sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

Da esperança para o medo.



A declaração do presidente do STF, Joaquim Barbosa, caracterizada como um alerta à nação, expõe com respaldada transparência, aquilo que a população brasileira já percebe, mas de forma ainda superficial. É por isso que os protestos populares estão se debruçando apenas sobre questões administrativas, de má gestão governamental, sem um maior aprofundamento das questões ideológicas e institucionais. Mais saúde, educação, segurança e outras mais. 

E o aviso dado pelo ministro Barbosa, após ver os mensaleiros petistas serem absolvidos do crime de formação de quadrilha, foi no sentido de mostrar que existe um processo evidente de golpe no ar.  Ele não disse, mas eu digo: não só no STF, mas em todos os segmentos da chamada República brasileira. Prova disso é o desrespeito com que o Executivo, cada vez mais, trata os demais poderes, no caso o Judiciário e o Legislativo. E quem está por trás dessa contra revolução é o Partido dos Trabalhadores. Escondido sob um pseudo manto de justiça social e de democracia, o PT esconde um projeto contra revolucionário que visa implantar, a qualquer custo, o socialismo no país e uma eterna permanência no poder. Mesmo que para isso precise subjugar o povo aos seus interesses.  

Ouçamos, pois, o alerta de Joaquim Barbosa.

Motivado pela grave denúncia do presidente do STF, fui buscar no baú das minhas recordações um vídeo gravado em 2007, onde o apresentador do programa Sr. Brasil, Rolando Boldrin, declama um poema da escritora e poetiza Cleide Canton, que inclui no último verso um trecho do discurso de Rui Barbosa, e que demonstra toda a sua indignação pela forma inadequada pela qual o Brasil vem sendo governado. Por sua atualidade e clarividência, transcrevo o texto para reflexão daqueles que acessarem esse blog, na esperança de que o reproduzam.

Sinto vergonha de mim.

Sinto vergonha de mim. Por ter sido educador de parte desse povo. Por ter batalhado sempre pela justiça. Por pactuar com a honestidade. Por primar pela verdade. Por ver esse povo, chamado varonil, enveredar pelo caminho da desonra.

Sinto vergonha de mim. Por ter feito parte de uma era que lutou pela democracia. Pela liberdade de ser e ter. E entregar para os meus filhos, simples e abominavelmente, a derrota das virtudes pelos vícios. A ausência da sensatez e o julgamento da verdade. A negligência da família, célula mater da sociedade. A demasiada preocupação com o eu feliz a qualquer custo, buscando a tal felicidade em caminhos eivados de desrespeito para com o seu próximo.

Sinto vergonha de mim. Pela passividade de ouvir sem despejar meu verbo. Há tantas verdades ditadas pelo orgulho e pela vaidade para reconhecer o erro cometido. Há tantos floreios para justificar atos criminosos. Há tanta relutância para esquecer a antiga posição de sempre protestar, voltar atrás, mudar o futuro.

Sinto vergonha de mim. Pois faço parte de um povo que não reconheço. Que enveredou por caminhos que eu não quero percorrer. Eu tenho vergonha da minha impotência, da minha falta de garra, das minhas desilusões e do meu cansaço. Não tenho prá onde ir, pois amo esse meu chão. Vibro ao ouvir meu hino. E jamais usei a minha bandeira para enxugar meu suor ou enrolar meu corpo numa tal manifestação de nacionalidade.


Ao lado da vergonha de mim tenho tanta pena de ti povo brasileiro. De tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça, de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar da virtude, a rir-se da honra, a ter vergonha de ser honesto. 

Veja o vídeo pelo link:
http://www.voobys.com/video/video.php?id=5ahRnuQmZQs

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