bronze
|
Total
|
Classificação
|
|
Brasil
|
0
|
6
|
6
|
12
|
52º
|
Rússia
|
32
|
28
|
28
|
88
|
2º
|
Índia
|
0
|
0
|
1
|
1
|
73º
|
China
|
28
|
16
|
15
|
59
|
3º
|
África do Sul
|
0
|
2
|
3
|
5
|
55º
|
PAÍS
|
2004 (Atenas)
|
||||
MEDALHAS
|
|||||
Ouro
|
Prata
|
Bronze
|
Total
|
Classificação
|
|
Brasil
|
5
|
2
|
3
|
10
|
16º
|
Rússia
|
27
|
27
|
38
|
92
|
3º
|
Índia
|
1
|
3
|
2
|
6
|
43º
|
China
|
32
|
17
|
14
|
63
|
2º
|
África do Sul
|
0
|
1
|
0
|
1
|
55º
|
PAÍS
|
2008 (Pequim)
|
||||
MEDALHAS
|
|||||
Ouro
|
Prata
|
Bronze
|
Total
|
Classificação
|
|
Brasil
|
3
|
4
|
8
|
15
|
23º
|
Rússia
|
23
|
21
|
28
|
72
|
3º
|
Índia
|
1
|
0
|
2
|
3
|
50º
|
China
|
51
|
21
|
28
|
100
|
1º
|
África do Sul
|
0
|
1
|
0
|
1
|
71º
|
Esse
baixo desempenho brasileiro deve-se muito a falta de organização e
planejamento. A começar pela não priorização (aplicação de recursos) da
Educação como mola propulsora do desenvolvimento do país. Incluindo-se ai as
atividades esportivas. É na escola (seja no ensino básico, fundamental, médio
ou superior) que se garimpa e se forma os grandes atletas. E quando aparece alguém que se destaque
falta-lhe patrocínio. Com tantas dificuldades não surpreende que as vitórias
brasileiras em jogos internacionais sempre ocorram na base do sacrifício e da
superação.
No
quadro acima já dá prá ver as dificuldades do Brasil pontuar entre os favoritos
para esta Olimpíada. E também para a próxima, no Rio de Janeiro, pois não se
tem conhecimento da existência de algum planejamento que nos permita ser
otimistas com relação ao desempenho de nossos atletas. E não podemos sequer comemorar o fato de
estarmos à frente (no quadro de medalhas) da Índia e da África do Sul, nossos
parceiros de BRICS, pois se individualmente perdem para nós, no continente
africano nós perdemos para países menos desenvolvidos e de menor poderio
econômico, como o Quênia e a Etiópia, por exemplo. Tal fato não ocorre na
América do Sul, onde o Brasil tem o domínio esportivo consolidado.
Que
venham as medalhas de Londres, mas que venham também as lições. O mesmo hino e
a mesma bandeira que emocionam os brasileiros quando uma medalha é conquistada
devem ser lembrados quando do outro lado estão atletas de outras nações. Para o
Brasil alcançar o tão almejado desenvolvimento - que segundo a presidente Dilma
não é caracterizado pelo volume do PIB, mas pelo atendimento de nossas crianças
– é preciso dar à Educação e ao Esporte o valor que eles realmente têm. E isso
não se conquista com manchetes saudando feitos pontuais na Olimpíada ou em
solenidades no Palácio da Alvorada, mas na hora de elaborar o orçamento da
União e dos Estados. Essa é a Olimpíada que realmente vale a pena.

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