terça-feira, 17 de julho de 2012


Habemus  pesquisa

Finalmente, após 11 dias do início da campanha eleitoral, surge a primeira pesquisa sobre a intenção de votos dos porto-alegrenses para a prefeitura da Capital. Embora se trate de uma “fotografia” do momento, o cenário apresentado é bem esclarecedor.

Em primeiro lugar indica uma forte tendência de polarização entre Manuela D’Ávila e José Fortunati.  Nada de novo. Desde outubro de 2011, quando foi realizada a primeira pesquisa Correio do Povo/Methodus para a eleição de Porto Alegre,  e nas que a sucederam, Fortunati e Manuela apareciam como favoritos, praticamente  empatados tecnicamente.

A novidade da pesquisa de hoje é que, pela primeira vez, é quebrada essa incidência do empate técnico e invertida a ordem do candidato mais citado (Fortunati). Pelo menos na pesquisa estimulada, onde são apresentados os nomes dos candidatos. Nela, Manuela D’Ávila  aparece como a mais lembrada (38,6%), seguida por José Fortunati (33,5%). Ou seja, a comunista aparece com 5,1% a mais do que o atual prefeito. Isto significa o fim do histórico empate técnico, considerando para tanto uma diferença para mais ou para menos de 2,5%.

A tendência de empate (comparando as pesquisas anteriores)  só se mantêm na pesquisa Espontânea, onde Fortunati desponta com 13,1% e Manuela com 11,6%.

E ao que tudo indica, esse cenário acirrado deverá se manter num já previsível segundo turno.

Já Adão Villaverde, candidato do PT, partido que havia muito tempo sempre constou como um dos ponteiros das pesquisas eleitorais para a prefeitura de Porto Alegre, aparece num distante terceiro lugar, tanto na pesquisa estimulada (7,4%) como na espontânea (1,6%).

O cenário da atual pesquisa, a meu ver, retrata  mais o conhecimento atual dos eleitores sobre a imagem dos candidatos do que uma avaliação das propostas e do desempenho dos mesmos nos debates pela mídia (até porque só houve um até agora). Isso explica a dificuldade de crescimento de Adão Villaverde, praticamente desconhecido dos porto-alegrenses, que aparece com um percentual que não representa o tamanho do PT na capital.

Já o deslanche de Manuela surpreende em parte, haja visto que Fortunatti, por ser prefeito, tem maior facilidade para se expor aos holofotes da mídia. E isto, acredito, derruba a tese daqueles que veem como desvantagem de Fortunati a divisão de tarefas de prefeito e candidato.

Da  mesma forma, há quem acredite que o tempo de rádio e televisão será decisivo para o convencimento do voto dos eleitores. Pode ser que sim. Pode ser que não. Vai depender muito da qualidade e do conteúdo dos programas. Nesse aspecto, levando em conta a competência dos responsáveis pela coordenação de comunicação e marketing dos três melhores colocados na pesquisa, será uma disputa muito parelha.

Particularmente acredito que a definição do voto dos porto-alegrenses se fixará em no mínimo três fatores: empatia, conhecimento e identificação das principais necessidades do cidadão, e propostas viáveis para atendê-las.

Sendo assim, vamos esperar as próximas pesquisas. Particularmente tenho curiosidade de conhecer o resultado das que ocorrerão após o início da propaganda eleitoral gratuita de rádio e TV. Só aí poderemos confirmar ou não a tendência demonstrada pela pesquisa de hoje.  Só não me venham com a história de que o eleitor só começará a pensar em eleição depois do término das Olimpíadas de Londres. O jogo aqui em Porto Alegre já começou. E já  tem gente guardando lugar privilegiado nele.

Nenhum comentário:

Postar um comentário