Não se esqueçam do Tarso.
O senador
Pedro Simon, ao atacar o PP e a senadora Ana Amélia, reprisa o que o
pré-candidato do PDT ao Senado, Lasier Martins, havia feito na pré-convenção do
PDT. E a coincidência se estendeu inclusive no objeto das críticas: a ligação do PP com a antiga Arena. Mas a grande questão a ser analisada é: por que ao
invés de enaltecer a escolha dos seus candidatos a governador, no caso José Ivo
Sartori (PMDB) e Vieira da Cunha (PDT), Simon e Lasier decidiram criticar Ana
Amélia? A resposta parece ser simples: por que ela tem chances reais de vitória e isso
atrapalha os planos dos dois partidos. Mas isso, ao contrário das críticas
feitas publicamente, não é dito. Se não vejamos:
O que
pretende o PMDB com José Ivo Sartori? Ou polarizar a eleição entre PT e PMDB,
repetindo embates históricos como os de Britto x Olívio e Tarso x Fogaça , intenção
esta que parece contar com a simpatia de Tarso, ou seja, a que mais agrada ao
PT, ou buscar o papel de terceira via da eleição, tentando reeditar o fenômeno
Rigotto (2002). Principal obstáculo: o pouco tempo de campanha para fazer
Sartori ser reconhecido como candidato pelo eleitor.
Já o PDT não
tem plano B. O único projeto é o de se tornar terceira via. E ai conta mais com o
passado do partido, principalmente de Leonel Brizola, do que com as
potencialidades pessoais e políticas de Vieira da Cunha. Se o alcance dessa
meta já era difícil, ficou ainda mais, com a entrada de Sartori no cenário.
Mas de todas
as razões para o ataque a Ana Amélia, as que mais se parecem verdadeiras são o
medo e o respeito. Tudo por conta das qualidades, enquanto candidata ainda não
confirmada ao governo do Estado, de Ana Amélia. Se PMDB e PDT têm suas
preferências na escolha de seus adversários, o mesmo ocorre com o eleitor
gaúcho no que tange a tendência do seu voto, onde as pesquisas tornadas
públicas e as internas (dos próprios partidos) colocam Ana Amélia como a
candidata preferencial da maioria dos entrevistados. É por isso que ela foi colocada no paredão pelo PMDB e pelo PDT.
Mas não é
somente a boa imagem de Ana Amélia junto ao eleitor que preocupa os adversários
do PP. É também o desempenho da senadora em Brasília, reconhecido
nacionalmente, tanto como jornalista como parlamentar, a ponto dela ser
reconhecida como a mulher mais influente do Congresso Nacional. E mais, com uma
trajetória pessoal e profissional irretocável, ela se torna uma concorrente “pitoco”, como se diz no
jargão político quando se quer classificar alguém que não tem “rabo preso”.
É por isso
que os ataques de Simon e Lasier contra Ana Amélia são incompreensíveis e
equivocados. A briga pela terceira via é entre seus partidos. E o pior, quando
centram seu poder de fogo em Ana Amélia, deixam Tarso livre para fazer o que o
PT mais sabe: iludir o eleitor. Prova maior desse perigo foram as promessas não
cumpridas feitas por Tarso na campanha eleitoral de 2010 e que lhe deu a
inédita vitória em primeiro turno. Pior agora que o PT tem a máquina na mão.
O que está
em jogo nessa eleição – e isso todos os partidos precisam ter como prioridade –
é o futuro do Rio Grande. Não de médio ou longo prazo, mas o que começa no dia
seguinte da proclamação do vencedor, tal a precariedade financeira enfrentada
pelo Estado. Daí a necessidade de uma campanha propositiva e respeitosa. Para
permitir uma união de esforços, senão para o segundo turno da eleição, para
permitir a governabilidade do (a) novo (a) governador (a).
Para isso é preciso
que nossos líderes políticos tenham como foco os problemas do estado e não os
velhos e desgastados alvos da ideologia ou do desgaste da imagem pública do
adversário.
A grave
situação enfrentada pelo Rio Grande não permite mais sofismas e nem erros.
Chega da velha política. Está mais do que provado que ela não tem mais utilidade
e nem eficácia.

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