Quanto riso, ó quanta
tristeza...
Se eu tivesse que
escolher uma fantasia para brincar neste carnaval, tendo como tema o momento
por que passa o país, certamente escolheria a de pierrô triste. Aquele que tem
uma lágrima pintada sob um dos olhos. Seria uma variação da tradicional
fantasia de palhaço, preferida nos anos anteriores. Por um simples e derradeiro
motivo: a decepção tomou o lugar da alienação. Os movimentos espontâneos das
ruas mostram, claramente, que os brasileiros cansaram de se fazer de ingênuos.
De bobos alegres. Depois de ver o medo
vencer a esperança (Revolução
militar de 1964); de ver a democracia
vencer a ditadura (Diretas Já em 1985);
de ver a corrupção vencer a probidade (Eleição de Fernando Collor
de Mello em 1989); de ver a hiperinflação
ser derrotada (Plano Real em 1994) pela competência;
e de ver a esperança vencer o medo (2002 – eleição de Lula), chegamos
à fase atual, onde a revolta pelos
maus serviços públicos, pelas promessas de campanha não cumpridas, e pela
corrupção endêmica, está vencendo a esperança.
Pior, está mostrando que os interesses do PT governista estão se tornando mais
importantes do que o do povo brasileiro. Logo o PT, aquele que historicamente
disse ser o salvador da Pátria. Mas como é carnaval e tem eleição em outubro,
mesmo vestindo a fantasia de pierrô tristonho, vou manter o sorriso no rosto.
Quem sabe no ano que vem eu possa tirar do armário a velha e sempre bem-vinda fantasia
da esperança. E já estou até ensaiando a marchinha: “Quanto riso, ó quanta
alegria ...”

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