domingo, 9 de março de 2014

A revolução necessária.



No dia 31 de março a Revolução Militar completará 50 anos. Mais do que a lembrança de um episódio histórico da vida nacional, com excessos e incompreensões naturais de um período de ditadura, observa-se movimentos revanchistas. Mais do que isso, são nítidas as tentativas de reescrever a história, dando-lhe uma nova face ideológica, disfarçada de defesa dos direitos humanos. Erram como erraram os que praticaram excessos. Não pode haver diálogo profícuo se ambos os lados, sob o manto das boas intenções, procuram culpados e não respostas. Se o momento é oportuno para conhecer um período pouco transparente, nada pode ser pior do que a intransigência.

Vendo o canal do GNT, onde personagens remanescentes da revolução de 1964 narravam, sob sua ótica, acontecimentos dos quais foram testemunhas oculares, constatei excessos de ambas as partes. Um general da CIA, amigo do primeiro presidente militar da época, Castelo Branco, disse que o ex-presidente Médici, ao saber que um sargento e um major do exército haviam torturado um preso político até deixá-lo demente, mandou puni-los exemplarmente. Isso confirma os atos de perseguição, tortura e morte praticados pelos defensores da revolução, mas também que os ex-presidentes não tinham o total domínio da situação. Se sabiam, foram coniventes. Se não sabiam, foram irresponsáveis.

No mesmo programa, ouvi do jornalista Flávio Tavares, amigo pessoal e da confiança de Leonel Brizola, que a intenção dos rebeldes exilados era de, caso conseguissem tomar o poder, mandar todos os líderes revolucionários para o paredão. Isso significa fuzilamento sumário. Para tanto, ele próprio havia recebido ordem de Brizola para providenciar na abertura de uma clareira, em plena selva amazônica, para que um avião trazendo armas do exterior para os contrarrevolucionários pudesse aterrissar. Segundo ele, o aeroporto improvisado chegou a ficar pronto, mas pelo que ele sabe o tal avião nunca pousou.

Cito os dois episódios como exemplo do clima bélico de então. Muitos são os fatos e muitos são os mitos. Como a provável invasão por marines americanos caso Jango não deixasse o poder. É por isso que o momento do cinquentenário da revolução de 64 é oportuno. Para tentar resgatar a verdade histórica e evitar que os erros de então sejam repetidos. A imensa maioria dos brasileiros de hoje (inclusive eu que tinha oito anos) não vivenciou aquele período, por isso é inútil tentar fazê-los partícipe da história. Mais fácil será fazê-los entender o que houve. Mas para isto será preciso neutralidade, seriedade e honestidade.

Não podemos admitir que a marca histórica dos 50 anos da revolução se preste como máquina de manobra para o alcance de objetivos meramente eleitorais. Chega de casuísmos. E hora do povo assumir de vez o seu destino, de acordo com a sua consciência. As ruas mostraram que a principal preocupação da população é com a falta de uma contrapartida compatível com os impostos pagos. E isso não se atende com ideologia, mas com o comprometimento com as prioridades populares, construindo estradas e hospitais, oferecendo ensino público de qualidade, etc. E para isso tanto faz o partido que esteja de plantão no governo.  O que importa é a competência gerencial do governante eleito e sua capacidade para escolher os integrantes do seu governo.

Fazer um governo empreendedor, fiscalizador, inibidor da corrupção, ético, comprometido, e outras tantas qualidades bem recebidas pela população, especialmente pelos mais necessitados, será a verdadeira revolução a ser comemorada. Oxalá isso aconteça o mais breve possível.

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