Os bons exemplos voltaram.
O tempo para
percorrer a BR-116, entre Porto Alegre e São Leopoldo, segundo reportagem
realizada pelo jornal Zero Hora, passou de 89 minutos para 48 minutos. Quase a
metade. Inacreditável. O motivo? A construção da BR-448, a chamada Rodovia do Parque,
que inicia no perímetro urbano da capital e termina em Sapucaia do Sul, num
trajeto de aproximadamente 35 quilômetros. E a fluidez no trânsito da BR-116 -
até pouco tempo considerada a rodovia brasileira com maior trânsito localizado
- ainda pode ser maior, basta que os acessos secundários à BR-448 sejam
melhorados. Ou seja, o tempo para cumprir o mesmo percurso pode diminuir ainda mais.
Usei apenas uma
vez a Rodovia do Parque, à noite, vindo do centro de Canoas. Sofri para
encontrar uma sinalização indicativa que me levasse até a nova estrada. Quando
consegui, constatei que o fluxo de veículos era pequeno, se comparado com o que
circulava pela BR-116 naquele mesmo momento. Isso me permitiu curtir a beleza
da estrada. E sai dela seduzido. Usar a BR-116 agora só se for realmente necessário.
É ou não um grande avanço?
E é isso que
explica o título desse artigo. É que são raras as ações governamentais na área
da infraestrutura de transportes concluídas com tamanha agilidade. A maioria,
pela demora da sua conclusão, quando inaugurada já perdeu sua utilidade
original. Acaba virando solução paliativa e não integral. A construção da
BR-448 prova que quando se quer se faz. E que quando não há interesse se arruma
desculpas. É o caso de diversas obras viárias que se arrastam por longos
períodos, impedindo o crescimento da economia gaúcha.
Poderia
citar vários exemplos, mas me fixo nas duplicações da BR 386, entre a divisa de
SC e o município de Lajeado; da BR-116, entre Guaíba e o Rio Grande; e da
BR-290, entre Eldorado do Sul e Uruguaiana. No caso das duas primeiras rodovias
(386 e 116) trata-se da rota de escoamento da safra gaúcha até o porto de Rio
Grande. Já a BR-290 é o elo de ligação do estado com o Mercosul. Importantíssimas,
portanto.
Tem também
as obras imprescindíveis que demoram parar começar. A construção da segunda ponte
sobre o Guaíba, o metrô de Porto Alegre, a ampliação do aeroporto Salgado
Filho, são algumas delas. Isso em se
tratando de obras de responsabilidade federal. Fosse feita uma abordagem sobre
as carências estaduais a lista seria muito maior. Em termos de agilidade nas
suas execuções seria como comparar uma corrida entre um tatu (Governo Federal) e
uma tartaruga (Governo do Estado).
Mas enquanto os pesados impostos não se
convergem adequadamente em obras, comemoremos o resultado apresentado por Zero
Hora. Ele é exemplar e dá esperança. Exemplar porque prova que o Estado pode
fazer mais e mais rápido. E esperança porque sacode o marasmo a que os gaúchos
estavam acostumados, de verem as obras estatais se arrastando indefinidamente. Quem sabe agora a coisa vai?

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